O Tribunal de Leiria começou a julgar um homem de 41 anos, acusado de homicídio qualificado na forma tentada e de ameaças agravadas contra a ex-namorada, de 43 anos, que esfaqueou por “cinco vezes”, segundo referiu o Ministério Público (MP).
Na audiência foram já proferidas as alegações finais. O procurador do MP lembrou que o arguido está em liberdade condicional à margem de outro processo, tendo já condenações por vários crimes, nomeadamente ofensa à integridade física, ameaças, furto qualificado, detenção de arma proibida, sequestro, violação e crime de incêndio. O arguido aguarda ainda o trânsito em julgado, em dezembro, de uma condenação a onze anos de prisão.
“Face ao relatório social, o arguido não lida bem com as frustrações, pelo que deve o tribunal condenar o arguido numa pena nunca inferior a sete anos e seis meses de prisão”, salientou o MP.
A advogada da vítima sustentou que o crime foi “premeditado” e que foi cometido após “várias tentativas nos três dias anteriores aos factos”. Considerando o arguido uma pessoa “que se vitimiza”, afirmou que ficou provado que a ex-namorada sofreu “danos não patrimoniais”, pelo que é pedida uma indemnização de 25 mil euros. Já a defensora do arguido limitou-se a pedir justiça.
O julgamento ficou marcado com a reação descontrolada do arguido durante o depoimento de uma testemunha, que relatava ao tribunal os factos e o medo com que a vítima se deparou perante as ameaças do arguido.
O arguido foi retirado pela guarda prisional, que pediu ao juiz presidente que o acusado se retirasse para o estabelecimento prisional por questões de segurança.
Antes, o arguido tinha contado ao tribunal que não aceitou o fim da relação com a vítima e que por diversas vezes tentou falar com ela, mas que esta declinou sempre. Nesse sentido, dirigiu-se ao centro de formação no Porto de Abrigo da Nazaré, onde esta estudava e admitiu que a esfaqueou.
“Eu não queria fazer-lhe mal. Levei as facas porque tinha medo que o pai dela estivesse lá”, justificou ao tribunal, afirmando que agrediu a ex-namorada depois de ela o empurrar e insistir que não queria falar com ele, descreveu a agência Lusa.
Segundo relatou, a vítima teve um caso amoroso com o arguido, que conheceu no curso que começou a frequentar em abril de 2017. O namoro começou em julho e durou cerca de quatro semanas. “Houve alguns conflitos e quando o confrontava com algumas coisas menos corretas, fazia papel de vítima”.
A ofendida revelou ainda que depois de ter posto fim à relação, o arguido a procurou em sua casa para conversar e começou a ameaçá-la através de mensagens. Fez queixa na GNR, que telefonou ao arguido, e na PSP.
No dia 25 de julho de 2017, o acusado foi ao centro de formação e depois de perceber que ela não queria falar consigo, esfaqueou-a. Foi socorrida junto ao edifício da Brigada Fiscal e transportada pelos bombeiros para o hospital.
A leitura do acórdão está marcada para o dia 23 de abril, pelas 14h00, tendo sido solicitado o reforço da segurança.




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