Antes da cerimónia decorreu uma romagem ao cemitério para homenagear os bombeiros falecidos, uma missa na igreja da Usseira e um desfile apeado pela principal artéria da localidade. Foi apresentada formalmente a primeira escola de infantes e cadetes, com a promoção dos bombeiros que concluíram com sucesso a formação inicial. Foram depois entregues as condecorações com as medalhas de assiduidade de grau cobre (5 anos), prata (10 anos) e ouro (15 anos) da Liga dos Bombeiros Portugueses e finalmente a atribuição do prémio Bombeiro do Ano.
No interior do salão da Sociedade Cultural e Recreativa da Usseira foram distinguidos dois sócios beneméritos pelas nobres ações praticadas em favor da associação humanitária dos bombeiros de Óbidos, seguindo-se um almoço volante.
No evento participaram o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, o comandante distrital das operações de socorro de Leiria, Carlos Guerra, um representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Marques, o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria, Almeida Lopes, entre comandantes de várias corporações de bombeiros, autarcas e representantes de várias instituições militares e civis.
Um dos primeiros momentos marcantes foi a cerimónia de entrega de insígnias aos infantes e cadetes, da primeira escola de formação da associação humanitária dos bombeiros de Óbidos, que promoveu a instrução inicial de bombeiro, devidamente adaptada às crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 6 e 16 anos, permitindo a sustentabilidade do voluntariado, através do eventual ingresso na carreira de bombeiro.
Esta escola de infantes e cadetes iniciou-se no dia 3 de fevereiro, contando presentemente com 8 cadetes e 23 infantes, numa iniciativa dinamizada pelo segundo comandante, Marco Martins.
Após concluído com sucesso o curso de formação inicial de bombeiro, ministrado durante o ano transato, numa escola conjunta com os bombeiros de Caldas da Rainha, foram atribuídas as divisas de bombeiro de 3ª aos elementos que terminaram a formação.
Beneméritos homenageados
Joaquina Gomes ofereceu no ano passado uma ambulância de socorro à corporação, tendo-lhe sido atribuída a distinção de sócia benemérita da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Concelho de Óbidos e foi-lhe ainda entregue a medalha de grau ouro.
O associado António Plácido também passou a ser sócio benemérito, pelo facto de ao longo de mais de quinze anos ter presenteado todos os filhos dos bombeiros da corporação e os filhos dos membros dos órgãos sociais da associação humanitária na habitual festa de natal, num universo que ronda cerca de 50 crianças.
Na altura dos discursos, José Machado, presidente da assembleia geral, revelou que a associação humanitária tem 2927 sócios, “um acréscimo de 89 face ao ano anterior”, sendo uma estrutura que “tem ultrapassado o valor anual de um milhão de euros, em receitas e em despesas”.
O comandante dos bombeiros, Carlos Silva, destacou que os soldados da paz “abdicam das suas vidas pessoais em prol da segurança no nosso concelho”, garantindo que “a população de Óbidos pode, com toda a certeza, sentir-se confortável e segura”.
Aproveitou para apelar ao aparecimento de mais voluntários, anunciando que na próxima sexta-feira terá início um novo curso de instrução inicial de bombeiros, para aos quais estão 14 elementos alistados. Quem tiver entre os 16 e 45 anos pode dirigir-se ao quartel durante esta semana para fazer a sua inscrição.
“O bom de ser bombeiro é o facto de chegarmos a casa com a certeza do dever cumprido e que se não fossemos nós, a tragédia certamente seria muito maior”, declarou.
Relativamente à atividade operacional do ano de 2017, divulgou que houve um acréscimo no número de ignições de incêndios florestais registados no concelho de Óbidos, perfazendo um total de 122 fogos, que consumiram 495 hectares, sendo que em apenas uma dessas ocorrências, registada no dia 15 de outubro de 2017, arderam 425 hectares.
“Este incêndio teve início em dois pontos distintos, em que a predominância do vento que se fez sentir no local encaminhou as duas frentes de incêndio para a localidade do Olho Marinho, colocando várias habitações em perigo, e infelizmente, derivado ao panorama distrital e nacional, estiveram apenas envolvidos neste incêndio 35 veículos com 130 bombeiros, que foram sendo reduzidos ainda com o incêndio muito ativo, devido ao aparecimento de novos incêndios em concelhos vizinhos”, recordou.
Mário Minez, presidente da direção da associação humanitária, deu os parabéns à junta de freguesia e à coletividade da Usseira por terem conseguido “mobilizar a população para que este dia de festa fosse possível, num ato de bem receber, reconhecimento e apoio que os bombeiros precisam de sentir”.
Uma das medidas que a associação humanitária pretende levar a cabo este ano é “substituir algumas viaturas de combate a incêndio”.
Dionísia Félix, presidente da Junta de Freguesia da Usseira, manifestou que “é com muita alegria que a freguesia recebe a associação humanitária para o festejo do seu aniversário”.
“Bombeiros deviam estar distinguidos pelo governo”
Almeida Lopes, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria, desabafou que “os bombeiros de todo o país deviam estar distinguidos pelo nosso governo como verdadeiros heróis, mas anda muita gente distraída e isso não acontece. De qualquer forma, o melhor prémio são as populações estarem connosco”.
António Marques, em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses, referiu que os soldados da paz “são homens e mulheres que podiam estar em casa com as suas famílias ou a gozar o seu fim de semana ou hora de lazer, mas deixam tudo para socorrer o seu semelhante, que na maioria das vezes não conhece e para quem estão prontos a qualquer hora do dia e da noite”.
“Houve gente que tentou e ainda não desistiu de pisar os bombeiros e que deu a entender que até podia passar sem bombeiros neste país”, lamentou, aproveitando para defender dois comandantes que foram constituídos arguidos pelos fogos florestais e que considerou serem “bodes expiatórios”, perguntando pela responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.
Carlos Guerra, comandante distrital das operações de socorro de Leiria, assegurou “contar com os bombeiros como agentes de proteção e socorro”.
Humberto Marques, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, concluiu a cerimónia agradecendo a todos os bombeiros. “Enquanto cidadão sou capaz de confiar a minha vida a vocês”, foi a mensagem que pretendeu transmitir.
Insígnias a cadetes: Constança Silva, 15 anos, Ana Azevedo, 14 anos, Eduardo Ferreira, 15 anos, Flávio Oliveira, 14 anos, Inês Oliveira, 16 anos, José Albuquerque, 15 anos, Diana Mateus, 15 anos, e Simão Rodrigues, 16 anos.
Insígnias a infantes: Francisco Costa, 11 anos, Lara Santos, 9 anos, Afonso Gomes, 9 anos, André Herculano, 12 anos, Adriana Veiga, 10 anos, Tomé Antunes, 11 anos, Leonor Mateus, 8 anos, Frederico Contente, 9 anos, Carolina Grazina, 7 anos, Simão Ferreira, 10 anos, Lucas Henriques, 6 anos, Beatriz Tomé, 12 anos, Carolina Simão, 11 anos, Diana Castro, 8 anos, Michelle Lourenço, 7 anos, Duarte Simões, 13 anos, Cláudia Lourenço, 10 anos, Santiago Clemente, 6 anos, Miguel Jorge, 13 anos, Miguel Silva, 10 anos, André Casaca, 13 anos, e Mariana Antunes, 7 anos.
Promoção a Bombeiro de 3ª: Estagiários Maria José Teixeira, Ana Antunes, Ricardo Rodrigues, Juliana Santos e Catarina Oliveira
Condecorações com medalhas de assiduidade da LBP:
Grau Cobre, por cinco anos de bons e efetivos serviços: Bombeiros de 3ª Sandra Gaspar, Telmo Caria, Marta Capinha, Paula Malaquias, Rodolfo Ramos e Ana Cascão
Grau Prata, por dez anos de bons e efetivos serviços: Bombeiros de 2ª Elson Mendonça e Victor Felizardo, e bombeiros de 3ª Telmo Seksaoui e Pedro Ramalhete.
Grau Ouro, por quinze anos de bons e efetivos serviços: Silva Bandola
Bombeiro do ano: Bombeiro de 3ª Francisco Morais (a eleição é feita exclusivamente pelos elementos que pertencem ao corpo de bombeiros, distinguindo quem ao longo do ano de 2017 se evidenciou pela dedicação, empenho, espírito de sacrifício e disponibilidade)







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