Arméria alerta para “poluição visual” na Papôa com pequenos montes de pedras

Francisco Gomes

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A associação ambientalista Arméria alertou esta semana para o aumento da “poluição visual” provocada por mariolas (pequenos montes de pedras) em vários locais emblemáticos, nomeadamente na Papôa, em Peniche, local que aponta não ter escapado a esta “moda” que se traduz pela “criação de extensos conjuntos de pedras amontoadas, em zonas de acesso por vezes perigoso ou podendo a sua queda constituir um perigo”.
Conjuntos de pedras amontoadas na Papôa

Embora as mariolas tenham importância em grandes serras, como a Serra da Estrela, onde há relatos dos conjuntos de pedras empilhadas (que vão de apenas três ou quatro pedras a estruturas com mais de dois metros de altura) servirem como marcos de sinalização de trilhos, com origem bem antiga no pastoreio, que complementam as marcas da rede de percursos pedestres, numa espécie de “farol na montanha”, já em Peniche não se encara da mesma forma, apontando-se tratar-se de uma “moda zen, que serve para se tirar fotografias ao pé”.

A Arméria alerta para a “degradação visual que tais construções geram na paisagem, assim como do risco de segurança acrescido que as mesmas podem representar, já para não falar na alteração dos habitats naturais”. Ou seja, a moda de amontoar pedras prejudica a flora e fauna e descarateriza a paisagem.

Segundo avisos sobre a problemática, tal prática “deixa uma profunda marca humana na paisagem natural”, para além de que “o equilíbrio precário dos amontados torna-os perigosos para animais ou crianças que deles se aproximem”.

Por outro lado, dada a função tradicional de marcar a direção correta em caminhos pedestres, “reproduzi-las aleatoriamente inutiliza a função essencial das originais”.

“Uma vez que a Papôa é um dos locais emblemáticos de Peniche, cheio de património, tal situação não pode manter-se como está. A Arméria gostaria deste modo que a Câmara Municipal de Peniche fosse a promotora de uma iniciativa de sensibilização e “limpeza” destas mariolas, em articulação com a polícia marítima e com a participação de toda a comunidade local”, manifestou a associação, que existe há quase 19 anos e que promove a educação ambiental.

Um dos seus focos de atuação estratégica é toda a zona da Papôa, tendo ao longo dos anos apresentado a sua visão da forma como toda esta área poderá ser preservada e valorizada, numa perspectiva conciliadora de diferentes interesses e sem medidas radicais.

Desde há alguns anos que se alertava para a perigosidade do acesso à Papôa, assim como para que a reparação do acesso fosse realizada com uma intervenção “minimalista” com o mínimo de impacto na paisagem, nomeadamente com o recurso a uma passagem em madeira, algo que agora se concretizou. No entanto, segundo a Arméria, muito ainda falta fazer para valorizar e preservar esta zona, que pertence à Rede Natura 2000 e integra a Reserva da Biosfera das Berlengas.

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