sublinhou Lino Gonçalves, comandante da Escola de Sargentos do Exército (ESE) das Caldas da Rainha, no seminário de história militar que se realizou na passada quarta-feira, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, no âmbito do centenário da presença e convivência militar em Caldas da Rainha. Para abordar os temas “Portugal na Grande Guerra/100 anos do Armistício” e os “100 anos de Presença Militar nas Caldas da Rainha” foram convidados diversos oradores.
Perante um auditório cheio de militares e outras entidades, o colóquio teve início da parte da manhã com apresentação de trabalhos dos alunos do 46.º Curso de Formação de Sargentos e uma abordagem ao tema “Portugal na Grande Guerra/100 anos do Armistício” com o tenente-coronel Marquês de Sousa e o sargento-chefe Jorge Rocha. Da parte da tarde, os dois oradores abordaram a dinâmica social e cultural da guarnição militar, que se fixou na cidade desde 26 de maio de 1918 até aos dias de hoje, estreitando laços com a população e participando no seu dia-a-dia.
Isabel Xavier, presidente da Associação Património Histórico (PH) das Caldas da Rainha, começou por recordar que os Pavilhões do Parque foram projetados nos finais do século XIX por Rodrigo Berquó para serem o novo hospital D. Carlos I. “Berquó queria fazer das Caldas da Rainha uma verdadeira estância termal europeia”, frisou a presidente do PH, adiantando que os “pavilhões do parque “não chegaram a cumprir essa função, nem sequer foram finalizados”.
Serviram para albergar um quartel militar, que foi a “ocupação mais duradora” até 1953, uma esquadra da polícia e uma escola secundária. Aliás, Isabel Xavier explicou que “os fins a que se destinou diversificaram-se ao longo do tempo servindo de guarida a várias instituições e vindo a ser útil para diversos fins”.
Para a docente, “estes pavilhões inscrevem-se na história da própria cidade e testemunham um projeto inacabado mas profundamente marcante”.
Atualmente, os Pavilhões do Parque foram concessionados pelo município ao Grupo Visabeira, que irá reabilitar o património, onde até ao final de 2020 terá de abrir portas um hotel de cinco estrelas. Apesar de se encontrarem em “estado de ruína e à espera de obras que lhe confiram a dignidade perdida”, continuam a produzir “um bonito efeito nas fotografias”.
Já o docente no Instituto Politécnico de Leiria, João Bonifácio Serra, referiu que “a história das Caldas da Rainha e do seu concelho nos últimos cem anos é a história da construção de uma cidade”, que “cresceu sem grandes sobressaltos demográficos”. Segundo João Bonifácio Serra, em 1911, o concelho registava 24.500 habitantes e 5.850 na cidade, e hoje em dia a cidade tem 27.300 habitantes e no concelho 51.730.
Para o docente, a “cidade cresceu no espaço de cem anos, 4,6 vezes mais na cidade e 2,1 no concelho”.
Esta análise demográfica, segundo João Serra, evidencia uma “grande estabilidade social de toda a área rural do concelho e uma lenta progressão da densificação urbana”. Apesar das transformações da economia de mercado, na sua opinião o “mundo rural não foi sujeito a grandes movimentos populacionais”, o que “distingue Caldas da Rainha de outras regiões”.
Igualmente esclareceu que nos últimos cem anos a história da indústria caldense é marcada por uma “presença muito limitada”. Em contrapartida, recordou que a cidade foi dotada de uma “rede institucional muito densa e muito avançada em termos de formação urbana rara em Portugal”, o que confere à cidade “uma popularidade muito forte e uma grande influência regional e nacional”.
“Não é na base económica mas institucional muito densa que está a criação mais importante das Caldas da Rainha”, sublinhou o docente, adiantando que a decisão de localizar nas Caldas o Regimento de Infantaria 5 “ajudou a identificar a imagem de uma cidade mais aberta e cosmopolita da maioria das cidades portuguesas”.
Para João Serra, “hoje em dia temos uma cidade que é uma pequena mas muito densa do ponto de vista institucional”.
Para encerrar a sessão, o comandante da ESE destacou a “excelente aula” sobre a questão dos “cem anos da presença militar nas Caldas da Rainha”.






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