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“Os Verdes” demoraram de comboio 2 horas e 30 minutos do Rossio às Caldas

Marlene Sousa

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Uma comitiva do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), liderada pela dirigente nacional Manuela Cunha, demorou na passada quarta-feira duas horas e meia de comboio do Rossio (Lisboa) à estação das Caldas da Rainha e com necessidade de mudar de comboio em Meleças.
Viagem do Rossio às Caldas no âmbito da ação “Comboios a Rolar, Portugal a Avançar”

Manuela Cunha, que deu uma conferência de imprensa na chegada à estação de comboios das Caldas, disse que o diagnóstico foi que “aparentemente ter comboio hoje e chegar a horas foi uma exceção”.

Quando solicitada a comentar a viagem entre o Rossio e Caldas, Manuela Cunha gracejou com o facto de na bilheteira em Lisboa não se poder comprar os bilhetes antecipadamente (no dia anterior) com receio de não haver comboio”, adiantando que a funcionária da CP confessou que “excecionalmente havia comboio e excecionalmente chegaria a horas”.

Ainda mais grave, adiantou a dirigente de “Os Verdes”, na Casa CP quando comprávamos os bilhetes houve quem nos perguntasse “porque é que vão de comboio?”. “Isto é incrível que na Casa CP se esteja a dissuadir os passageiros de andarem de comboio”, afirmou, acrescentando que “até Meleças o comboio veio vazio por causa destas situações”.

Para Manuela Cunha, é “lamentável que um turista que se costuma organizar as viagens não possa comprar o bilhete na véspera e pior ainda, na Casa CP propõem-lhe alternativa”.

O Partido Ecologista Os Verdes lançou,no dia 28 deagosto, uma ação nacional em defesa do transporte ferroviário intitulada “Comboios a Rolar, Portugal a Avançar”, que percorreu semana a semana todo o país, até ao fim da Semana Europeia da Mobilidade, a 22 desetembro.

Dando continuidade a esta ação nacional em defesa da ferrovia, “Os Verdes” percorreram a Linha do Oeste, no passado dia 19, fazendo dois percursos. Um grupo saiu deLisboa – Rossio, no comboio das 09h26, com destino a Caldas da Rainha, onde chegou às 11h49 e alguns dirigentes e ativistas do PEV seguiram viagem no comboio das 11h51 com destino à Figueira da Foz, onde chegaram às 14h09. A viagem do Rossio até à Figueira da Foz incluiu cinco transbordos e demorou cerca de quatro horas e meia.

A dirigente da Comissão Executiva Nacional do PEV recordou que esta iniciativa dos Verdes já decorreu em 2011, onde na altura também percorreram todas as linhas do país. “Não só piorou como existe uma maior degradação”, apontou. Segundo descreveu, “houve mais linhas que encerraram, mas sobretudo houve uma grande degradação de serviço devido à carência de material circulante”.

Manuela Cunha adiantou que o investimento na ferrovia será “um pilar fundamental na luta” do próximo Orçamento do Estado, sublinhando que é “urgente” adquirir novo material circulante e contratar trabalhadores para a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF).

Os 102 trabalhadores que a empresa pretende contratar até ao final do ano, no âmbito de um concurso público, não vão chegar para substituir os mais de 115 que desde fevereiro foram para a reforma, portanto, as carências continuarão”, alertou a dirigente do PEV.

“A próxima grande ação do Orçamento do Estado tem de ser a de abrir cordões à bolsa para se poder empregar mais gente e garantir a recuperação e manutenção de todo o material circulante disponível e inoperacional, armazenado nos estaleiros da CP à espera de ser reparado para ser posto a circular”, salientou Manuela Cunha. “Não é material topo de gama, mas os portugueses são modestos, preferimos reparado e a circular do que não ter comboios”, adiantou.

Os Verdes defendem ainda o reforço “de verbas de investimento na CP para aquisição de mais comboios, mas também para iniciar obras de modernização da Linha do Oeste e nas restantes linhas portuguesas”.

“Há passageiros para os comboios. De Meleças para as Caldas já havia bastante afluência”, destacou, acreditando que “quantos mais horários houver, mais utentes haverá”.

Os Verdes entregaram na Assembleia da República um projeto de resolução, aprovado em maio, que determina que a modernização da Linha Ferroviária do Oeste seja executada de forma a garantir tempos de percursos mais atrativos para os utentes, salvaguardando o direito à mobilidade das populações servidas por esta linha. Posteriormente, entrou uma petição da Comissão de Defesa da Linha do Oeste, com 6408 assinaturas, que solicita a modernização desta linha ferroviária.

A Linha do Oeste é uma linha férrea centenária que serve as populações dos distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra e que, apesar das obras realizadas na década de 90 do século passado e da renovação em 2004, tem, ao longo dos anos, sido alvo de abandono e desinvestimento chegando hoje à situação extrema de incumprimento do serviço público.

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