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Deputados vieram de comboio e criticaram investimento na linha do Oeste

Bloco de Esquerda realiza jornadas parlamentares nas Caldas da Rainha

Francisco Gomes (texto) / Rita Damásio (fotos)

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O Bloco de Esquerda considera que o entendimento com o PS tem sido benéfico para o país e quer prosseguir com o acordo governativo. A coordenadora do partido, Catarina Martins, não se mostra intimidada com a aproximação do PSD ao PS, revelou nas Caldas da Rainha, na passada segunda-feira, nas jornadas parlamentares do partido. Os deputados vieram de comboio e criticaram o investimento previsto na linha do Oeste.
Chegada da comitiva do Bloco de Esquerda à estação de comboios das Caldas da Rainha

Nas jornadas parlamentares no distrito de Leiria, a coordenadora do Bloco de Esquerda respondeu à aproximação que a nova liderança de Rui Rio no PSD pode fazer ao PS. Numa conferência de imprensa realizada no Centro da Juventude das Caldas da Rainha, Catarina Martins disse que o acordo do Bloco de Esquerda com o PS é para manter.

“Houve uma opção que foi feita e que resultou de uma legitimidade eleitoral para uma solução política diversa da do Bloco Central (PS/PSD), que permitiu crescimento económico, recuperar rendimentos no trabalho, salários e pensões, e nós acreditamos que essa solução [o acordo à esquerda] pode também permitir começar a resolver os problemas estruturais da economia portuguesa, o endividamento externo, a assimetria do território e o défice social que tem o nosso país”, sustentou.

Catarina Martins avisou no entanto que as políticas em comum sobre o investimento público têm de ser debatidas e concertadas com o PS, nomeadamente, por exemplo, no aproveitamento dos fundos comunitários, que no seu entender, não resultou com o bloco central.

“As decisões sobre esse investimento foram até agora um monopólio do bloco central, PS e PSD, feito muitas vezes tendo em conta interesses particulares e setores privilegiados da economia”, criticou. “Não foi nunca capaz de corrigir os problemas estruturais da economia portuguesa, pelo contrário”, afirmou.

A abertura de portas a negociações com o PSD é entendida como dispensável. “O Bloco de Esquerda não sente necessidade desse diálogo”, respondeu Catarina Martins, quando questionada sobre se admitia entendimentos alargados que incluíssem os sociais-democratas.

Um exemplo de mau investimento para o Bloco de Esquerda é a ferrovia. Numa viagem que os deputados fizeram pela Linha do Oeste, denunciaram as carências entre Lisboa e Caldas da Rainha, onde está previsto um investimento de 107 milhões de euros.

Heitor de Sousa, deputado do BE, disse ao JORNAL DAS CALDAS que se “vai gastar este dinheiro para apenas 17 minutos de poupança de tempo”, tornando os argumentos para atrair pessoas para a ferrovia em vez do transporte rodoviário “muito limitados”, pelo que é preciso que “as melhorias sejam mais significativas e para isso é preciso investir mais, para corrigir o traçado em mais pontos”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda anunciou um projeto de resolução para a requalificação integral da linha ferroviária do Oeste, ao contrário da “proposta atual que só requalifica 20% da linha, até às Caldas da Rainha”.

A proposta bloquista insere-se no âmbito da aposta na ferrovia como forma de “combater assimetrias” e garantir “maior mobilidade, conforto e segurança” a cerca de 1,5 milhões de pessoas que podem ser servidas por esta linha entre Lisboa e Figueira da Foz.

O deputado bloquista, Jorge Falcato, aproveitou para denunciar que não pôde fazer a viagem entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, uma vez que o comboio não tem condições para que pessoas de cadeira de rodas possam aceder a este meio de transporte.

No âmbito das jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda realizou-se na segunda-feira um jantar no restaurante Paraíso, no Coto, onde Catarina Martins explorou o tema da precariedade, precisamente para fazer uma “homenagem” aos trabalhadores precários do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), da qual é porta-voz Carla Jorge, única deputada municipal nas Caldas da Rainha do Bloco de Esquerda.

Avisando que o Governo tem até final de março para lançar os concursos em atraso para vinculação de precários à administração pública, a coordenadora do Bloco de Esquerda comentou que o processo de regularização dos precários “está a ser muito lento” e recordou que este é um “ponto central” nas “responsabilidades coletivas” assumidas no acordo entre BE e PS.

O mês de março não pode acabar sem o lançamento dos concursos para a vinculação dos precários à administração pública”, alertou, sublinhando que, de acordo com a lei, já deveria ter acontecido até meados de fevereiro.

Catarina Martins admitiu que quando se começou a trabalhar no acordo entre BE e PS para o apoio parlamentar ao Governo minoritário do PS, “um dos dossiês mais complicados foi o do trabalho”, tendo sido um dos que mais separou bloquistas de socialistas.

No caso do CHO, o processo de regularização dos precários arrancou no início deste mês com 180 trabalhadores a assinarem contrato direto com a instituição depois de décadas a prestar serviços através de empresas de trabalho temporário.

As jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda incluíram ainda uma visita ao Forte de Peniche e prosseguiram na terça-feira com a visita ao Pinhal do Rei, em Leiria, uma zona bastante afetada pelos incêndios no ano passado.

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