É um trabalho de investigação iniciado em 2014 e que produzirá cinco livros, sendo este o primeiro. Trata-se de um estudo que aborda a genealogia de José Malhoa, pintor nascido nas Caldas da Rainha em 1855 e falecido em 1933 em Figueiró dos Vinhos.
A revelação de um irmão desconhecido do pintor resulta da investigação realizada nos arquivos da Torre do Tombo. Rui Calisto disse ter analisado “fontes primárias”, não indo atrás do que já foi escrito sobre Malhoa, que acaba por ser “cópia atrás de cópia”, sem que haja originalidade. No caso do seu livro, “apresenta 80 por cento de informações inéditas”.
O autor insistiu na ideia, que já defende há algum tempo, da necessidade da criação do “Centro de Documentação José Malhôa”, que considera “fundamental para o resgate e a preservação do nome e do património do seu patrono”, ao mesmo tempo que sustentou a urgência de reunir “a documentação inédita sobre o pintor que está espalhada por Portugal e Brasil”, quer cartas, entre outros documentos.
Neste aspeto, acabou por criticar a burocracia do Estado, criticando, em particular, a responsável da Direção Regional de Cultura do Centro, que “não autoriza que várias fontes sejam consultadas, atrapalhando a investigação”.
Esta dedicação a Malhoa deve-se ao facto de ele ser “o grande nome da história cultural das Caldas da Rainha e o melhor pintor da sua geração”, ainda assim a precisar de maior reconhecimento. “Será que, se tivesse outra nacionalidade, o seu nome estaria ricamente inscrito ao lado de Monet, Manet, Renoir, Van Gogh, entre outros?”, questionou, sublinhando que “a pintura de Malhoa deixa muitos pintores internacionais na sombra”.
Por outro lado, entende que “Caldas da Rainha ainda não dedicou o seu tempo a Malhoa, como já fez com Bordalo, e vive numa penumbra cultural”.
Para Rui Calisto, “falar de Malhoa é para mim como se estivesse a defender a bandeira nacional”.
“1.ª Semana José Malhôa”
O evento iniciou com a apresentação do Coro Infantil e Solistas do Secundário de Música do Conservatório das Caldas da Rainha. O pianista Tiago Mileu também interpretou duas obras de Beethoven e Chopin.
Tinta Ferreira, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, teceu algumas considerações antes de sair para o Campo da Mata, onde o esperava o Caldas Sport Clube para ser homenageado pelo percurso na Taça de Portugal em futebol, e José Pereira dos Santos, em representação do Grémio Literário de Lisboa, falou da cultura em geral e do autor.
José Pereira dos Santos criticou os apoios estatais na divulgação da cultura, comentando que “falta vontade ao poder político”. Até o presidente da Câmara das Caldas foi criticado porque “chegou aqui, disse três palavras e foi para o futebol”.
Sobre Rui Calisto, o representante do Grémio Literário de Lisboa manifestou que “Caldas da Rainha ganhou muito com a sua vinda e há poucos nomes no distrito com a atividade cultural que ele tem”. Rui Calisto nasceu há 53 anos no Brasil, de mãe caldense e pai obidense, e veio para Portugal aos dez anos. Teve a “maior livraria do distrito”, que passou para Sintra, até vendê-la. Não parou de investigar e escrever livros.
O lançamento deste livro está integrado na “1.ª Semana José Malhôa”, organizada por membros de instituições caldenses e da sociedade civil, que constituíram uma comissão para promover um conhecimento mais profundo sobre a vida e a obra do artista.
Até 28 de abril (dia do nascimento de Malhoa), o programa conta ainda com atividades dirigidas aos alunos do ensino básico, concertos musicais, uma visita guiada pelo investigador Nuno Saldanha, através do Museu José Malhoa, e com a apresentação de uma peça escultórica, da autoria de Carlos Oliveira.






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