Por precaução, a proteção civil municipal decidiu evacuar o edifício para uma análise mais aprofundada e determinação das obras necessárias por parte do condomínio.
A queda do revestimento de uma empena do edifício de seis andares deixou o prédio em risco de colapso estrutural. Os residentes (que se dividem em inquilinos e proprietários dos apartamentos) apanharam um grande susto.
“Parecia um trovão ou um tremor de terra. Deixei-me ficar quietinha pois estava deitada porque estou lesionada. Entretanto, entrou o meu filho porta dentro a dizer que a parede tinha caído. Foi um grande susto”, relatou Isabel Pires, moradora num dos andares do nº 56.
A situação estava sinalizada há mais de um ano e aguardavam-se obras de conservação e restauro pelo condomínio. “A situação evitava-se bem. Vim para aqui morar há dois anos. Na altura não estava tanto degradado, o que aconteceu com o tempo. No ano passado começaram a pensar em fazer as obras. Falaram com os senhorios, o meu pagou na altura, mas não se fizeram as obras e agora estamos a ser deslocados das nossas casas e do nosso conforto. O condomínio não devia ter deixado chegar a este ponto”, lamentou.
A derrocada parcial agora ocorrida (queda do revestimento, em azulejo, e do bloco de tijolos que o suportava) motiva preocupações. “Não podemos pensar que é só a parede de fora. Não sabemos até que ponto não danifica a outra parede e se estamos seguras”, manifestou Ana Catarina, outra moradora.
“Poderia não ter havido este transtorno todo de termos de sair das nossas casas. Foi afixado um papel a dizer que no dia 26 de fevereiro iria dar-se início às obras e que os moradores teriam de arranjar alternativa para o gás natural, que iria ser cortado. No meu caso meti uma botija, mas não houve início das obras, que iriam durar três semanas”, relatou.
Um representante da empresa que gere o condomínio explicou que as obras não foram iniciadas na data prevista “devido à chuva”.
Os treze moradores do lado direito do prédio, entre os quais quatro crianças, foram alojados no Hotel Rainha D. Leonor por não estarem preenchidas as condições de segurança. Um veículo dos bombeiros transportou uma família com uma criança de onze anos com leucemia. A primeira informação foi que ficariam na unidade hoteleira três noites, mas o executivo camarário deliberou que se for necessário assumirá a responsabilidade do alojamento e alimentação até à próxima sexta-feira e os serviços sociais vão analisar a situação de cada família caso estejam impedidas de voltar às casas durante um prazo mais alargado.
Devido à existência de animais – cães, gatos e aves – foi contatado o serviço de veterinária da autarquia, mas os moradores conseguiram que familiares e amigos os acolhessem. A Rede Leonardo recebeu gatas.
Gui Caldas, responsável da proteção civil municipal, indicou que “após a primeira avaliação da situação reuni com a comissão de vistorias do município e com os bombeiros, e concluímos que a parede externa está a deslocar-se e há o risco, embora mínimo, da parede interna vir agregada perante uma eventual queda da estrutura. Como existe esse risco, foram tomadas estas medidas preventivas”.
Segundo revelou, a falta de obras, potenciada pelo mau tempo, motivou a derrocada, “embora não tenha sido a causa determinante”.
“O mau tempo potenciou esta situação, que decorre da falta de obras de conservação e restauro da responsabilidade do condomínio”, apontou.
Nelson Cruz, comandante dos bombeiros, confirmou que “o nosso trabalho resumiu-se a uma avaliação técnica entre as entidades no sentido de percebermos qual a viabilidade das pessoas continuarem no edifício. Constatámos que seria importante que as pessoas saíssem, para que se possa fazer uma nova avaliação e dar o passo seguinte”.
“O edifício tem um revestimento na lateral – uma segunda parede – e é essa parede de que estamos a falar. O edifício não está em risco de ruir nem nada que se pareça. A manutenção que se devia ter verificado na parte exterior não se verificou. A muita chuva ajudou claramente a que, através de infiltrações, pudesse ter acontecido esta situação”, referiu.
Vai agora ser feita uma análise mais aprofundada para determinação das obras necessárias por parte do condomínio, daí a necessidade dos moradores ficarem alguns dias fora, por questões de segurança. “Após serem retirados todos os elementos estruturais que estão em queda as pessoas poderão voltar. Pode vir algum elemento da parede interior agarrado e mais vale pecar por excesso do que correr o risco das coisas se passarem menos bem, o que é uma hipótese remota”, indicou o comandante dos bombeiros.
Os moradores “saíram com naturalidade a nosso pedido” e os serviços municipais de proteção civil trataram do realojamento no hotel na cidade, ficando também asseguradas as refeições (almoço e jantar) em dois espaços de restauração.
Os serviços de Proteção Civil vão articular com o condomínio para ser feita a retirada controlada da parede exterior do prédio para evitar o risco de haver desmoronamentos. Não se conhecem ainda prazos mas a obra terá que ser feita com alguma rapidez. Na segunda-feira uma empresa de restauro das Caldas da Rainha esteve no local a equacionar a intervenção.
No dia da derrocada estiveram presentes, para além dos técnicos da proteção civil, elementos da PSP e dos bombeiros das Caldas da Rainha que estabeleceram um perímetro de segurança, para evitar contato com a zona onde os fragmentos caíram e onde já há mais de um ano tinha sido colocado gradeamento para impedir estacionamento de carros, precisamente pelo risco de queda da parede.





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