Q

Ponte romana sobre o Rio Tornada é um dos 23 novos sítios arqueológicos descobertos nas Caldas

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Os resultados do primeiro ano de trabalho do projeto de estudo e inventário do património arqueológico do Concelho das Caldas da Rainha, que foram apresentados, no sábado, no Espaço Turismo, permitem concluir que os vestígios mais antigos da presença humana, no que hoje é o território do concelho, remontam ao “Paleolítico”.
O arqueólogo Ricardo Lopes, um dos investigadores da equipa do projeto Caraca – “Carta Arqueológica das Caldas da Rainha”

O arqueólogo Ricardo Lopes, do Instituto Politécnico de Tomar,um dos investigadores da equipa do projeto Caraca – “Carta Arqueológica das Caldas da Rainha”, revelou que no trabalho de campo descobriram “23 novos sítios arqueológicos no concelho”. “Conheciam-se 30 sítios arqueológicos e com o início dos trabalhos de campo em fevereiro de 2017, descobrimos 23 sítios novos, inéditos, dando um total de 53 locais arqueológicos confirmados no município das Caldas da Rainha”, referiu.

Uma das descobertas inéditas é a ponte romana sobre o Rio Tornada, que se situa na estrada municipal 567, que liga as Caldas à Ribeira dos Ameais (Alvorninha). Segundo o arqueólogo, a Ponte da Feteira (Salir de Matos), “encontra-se coberta de densa vegetação, não sendo praticamente possível visualizar a sua estrutura”.

O investigador apresentou ainda a Ponte do Carvalhal, de “cronologia romana-medieval com tabuleiro recente betuminoso”, que se situa na estrada que liga o lugar de Cabeça Alta ao Carvalhal Benfeito. Em Salir de Matos, e A-dos-Francos, há registos de inscrições romanas. “A existência de elementos arqueológicos romanos atesta a ocupação do concelho”, disse o arqueólogo, acrescentando que “é necessário a continuidade de um estudo mais aprofundado para aferir a sua tipologia”.

Referente à pré-história recente, o arqueólogo destaca por exemplo, o sítio de Cabeça Alta, onde foram registados vestígios que se podem enquadrar no Neolítico (5000-3000 a.C.). “Trata-se de lascas com retoques e traços de uso em sílex, a par de fragmentos de recipientes cerâmicos de fabrico manual, sendo que o tipo de implantação e vestígios apontam para uma possível zona de habitat”.

Nessa mesma freguesia (Carvalhal Benfeito), foram “observados vestígios de culto e rituais do mesmo período (monumentos megalíticos)” que, segundo, Ricardo Lopes, também ainda não tinham “sido reconhecidos, nem se encontravam inscritos na base de dadosdaDireção-Geral do Património Cultural”.

O projeto, que vai durar mais três anos, vai durante este ano fazer a projeção de “provavelmente mais três sítios inéditos arqueológicos”. No Casal do Cruzeiro (Santo Onofre e Serra do Bouro), foi possível detetar “uma grande quantidades de líticos, entre eles um raspador em sílex e um possível machado de duas mãos e ainda um fragmento cerâmico de pasta escura que se enquadra no período paleolítico”.

“Atrás do quartel da Escola de Sargentos do Exército foi possível recolher fragmentos em pedra talhada, bem como um fragmento de sílex e um possível machado, configurando este local como um sítio arqueológico pré-histórico inédito”, avançou.

Em Salir do Porto, aparentemente, disse o arqueólogo, “o local possui um alinhamento que poderá corresponder a uma muralha principal, não sendo possível visualizar a sua totalidade”. Foram ainda no local detetados “fragmentos cerâmicos romanos, que poderão inserir o local num período cronológico da Idade do Ferro e posterior”.

No âmbito do trabalho já realizado, Ricardo Lopes indicou que o “concelho tem uma ocupação humana com uma grande transversalidade cronológica. “São vários os novos locais com interesse arqueológico já identificados, que comprovam a ocupação desta região desde a Pré-História antiga, com presença de bifaces”.

Os Monumentos megalíticos descobertos, principalmente nas freguesias do Carvalhal Benfeito e de Alvorninha, “podem significar uma tradição construtiva deste tipo de monumento naquela área”. “Ao descobrir estes locais, vamos pouco a pouco estabelecendo uma ideia como foi feita a ocupação e evolução humana nas várias freguesias”, referiu o investigador.

O arqueólogo revelou ainda que identificaram no concelho das Caldas das Rainha cerca de 90 moinhos e que será lançado em maio um livro sobre o inventário dos moinhos.

O presidente da Câmara, que esteve presente na sessão, disse que no dia 15 de maio será inaugurada a requalificação do centenário moinho das Boisias, em Alvorninha, que foi restaurado pela Câmara.

Este projeto, executado pelo Instituto Politécnico de Tomar ao abrigo de um protocolo de parceria com o Município das Caldas da Rainha, tem como objetivo principal a construção de uma carta “arqueológica com inventário das estações arqueológicas reconhecidas e localizadas em meio terrestre e subaquático”. Os investigadores pretendem também ganhar um “conhecimento novo e mais profundo sobre o povoamento da região ao longo dos tempos, desde a pré-história até à atualidade”, adiantou Ricardo Lopes. Sublinhou ainda que esta carta arqueológica “é importante também para o município ter a perceção do património existente no concelho e poder fazer o planeamento do seu território de maneira mais informada”.

Para além dos trabalhos de campo, integra várias atividades de educação patrimonial de relação com a comunidade local.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados