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Carta aberta a Guilherme Martins

Arlindo Ferreira

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“(...) Pouco antes de cada treino, sigo a mesma rotina. Fico em frente ao centro do relvado por cinco minutos e bloqueio tudo o resto. Então um filme começa a rodar na minha cabeça. É o filme da tua carreira(…).

No final, antes de voltares para o vestiário, eu sempre digo a mesma coisa para mim mesmo. Miúdo, tens muito talento e caráter. Com 14 anos, o teu futebol é, genuinamente, harmonia de movimentos, espécie de bailado entre jogador e bola, é talento, imaginação, criatividade, arte, inteligência, atributos que te definem como praticante e validam a tua qualidade apreciada e disputada: genialidade pura! E estou aqui agora. É irreal, mas eu estou aqui a ver-te com tanto orgulho (…)

Quando chegaste ao Caldas, no início de 2017/18, sabia-se o trivial de Guilherme Martins: saltara aos três anos para o futebol das escolas da AEÓbidos e jogava com frequência nas equipas que se iam formando nas camadas mais jovens. Era visto como um promissor defesa ou um médio interessante. E nada mais. De repente, porém, começou a jogar nos escalões da formação do Caldas. E a jogar muito. E a marcar golos. E a fazer assistências. Assim conquistou o seu espaço na equipa A de Iniciados para o campeonato Nacional do Escalão. Depois a Seleção Distrital Sub-14. Primeiro timidamente. Depois com alguma segurança. Agora seguríssimo. Daqui a um ano, se calhar, como titular entre os Sub- 15 da Seleção Nacional.

E tem só 14 anos. Mas muito andamento. É um jogador extraordinário. É a maior revelação do futebol do Caldas nos Sub-14 e, ao mesmo tempo, a ser um dos maiores três jogadores do ano no Distrito de Leiria: craque. Acabou a época com 34 jogos no Caldas e nove golos. E terminou com onze jogos na Seleção Distrital de Leiria registando cinco golos, sagrando-se o seu melhor marcador.

Tens tido uma evolução notável e em Caldas apanhaste um treinador perspicaz e muito inteligente. Potenciou o Gui em termos táticos, nem o fixou, nem o agarrou, libertou, responsabilizando-o nas ações ofensivas e defensivas. O Gui tanto pode terminar muito bem os lances como dar o último passe. Tem uma margem de evolução enorme e, não tenho dúvidas, é um jogador ao nível dos três grandes e será de Seleção. Nesta idade já está apto para níveis de excelência. Tem bola nos pés e futebol na cabeça. Quem priva com Gui destaca a sua humildade é um líder natural.

30 de Julho de 2018 – Após teres representado a Seleção Distrital de Leiria no escalão de Sub-14 no Torneio Lopes da Silva em Braga, o regresso aos treinos no teu clube: Caldas Sport Clube. É o primeiro dia do resto de uma brilhante época. 19 horas – estádio do Caldas Quinta da Boneca, bem preenchido por familiares e entusiasmo das pessoas em níveis elevados.

A realidade pode ser fria e cruel, mas é mesmo assim. Para Guilherme, a época pode ter acabado às 1930h deste dia. Já o escrevi e os sinais que recebi na volta do correio foram de estúpida severidade. É esperar para ver.

Más notícias para o universo caldense e para Guilherme em particular, o jogador sofreu uma lesão grave: fratura da sua ainda frágil tíbia no primeiro treino da época, que o impedirá de pisar os relvados durante os próximos seis meses. Este é um rude golpe para o jogador, que era peça fundamental no esquema tático de Luís Lopes para a época 2018/19.

A estrela brilhante e cintilante sempre te acompanhou desde os teus três anos, quando começaste a tua atividade futebolística na AEÓbidos, onde te apresentaste vestido à Noddy. Desde então a estrelinha esteve sempre presente, quis Deus que no dia 30 de julho de 2018 tivesses a primeira lesão da tua carreira de onze anos. A estrelinha deixou de brilhar, apagou-se momentaneamente, Deus naquele momento deixou de te proteger, sinal que também comete erros. Foi um segundo fatídico, num lance de rotação em que estavas sozinho, logo me veio à memória a lesão de Krovinovic, jogador do Benfica, foi como levar um potente coice de mula, que se repercutiu por todo o estádio.

Estou certo que a estrelinha vai regressar ainda mais brilhante. No desporto, como na vida, nenhuma vitória é eterna, nenhuma derrota é permanente. Aconteça o que acontecer, haverá, sempre, futuro.

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