De imediato, começaram, as romarias com fiéis de todo o País em direção à Atouguia, para pedir saúde à imagem milagrosa da Senhora da Conceição. A 26 de maio de 1696, cumprindo uma promessa que fizera ao saber do milagre, foi em peregrinação a Rainha D. Maria Sofia de Neuburgo, mulher do Rei D. Pedro II, acompanhada pelo Príncipe Herdeiro, o futuro Rei D. João V, então com sete anos.
A Rainha quis que se construísse uma Capela Real, que passou a estar ligada à Casa das Rainhas e da qual se encarregou o arquiteto da corte, João Antunes (que desenhou o Panteão Nacional entre outras emblemáticas igrejas). Ofereceu ainda jóias e paramentos à capela, que se terminou de construir já bem entrado o século XVIII e é hoje um dos ex-libris de Atouguia da Baleia e uma das mais belas igrejas da região.
Ao longo dos séculos seguintes, 19 de maio foi dia de grande festa e de romarias vindas de todo o país, mas em especial das regiões de Óbidos, Torres Vedras e Santarém. Celebravam-se touradas num recinto que se fechava em volta do largo da igreja, do qual restam como testemunho algumas peculiares pedras perfuradas, o touril, elemento arquitetónico raro no país.
Nos últimos anos recuperou-se a tradição de solenizar o aniversário do milagre, mas o Jubileu dos 325 Anos do milagre assinalou-se no passado fim-de-semana de forma mais solene. Aos distintos momentos de oração na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, incluindo a primeira veneração da imagem milagrosa em 70 anos, juntou-se uma recriação histórica dos círios, no sábado.
No dia 18 de maio teve lugar uma vigília de oração e de veneração extraordinária da imagem milagrosa. Foi a primeira vez em quase 70 anos que a imagem milagrosa de Nossa Senhora saiu do seu trono para uma celebração e pôde ser venerada na igreja. A última vez foi em 1949 para uma procissão especial a pedir chuva, visto que se tratou de um ano de grande seca.
No dia 19, aniversário do milagre, depois da santa missa, realizou-se uma recriação histórica dos círios à Senhora da Conceição. A organização da recriação foi da responsabilidade da Junta de Freguesia de Atouguia da Baleia, tendo participado dois ranchos folclóricos da freguesia de Atouguia da Baleia – o Rancho Folclórico de Geraldes e o Rancho “As Lavadeiras” de Bolhos – e dois grupos de fora, o Rancho Folclórico e Etnográfico do Arelho (Óbidos) e o grupo folclórico “Gentes de Almeirim”.




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