O programa de férias dá oportunidade aos doentes oncológicos, numa fase de pós-tratamento, de melhorarem a qualidade de vida.
“Os redutores de stress como meditação e yoga, o exercício físico adequado na natureza, as visitas culturais e os promotores de esperança são as principais atividades a promover para estas pessoas que passaram pelo trauma do cancro”, refere Marcelo Chagas no seu trabalho de mestrado.
O aluno descreve que as receitas da atividade turística em Portugal subiram 16,6% em 2017 face ao ano anterior para 3,39 mil milhões de euros, registando-se 20,6 milhões de hóspedes e 57,5 milhões de dormidas. “Estes números justificam o crescimento de uma “ferramenta” que o cidadão comum utiliza para fugir à rotina diária e ao stress do cotidiano, quer precise de um tempo longe do trabalho ou da azafama da cidade. Se estas situações de vida normal nos causam constrangimento físico e psicológico, o nível destas complicações para um paciente oncológico pode criar limitações inimagináveis”, sublinha.
Tendo em vista responder às motivações de férias e necessidades de natureza física e psicológica dos doentes que possam ser satisfeitas pelas ofertas turísticas de saúde e bem-estar, propõe-se o programa de atividades de “férias de recuperação para doentes oncológicos”.
“A inclusão dos doentes oncológicos no âmbito do turismo de saúde e bem-estar alicerçados no panorama do Turismo Acessível não prevê uma cura milagrosa através de terapias alternativas em detrimento das terapias convencionais, mas sim um mecanismo para melhorar a esperança e qualidade de vida do doente”, explica Marcelo Chagas.
“Ao longo dos anos, o turismo sempre se soube reinventar e crescer de modo a ir ao encontro da procura dos consumidores. Surgiram vários segmentos turísticos, e a implementação do programa de “férias de recuperação para doentes oncológicos” pode ir ao encontro de um novo nicho de mercado: doentes oncológicos que tenham já recuperado alguma mobilidade e independência e queiram aumentar a sua esperança e qualidade de vida”, sustenta.
O autor do mestrado afirma que se valoriza “o poder de ser capaz de modificar a vida através de uma relação forte entre a psique e o físico, integrando uma forte componente motivacional, o sentido de vida e da própria existência. Mas é simultaneamente um processo de transcendência caracterizado pelo reavaliar da esperança à luz da doença e o encontro de possibilidades positivas. Mais do que um limite temporal, a esperança reflete-se na intenção de dar um novo significado e propósito de vida”.
“O turismo de saúde, segmentado no bem-estar e médico, focado na recuperação, relaxamento e sem intervenções cirúrgicas é alicerçado na terapia e cura, bem como nos pilares medicinais, espirituais e religiosos. Com este programa de atividades é proporcionado ao doente oncológico uma nova avaliação otimista da própria vida, incluindo o contentamento, as emoções positivas, o comprometimento e o propósito de vida, seguindo assim a linha do bem-estar eudemónico, de modo a proporcionar o “florescimento” do indivíduo”, vinca.
As férias de recuperação têm vindo a ser desenvolvidas há vários anos por Célia Antunes e Liesbeth Vermoesen, envolvendo sobretudo doentes oncológicos estrangeiros. A iniciativa está a decorrer ao longo desta semana na região das Caldas da Rainha e tem na próxima quinta-feira um dos momentos mais recheados, com um conjunto de experiências turísticas e culturais que começa em Óbidos com um percurso pedestre, tem teatro, música e escrita criativa, terminando nas Caldas da Rainha com uma degustação de chá.
No evento, que envolverá um padre, um jornalista, uma atriz, um guia turístico e as dinamizadoras das férias de recuperação, participarão doentes da Bélgica.




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