Este século XXI trouxe à tona d’água, em diversos países, inclusive em Portugal, uma série de “bons moços” que gostam de alardear “ideias inovadoras para a política local e nacional”, porém, depois das mesmas apresentadas, percebemos que afinal não passam de máximas antigas, tão ultrapassadas que cheiram a mofo.
Esses politiqueiros nunca souberam qual o significado da Teoria da Personalidade, e de como ela é importante para a construção da sua identidade política.
É inadmissível que, tanto à Esquerda quanto à Direita, quem tem por objetivo assumir cadeiras de alto-relevo, nunca tenha lido os nomes tutelares que fizeram a História da política mundial, nomes que se misturam com os grandes acontecimentos que beneficiaram a Humanidade, tanto em questões sociais quanto culturais. É mais intolerável ainda o facto dessas marionetas, sociologicamente perturbadas, não terem a mínima noção de que a política existe para auxílio da sociedade e não para o seu próprio proveito.
Todo aquele que almeja uma carreira na área política deveria ter em linha de atenção que a organização do seu conhecimento acerca da personalidade é fundamental, porém, o que se vê é um lustrar de egos, vazios e insonsos. Uma personalidade política só pode ser construída com o correr dos anos (na maioria das ocasiões demorando toda a vida), pois, essa dita construção deve ser alimentada com a nossa própria história, com as nossas emoções e sentimentos, com a nossa reflexão e com a maturidade psicológica. A personalidade política, nada mais é do que uma quase-alma dinâmica, que sobrevém em dissemelhantes condições, absorvendo as partes para preencher um todo.
Ler os grandes títulos e seus imensos autores sobreleva todo o nosso conhecimento a patamares inalcançáveis, porém, deixa-nos mais perto das pessoas, tornamo-nos, creio, mais sensíveis para os mais desmedidos e diversos assuntos, mais próximos do sofrimento de cada um, mais dedicados a causas sociais, logo, mais Humanos e menos políticos.
Platão (428/427-348/347 a.C.), Norbert Lechner (1939-2004), Friedrich Engels (1820-1895), Karl Marx (1818-1883), John Locke (1632-1704), Maquiavel (1469-1527), Rousseau (1712-1778), Karl Weber (1864-1920), Aléxis de Tocqueville (1805-1859) Thomas Hobbes (1588-1679), Montesquieu (1689-1755), Edmund Burke (1729-1797), são alguns dos autores que todo o aprendiz de político deve ler, antes de aventurar-se a candidatar-se a lugares de destaque, tanto no cenário regional quanto nacional.
Se quisermos aprofundar, muito mais, determinadas questões ligadas à estruturação da personalidade política de cada um, naturalmente, devemos debruçar o olhar por sobre algumas teorias de Hans Eysenck (1916-1997) ou Gustav Jung (1875-1961), especialmente naqueles capítulos focados nos padrões estáveis de traços de personalidade, que definem extremamente bem como são os Tipos Psicológicos, categorias que, de encontro a determinados paradigmas, podem permitir-nos alcançar outras dimensões.
Por enquanto, uma gama considerável de pessoas na política, nacional e regional, possui uma sede incomensurável pelo poder, o extremo poder, o que demonstra a distância em que estão da Teoria da Personalidade.
Como são políticos trombeteiros, que alardeiam todos os seus passos como se fossem os do Caminho para Deus, os mais incautos acreditam neles, de olhos fechados. Abrindo, assim, mais um pouco, o fosso entre as classes que compõem a sociedade moderna.



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