As anomalias no troço do IP6 localizado na proximidade do viaduto de Olho Marinho, ao quilómetro 14, em Óbidos, cujo pavimento tem sofrido aluimentos no sentido de Peniche, já vêm sendo alvo de remendos pontuais desde há seis anos, mas as fissuras que foram seladas voltaram a abrir e o piso abateu, originando fendas com mais de meio metro de profundidade e vinte centímetros de largura.
Em janeiro do ano passado, a via da direita da faixa de rodagem ficou vedada ao trânsito, até que em julho, na sequência do capotamento de um carro junto à zona sinalizada, a circulação foi totalmente interdita para ser feito um estudo geotécnico para travar os assentamentos, que segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), “devem-se a diferentes caraterísticas do subsolo relativamente ao restante vale”, sendo a circulação desviada para a faixa de rodagem contrária, que está agora dividida com uma via para cada sentido e com velocidade condicionada ao longo de cerca de um quilómetro (entre os quilómetros 13,670 e 14,430), o que causa transtornos no trânsito.
“É uma vergonha pois as obras vêm atrasadas e é perigoso, porque já fui ultrapassado mesmo em cima do desvio e já houve ali vários acidentes”, relatou ao JORNAL DAS CALDAS um dos frequentadores da via.
A IP pretende lançar no próximo mês o concurso para a empreitada em regime de conceção/construção, no valor de três milhões e meio de euros, e apontou que após a adjudicação, se não houver contestação nem derrapagens, demorará sete meses a ser executada, mas os autarcas da região dizem desconhecer o resultado do estudo geológico e geotécnico que a IP anunciou, para além do plano das obras.
“Vamos ter uma intervenção certamente demorada, porque entre o período do lançamento do concurso até ao fim da obra poderá ir dois a três anos. A primeira questão a saber é se a estrada tem ou não condições de segurança para manter a circulação enquanto as obras decorrem”, alertou Jorge Amador, presidente da junta de freguesia da Serra d’El Rei, em Peniche, uma das localidades prejudicadas com a situação.
Retirar o trânsito pesado do troço afetado do IP6 ou, no extremo, desviar todas as viaturas para outra estrada, podem ser alternativas que se justifiquem, indicou o autarca.
Os deputados do PS na Assembleia da República, eleitos pelo círculo de Leiria, Margarida Marques, António Sales e José Miguel Medeiros, manifestaram entretanto a sua preocupação sobre a urgência das obras, interrogando o Governo sobre para quando estão previstas.
Os socialistas sustentaram que o IP6 “constitui um importante acesso à cidade piscatória e turística de Peniche”, motivo pelo qual questionaram a tutela sobre “o detalhe e os desenvolvimentos deste processo, atendendo a que se aproxima a próxima época balnear, circunstância que provocará um maior afluxo e utilização da referida via”.




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