Cuidados e orientações a ter com alergias para sobreviver à primavera

Mariana Martinho

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Nas estações de transição, outono e primavera, as alergias, principalmente as respiratórias tendem a aumentar em grande escala. Diferentes tipos de pólen surgem nessas épocas, também devido à mudança de humidade do ar. Mesmo que nos próximos dias acalmem com a chuva, se sofreu no passado não se limite a tomar anti-histamínicos. Mais vale prevenir, e por isso, o JORNAL DAS CALDAS falou com um médico caldense, Ruben Duarte Ferreira, que dá consultas no Montepio Rainha D. Leonor e no Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para esclarecer algumas dúvidas sobre as alergias.
Alguns alergénios são capazes de provocar comichão no nariz, espirros, corrimento nasal e nariz entupido

Os pólenes são invisíveis a olho nu, mas incomodam muitas pessoas. Mas de facto, é “na primavera e no início do verão que a maioria dos pólenes mais alergénicos atinge o seu pico”.

No nosso país, os pólenes mais relevantes são os de ervas, principalmente as gramíneas (“fenos”) e a parietária (“alfavaca de cobra”), e de algumas árvores, das quais se destaca a oliveira. Estes alergénios, segundo o médico caldense, são “capazes de provocar sobretudo alergia respiratória, mas também cutânea ou ocular e as manifestações ocorrem sob a forma de rinite alérgica (comichão no nariz, espirros, corrimento nasal, nariz entupido), conjuntivite alérgica (comichão e vermelhidão nos dois olhos, lacrimejo) ou mesmo queixas respiratórias graves, como no caso da asma alérgica, que pode manifestar-se por tosse, dificuldade em respirar e pieira (respiração a chiar, “gatinhos no peito”)”. Além disso, referiu que eczema atópico é “outra manifestação frequente da exposição a estes alergénios” e carateriza-se, sobretudo, por ter pele seca e descamativa, com comichão.

Outro aspeto importante é saber-se a que “tipo de pólen sou alérgico”, pois permite ao doente alérgico saber de antemão quando e onde vai piorar, uma vez que diferentes plantas polinizam em diferentes alturas do ano e têm uma distribuição geográfica própria. Para isso, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) disponibiliza um “guia valiosíssimo para estes doentes”, o Boletim Polínico (https://www.rpaerobiologia.com), que fornece previsões semanais para os níveis e tipos de pólenes esperados em cada região do país.

“O conhecimento do tipo de pólen a que se é alérgico é, ainda, importante para se iniciar tratamento dirigido e específico, a imunoterapia com alergénios, mais conhecida como ‘vacina de alergia’”, sublinhou Ruben Duarte Ferreira.

Igualmente esclareceu que é “bastante raro alguém estar sensibilizado apenas a um tipo de pólen”. Isto acontece, porque os pólenes têm proteínas na sua constituição que são comuns a várias espécies de plantas diferentes, produzindo reações cruzadas entre si.

“Ainda não são completamente conhecidos os fatores que levam a que uma pessoa se torne alérgica e outra não”, referiu o médico, esclarecendo que existem várias teorias que têm surgido ao longo dos anos para tentar explicar este fenómeno, “pensando-se hoje que o desenvolvimento de alergia resulta de uma interação dinâmica entre o doente, possivelmente com predisposição genética para a alergia, e o ambiente que o rodeia”.

Apesar da alergia “é possível adotar alguns cuidados que melhoram a qualidade de vida” e ainda aprender a viver com elas. Contudo, os cuidados a ter “dependem do tipo de alergénio a que cada doente está sensibilizado”, sendo que os grupos mais vulneráveis são as crianças, os idosos e todos aqueles que residem perto de vias com tráfego intenso.

No caso dos ácaros, as preocupações principais devem ser com o quarto, mantendo as superfícies lisas e facilmente laváveis, com o mínimo de objetos que façam acumular pó e mantendo uma boa exposição solar e arejamento. O colchão deve ser aspirado frequentemente e a roupa da cama deve ser lavada a temperatura igual ou superior a 60ºC.

Quanto aos pólenes, é “importante evitar áreas de elevada polinização”, e assim evitar atividades ao ar livre nos dias mais críticos e, sobretudo, ao “início do dia, altura em que ocorre maior libertação de pólen”. Igualmente sugeriu que os doentes mais alérgicos “deverão manter-se no interior das habitações, com portas e janelas fechadas enquanto as contagens de pólen forem elevadas, evitando caminhar perto de relvados ou jardins em manutenção”.

Para qualquer alergénio, para controlar os sintomas é “fundamental seguir a indicação do médico assistente e o plano de medicação por ele proposto para as alturas de crise”.

Relativamente às estratégias para evitar as alergias, Ruben Duarte Ferreira disse que as “medidas mais aceites consistem em prevenir a exposição aos alergénios mais frequentes” e assim evitar a exposição ao fumo do tabaco, promover o aleitamento materno até ao 6º mês de vida e evitar o contacto com animais domésticos nos primeiros anos de vida das crianças.

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