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Exposições de esculturas e pinturas no Painho

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A localidade do Painho recebeu uma iniciativa cultural invulgar, reunindo a totalidade da obra do artista conterrâneo Jorge Romão. A exposição “Ímpetos” contou com mais de 60 quadros e com visitantes de dentro e fora do concelho. Aproveitando o ensejo, o autor voltou a expor, na sua aldeia-natal, a mostra escultórica “A Caixa”, projeto único no mundo, entre outros trabalhos seus.
Jorge Romão na exposição “Ímpetos”

“A Caixa” surgiu em 2012, quando se assinalaram os dez anos da entrada em vigor da vigilância eletrónica em Portugal. “Houve um seminário alusivo à data e eu propus-me fazer esta coleção, com base em histórias reais, que aconteceram com pessoas que estiveram sujeitas a vigilância eletrónica. São dez anos, são dez caixas, são dez histórias, são dez fragmentos de vida”, explica Jorge Romão.

Os materiais são todos recicláveis e apanhados nas ruas de Lisboa, nomeadamente de Alfama e da Graça (onde mora o autor). “Também tive a sorte de, na altura, ter havido uma greve da recolha do lixo durante quatro dias, o que para mim foi um luxo”, conta. “Outros materiais foram cedidos por colegas minhas, tais como brincos, pulseiras, travessas, que eu desmontei e com os quais cobri algumas das caixas”, diz. “Comprei uma ou outra peça, mas a grande maioria é fruto de reciclagem”, adianta.

Jorge Romão é técnico superior de reinserção social na Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e integra os Serviços de Vigilância Eletrónica desde 2001. Desde 2004, está a coordenar a equipa de Vigilância Eletrónica de Lisboa.

O projeto “A Caixa” não é, porém, uma coleção institucional, mas sim particular, e não está para venda. Segundo revela, “em 2012, esse equipamento deixou de ser utilizado e a empresa ofereceu-mo, porque o restante foi incinerado. Quando esteve exposto nesse ano, eu comprometi-me a manter a coleção em Portugal. Isto porque, na altura, houve algumas ofertas, e ofereceram-me até bastante dinheiro por ela, mas não aceitei”.

“Celebrei uma espécie de compromisso de que o Estado português teria sempre preferência, caso um dia houvesse algum país interessado na coleção, uma vez que é única no mundo, não havendo nenhuma feita a partir deste material, e nem será possível ser reproduzida, porque este material já não existe”, acrescenta.

“A Caixa” estreou-se em novembro de 2012, na Faculdade de Direito, e esteve depois cerca de quatro meses no Ministério da Justiça. Já passou pela Junta de Freguesia dos Anjos, em Lisboa, também durante cerca de cinco meses. “Esteve aqui, no Painho, em 2016 mas incompleta, e agora fiz questão de a trazer completa, por ocasião desta exposição de pintura”, relata. “Em princípio, para o ano, há projetos para ser novamente exposta em Lisboa, e não sei até se não fará uma digressão internacional, pois já tive algumas propostas nesse sentido”, revela.

Quanto à exposição “Ímpetos”, chegou ao Painho (de 12 a 19 de agosto) depois de ter passado por Lisboa (Galeria Arte Graça), de 13 a 29 de julho. “Recebi muitos apelos, das pessoas do Painho que não podiam deslocar-se a Lisboa, para trazer cá a exposição. Senti que tinha o dever de o fazer”, conta.

A exposição reuniu 60 telas, sendo que, em Lisboa, Jorge apenas expôs 49 trabalhos, em virtude de o espaço ser mais pequeno.

Utilizando acrílico sobre tela, mais de 80 por cento dos quadros foram executados com espátula e com outros objetos que adaptou ou inventou, estando os pincéis fora de utilização, no seu caso.

O Painho está sempre retratado nos seus trabalhos. «Não só nos quadros que evocam ambientes rurais, mas em todos eles, porque eu só pinto de memória, e as minhas memórias afetivas principais são aqui do Painho. Embora viva há muitos anos em Lisboa, quando pinto, mesmo a paisagem urbana tem toques do Painho”, indica.

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