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Alterações climáticas inspiraram passagem de modelos com chocolate

Marlene Sousa

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As alterações climáticas foram o tema que serviu de inspiração à passagem de modelos com chocolate, na noite de 16 de fevereiro. O evento, que marcou o arranque do Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, teve lugar pela segunda vez no Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha (CCC), deu continuidade à parceria existente entre os dois municípios.
Três designers de moda criaram coleções em que os acessórios são em chocolate

As alterações climáticas foram o tema que serviu de inspiração à passagem de modelos com chocolate, na noite de 16 de fevereiro. O evento, que marcou o arranque do Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, teve lugar pela segunda vez no Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha (CCC), deu continuidade à parceria existente entre os dois municípios.

Na passarela três designers de moda, Mónica Gonçalves, Cristina Neves e Kristine Kosta, inspiradas pelo tema, criaram coleções onde os acessórios eram em chocolate.

Os acessórios das 18 criações foram confecionados por uma equipa de quatro pasteleiros, liderada por Paulo Santos, licenciado em Artes Plásticas e sócio gerente do Forno do Beco, nas Caldas da Rainha. Marlene Alexandre, chefe pasteleira na Pastelaria Alexmel, em Chãs, Jorge Fonseca, pasteleiro na “Real Padaria”, em Leiria, e Humberto Lavos, chefe pasteleiro na “Fit Sabores” em Monte Redondo, que com chocolate branco, negro e de leite criaram os acessórios que cativaram o público que quase encheu o grande auditório do CCC.

A apresentadora do desfile, Sandrina Francisco, superou o medo e desceu dotetopara opalco com um guarda chuva, agradecendo a ajuda dos bombeiros das Caldas.

Rodric com o instrumento Hand Pan, deu início ao espetáculo, que combinou a arte de trabalhar a roupa e o chocolate.

O primeiro desfile a subir ao palco foi da responsabilidade da estilista Mónica Gonçalves, que passou a mensagem de “como o aumento do conhecimento humano pode criar tantos avanços tecnológicos e ao mesmo tempo tão derradeiros e conflituosos nesta imensa globalização”. A designer apresentou peças fluidas contrastadas por estruturas que enaltecem a personificação do corvo que dá origem a “munin”.

Já a estilista Cristina Neves apresentou uma coleção “Nonmetallic” – tribo urbana minimal e andrógina. “Um apelo à vida, linguagem volumosa, simples e geométrica e códigos de um ser divino integrado num meio primitivo. “Nonmetallic” refere-se a uma categoria de elementos químicos.

O prateado, o preto e o branco são as cores predominantes desta coleção. Os acolchoados sintéticos lançam um olhar irónico sobre esta época interglacial e as linhas têm uma forte inspiração na cultura nipónica.

O terceiro desfile foi assinado por Kristine Kosta, que simboliza um futuro incerto uma vez que “o ser humano esgota praticamente os recursos naturais do planeta”. Para lutar contra o clima e fazer face à escassez desses recursos surgem cidades “ilhas”, onde o culto de mãe natureza prevalece sobre a tecnologia. As “nomadzs”, guerreiras sacerdotisas defensoras dessa ideologia pagã, vão de cidade em cidade mentalizar e ajudar os cidadãos dessas cidades para garantir o futuro do planeta.

Os acessórios confecionados em chocolate embelezaram o desfile. Para o chef pasteleiro Paulo Santos, foi novamente um desafio e para trabalhar o tema deste ano foi “preciso algum grau de imaginação”, destacando o “trabalho em equipa com as estilistas, técnicos, Ana Saramago e o próprio CCC”.

Os artistas que criaram o chocolate estiveram a trabalhar para a passagem de modelos desde 15 de janeiro, diariamente, num atelier em Leiria, onde utilizaram para todas as peças cerca de 50 quilos de chocolate negro, branco e de leite.

Segundo este responsável, o objeto mais pesado foi o “crânio do corvo, porque era maciça com cerca de sete quilos, concentrados em 10 centímetros quadrados”. Os que deram mais trabalho pelo grau de dificuldade e pelo pormenor técnico foram a cabeça do dragão e o crânio do corvo.

O desfile antecipou o festival do chocolate que começa dia 23 de fevereiro em Óbidos, e onde se poderão ver as peças que no CCC desfilaram em pormenor, numa exposição.

Os bailarinos da PMP encheram de ritmo o espetáculo que contou com a participação dos alunos da academia desportiva e artística de Óbidos. A música esteve a cargo do DJ Samuel, e do VJ Pixel Bitch.

As modelos foram penteadas pela equipa de Ana Saramago e maquilhadas pela Fashion Studio Lab.

A produção do evento esteve a cargo de Rita Capelo e Paolla Aquino.

Festival vai continuar a realizar-se no CCC

Esta passagem de modelos foi a segunda concretização da parceria entre Caldas da Rainha e Óbidos. “Foi um excelente espetáculo e que faz a antecipação do festival de Chocolate de Óbidos”, disse Maria João Domingos, vereadora da Câmara das Caldas, destacando o “trabalho colaborativo entre os dois municípios”.

Segundo a autarca, “há assuntos comuns que nos preocupam, como a preservação da Lagoa de Óbidos e a promoção da região de turismo do Oeste, e há outras coisas que fazemos em paralelo, como também a Semana Internacional de Piano de Óbidos que teve espetáculos nas Caldas e o Caldas Nice Jazz que teve espetáculos em Óbidos”.

Quanto ao tema das alterações climáticas, a vereadora considera “muito importante porque o público foi convidado a ter atitudes e comportamentos que promovam a sustentabilidade do planeta, que é o único que tem chocolate”.

Também o presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques, destacou que a parceria com a autarquia está a resultar. “É fundamental termos esta capacidade de abertura dos eventos”, disse, acrescentando que “o CCC tem condições extraordinárias para acolher um evento desta natureza e é a região que ganha quando se faz alguma coisa em qualquer um dos municípios, seja Caldas ou Óbidos”.

Quanto às críticas que recebeu no ano passado por causa de fazer a passagem de modelos nas Caldas, sublinha que “não se perde a identidade e é inconfundível a ligação da marca ao território na sua generalidade”.

Humberto Marques adiantou que esta política de proximidade não é só ao “nível da cultura e estende-se a outras áreas que não sejam tão visíveis”. “Há uma articulação entre aquilo que é indústria pura e dura, que fica nas Caldas, e aquilo que são empresas de base tecnológica e que se fixam em Óbidos”, referiu, dando outros exemplos de matérias que unem os dois municípios como a “Lagoa de Óbidos, Linha do Oeste e hospital”.

O presidente da Câmara de Óbidos também destacou que o tema do festival “é uma agenda que procura recuperar programas ambiciosos da redução de co2”.

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