Esta conferência, organizada pelo Gabinete de Psicologia da União das Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório e o CLDS 3G do Centro de Recursos Comunitário da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, encerra um ciclo de eventos que desde outubro do ano passado ambas as entidades têm vindo a desenvolver sobre a temática da parentalidade.
“A ideia deste ciclo surgiu do facto de ambos os projetos desenvolverem o seu trabalho com famílias e das questões da parentalidade serem assim, para nós, uma prioridade”, comentaram as duas entidades responsáveis pela organização do ciclo.
Desta vez, a convidada foi a docente no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), que já tem dois livros publicados sobre esta temática – “Geração cordão: a geração que não desliga!” e “Dependências online: o poder das tecnologias”.
“Não tenho nada contra a internet e estar online, pois é uma ferramenta que tem muitas potencialidades”, frisou a psicóloga. Mas a partir do momento em que a utilização é excessiva, em detrimento de tudo o resto, torna-se “um problema”, trazendo riscos e perigos associados.
A ideia não é proibir as crianças de usar este meio, nem deixar a utilização da rede sem regras, mas saber criar uma “regulação informal dentro de cada família” para o uso da internet e das redes sociais. Até porque os dados mostram que o acesso das famílias à internet aumentou nos últimos anos, independentemente das condições económicas e ainda que “25% das crianças e jovens em Portugal são clinicamente dependentes”.
Inspirada em alguns casos que acompanha em consultas, a psicóloga lançou um livro sobre esta geração que é composta pelos chamados “nativos digitais e que acabam por ser a geração cordão”. Ou seja, se por um lado ainda estão ligados ao seu processo de autonomia, não conseguindo arranjar um projeto de empregabilidade, por outro lado, estão sempre ligados a outra coisa, “que é estar online”. Esta “outra coisa” é que tem ser refletida pelos pais, pois os jovens acabam por não desenvolver competências do ponto de vista da maturidade relacional e social e de não ter projeto de vida.
De acordo com um estudo feito por uma equipa liderada por Ivone Patrão, numa mostra de cinco mil jovens, um quarto admitiu que passa “mais de quatro horas diárias ligado, privilegia os contactos online aos presenciais e não tem atividades de lazer no mundo real”. No entender da psicóloga, “não há uma percentagem de jovens dependentes da internet preocupante”, mas considerou alarmante o facto de “20% dos jovens dizerem que têm conflitos no seio familiar e que não sentem a sua família como coesa”.
Esta dependência traz riscos associados – “jovens que só fazem socialização digital”, obesidade e deformação física.
“Não temos todos os jovens dependentes, mas temos de estar atentos e desenvolver estratégias para eles não caírem noutro lado do mundo online”, frisou a docente, que aproveitou para alertar os pais presentes de alguns possíveis sinais de alerta, como o facto de “ter como único interesse estar online”.
Mas não é só pelos perigos que existem online, seja o jogo, os predadores ou o cyberbullying, que os “mais pequenos” devem ter regras no uso das tecnologias. Aliás, sublinhou que o isolamento e a preferência pela tecnologia acabam por ser “entraves ao normal desenvolvimento”.
De acordo com Ivone Patrão, na “adolescência existe uma série de tarefas que implicam alguma dificuldade na socialização, e face a essa dificuldade acabam por entrar no mundo online”, deixando de conviver. Além disso, passam horas, tardes e dias seguidos a consumir multimédia.
Para evitar que os jovens vivam colados aos smartphones e aos computadores, os pais têm que tomar medidas. Nesse sentido, Ivone Patrão alertou para a necessidade de “autorregulação”, e ainda uma reflexão por parte dos pais e educadores, de modo a promover “uma ligação saudável e sem dependências das tecnologias e da internet”.





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