Emanuel Minez responsável pelo Red Frog Speakeasy Bar em Lisboa, que alcançou em 2017 o 92.º lugar na lista dos melhores bares do mundo, Paulo Caiado, consultor de empresas e um dos impulsionadores da importação dos produtos da marca Pandora para Portugal, Tiago Duarte, que tem tido sucesso na comunicação e angariação de fundos para a Associação Salvador, Helena Monteiro de Castro, responsável pela Casa de Pão de Ló de Alfeizerão que lançou recentemente o pão de ló de Coz, Gonçalo Machado que terminou no passado ano letivo o curso de Técnicas de Cozinha e Pastelaria (TCP) na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO), que está a frequentar o curso de “Gestão de Artes Culinárias na University College Birmingham, em Inglaterra e Miguel Mendes do Turismo de Portugal que destacou o crescimento de negócio na área do turismo e informou dos apoios disponíveis para negócios na área. Estes foram os projetos de empreendedorismo apresentados aos alunos da EHTO, a 11 de janeiro, nas IV Jornadas do Empreendedorismo.
A qualidade da sessão foi destacada como um evento importante no incentivo da fomentação das capacidades empreendedoras dos jovens estudantes e no fornecimento de ferramentas necessárias para que possam um dia pôr em prática as suas ideias de negócio.
No início das jornadas, Daniel Pinto, diretor da EHTO, disse que estas sessões tentam promover uma cultura de empreendedorismo, junto dos alunos através da partilha de experiências, por parte de especialistas de empresas e organizações, com “bons resultados”. “O objetivo é ouvir e partilhar ideias relacionadas com o empreendedorismo e ainda abordar a economia do turismo proactiva, seja na criação de uma empresa ou de bens e serviços”, referiu o diretor da EHTO.
Igualmente destacou que um empreendedor precisa de ser dinâmico e proactivo, e que ajude a organização onde está inserido a desenvolver novos produtos e serviços. Já Célia Antunes, professora da disciplina de Empreendedorismo, realçou que estas sessões são “sempre uma mais-valia para a cultura do empreendedorismo”.
“As pessoas é que fazem o negócio”
A dificuldade de encontrar recursos humanos especializados na vertente bar foi uma das ideias partilhadas pelo primeiro empreendedor, Emanuel Minez, que é um dos sócios fundadores do “Red Frog Speakeasy” em Lisboa e proprietário do “Cais da Praia”, restaurante e bar na Foz do Arelho.
Com o bar lisboeta, aberto desde 2015, na Avenida da Liberdade, o empresário explicou que “nem tudo é um mar de rosas, gerir o nosso próprio espaço não é fácil. É exigente, e obriga-nos a dedicar muito tempo. Não conseguimos ter um horário, pois todos os dias a minha vida acaba às quatro da manhã”. Mas se houver “dedicação” e uma “equipa excelente, como eu tenho, tudo é possível”. Aliás, referiu que” as pessoas é que fazem os negócios”.
Prova disso, é o sucesso inegável que o bar speakeasy, inspirado nos espaços clandestinos que existiam nos Estados Unidos durante o período da Lei Seca, tem tido desde o seu início, arrecadando diversos prémios no ramo sem parar, entre os quais o “Melhor Bar do País” e o”Melhor Menu de Bar”, por dois anos consecutivos. Ainda no ano passado foi distinguido como o 92º melhor bar do mundo pela lista conceituada “The World’s 50 Best Bars”, o que faz o Red Frog, o primeiro e único bar português a ter este reconhecimento.
Contudo, Emanuel Minez explicou que “há três anos quando abriram as portas do bar, o objetivo era estar entre os melhores bares do mundo”. Caso não consiga atingir esse objetivo, o empresário afirmou que o “Red Frog pode correr o risco de fechar”.
“O bar tem um objetivo e uma meta. Não interessa se é lucrativo, o que interessa é estar na lista dos 50 melhores bares do mundo”, explicou o responsável, que não deixou margem para dúvidas, que este não é mais um bar em Lisboa, mas antes um espaço que pretende deixar a sua marca.
A funcionar à porta fechada, numa cave, onde só se entra tocando à campainha, o estilo retro da decoração e dos funcionários empurra o imaginário da época de um bar speakeasy. Além disso, Emanuel Minez contou que tudo no Red Frog foi pensado ao pormenor, a começar pelo nome. “Para mim todos os espaços e bares tem de ter uma identidade, e por isso criámos uma storytelling à volta do Red Frog”, explicou o empresário.
O nome, surgido numa viagem ao Panamá em que Emanuel ficou numa zona conhecida por uma espécie rara de sapos vermelhos. Ora esses mesmos sapos, cujo veneno é usado pelos índios locais nas flechas, transportam um misticismo que os responsáveis decidiram aplicar no bar. Recorrendo aos sapos de louça, utilizando-os como regalos para os clientes, estes foram mandados fazer nas Caldas da Rainha.
Relativamente às bebidas, Red Frog aposta na variedade e originalidade dos cocktails, mudando os menus de 6 em 6 meses. “Não há um copo e uma receita que se repita nos menus”, sublinhou o responsável.
Recentemente alterou a carta, onde conta com mais de 30 bebidas de autor, que abusam do imaginário dos cocktails clássicos para fazer versões mais contemporâneas e modernas para os amantes de cocktails. “Aproveitamos os clássicos, mas dando-lhes o nosso twist“, assegurou Emanuel, adiantando que além de todas as bebidas utilizadas nos cocktails serem topo de gama, são os próprios barmen que fazem as bases que utilizam nas combinações. Em média, o bar lisboeta serve 200 cocktails por noite.
Atualmente, o bar lisboa é “um falso secreto” disse o responsável, adiantando que “neste momento temos um grande problema, as pessoas fazem fila à porta”. Alias, explicou que existem pessoas a fazer escala em Lisboa, de propósito para visitar o bar, “é uma coisa incrível, há mesmo pessoas seguidoras deste trabalho”. Nesse sentido, o Emanuel Minez adiantou que está a pensar em abrir um novo espaço em Lisboa, “muito perto do Red Frog” para tentar dar solução ao problema.
Características de um empreendedor
Paulo Caiado, gestor e consultor de empresas, que ajudou a lançar algumas marcas conhecidas de várias áreas, começou por dar alguns exemplos de “personalidades empreendedoras” que acompanhou nos últimos 30 anos de carreira profissional, para fomentar a tese que “o mundo do empreendedorismo estende-se por toda a sociedade económica e não só, na era da internet”.
O orador aproveitou para esclarecer que um empreendedor é alguém que possui algumas características, tais como versatilidade, criatividade, capacidade de gestor, capitalista e ainda com uma “enorme competência técnica”. Além disso é alguém que tem “um sonho, e que pega nele e torna-o exequível e comercializado”.
“Não importa a idade e o estatuto, um empreendedor é alguém com ideias e capacidades de criar, inovar e fazer algo primeiro que os outros”, referiu Paulo Caiado, destacando que o empreendedorismo traz a resiliência, a “capacidade das pessoas resistir à mudança e continuar em frente”. Por isso, disse que “empreendedores podemos ser todos nós, se tivermos estas capacidades, e o mundo precisa de pessoas que façam as coisas acontecer, e isso pode ser qualquer um de vocês”.
Casa de Pão de Alfeizerão tem sido um exemplo de resiliência
Helena Monteiro de Castro, apresentou a Casa de Pão de Ló de Alfeizerão que nasceu em 1925 e que tem sido um exemplo de resiliência.
Revelou que os pontos fortes do seu negócio com anos de história são o produto que é “identificado imediatamente, faz parte da história de muitos dos seus clientes e o nome tem um estatuto de marca”.
No entanto refere que todos os dias enfrenta desafios e dificuldades. Como por exemplo a localização geográfica e a sazonalidade são um problema, porque no inverno há menos visitantes na localidade.
Apesar de ser uma casa histórica e conhecida, Helena Monteiro de Castro considerou necessário inovar para rentabilizar o negócio. Criou visitas guiadas ao fabrico com o objetivo de dar a conhecer a história da empresa, proporcionando aos seus visitantes um contacto direto com o processo de fabrico e história terminando com a degustação do famoso pão de ló de Alfeizerão.
A responsável fomentou ainda no seu espaço workshops de doçaria nomeadamente para as crianças e jovens porque “serão os futuros clientes da casa”.
A antiga receita das monjas que ocuparam o Mosteiro de Santa Maria de Coz foi recriada numa parceria entre a Casa do Pão de Ló de Alfeizerão e o projeto Coz’Art”, referiu Helena Monteiro de Castro. A recriação e reinvenção da receita tradicional do pão de ló de Coz foi para esta responsável uma oportunidade de inovar criando outro produto de qualidade e história. “É um bolo com maior validade, mais fácil de transportar e com um sabor mais tradicional onde leva mel e açúcar louro”.
As embalagens do pão de ló de Alfeizerão mudaram de imagem o que para a empresária foi “positivo e muito elogiado pelos clientes”. A nova criação foi desenhada pela empresa das Caldas “Minidesigners Studio”, composta por licenciados pela ESAD.CR que “fizeram um trabalho excelente”.
Associação Salvador pioneira em ações de angariação de fundos
O Torriense Tiago Duarte, responsável pela Comunicação e Angariação de Fundos da Associação Salvador, apresentou a instituição que faz este ano 15 anos e tem como missão a promoção e inclusão das pessoas com deficiência motora na sociedade e melhorar a sua qualidade de vida. Recorde-se que foi fundada por Salvador Mendes de Almeida (tetraplégico desde os 16 anos).
Segundo, Tiago Duarte os projetos da Associação Salvador, passam pelo conhecimento (manual para pessoas com deficiência motora e simpósio sobre lesões vertebro-medulares), integração (qualidade de vida, interação profissional, desporto e convívio) e sensibilização (em escolas, prevenção rodoviária e acessibilidades).
“Mais de metade das pessoas com deficiência motora estão desempregadas” o que para o orador convidado é injusto porque se tiver “um acidente e tiver que estar numa cadeira de rodas amanhã e venha falar com vocês, sou a mesma pessoa, a única diferença é que estou sentado”.
O responsável que foi a primeira pessoa no departamento financeiro falou do sucesso que tem tido no recrutamento de verbas revelando que em 2015, a Associação Salvador iniciou uma estratégia de profissionalizar o departamento de comunicação e angariação de fundos. Hoje coordena uma equipa de três pessoas e em fevereiro entrará mais um colega. “O orçamento era inferior a 400 mil euros revelou, Tiago Duarte revelando que hoje “têm um orçamento superior a 850 mil euros” e estimam crescer “para um milhão em 2018”. Foram pioneiros no leilão de cadeiras da TAP onde conseguiram 23 mil euros.
Através da ação de qualidade de vida, apoiam dezenas de pessoas com deficiência motora e carências financeiras em obras em casa (eliminação barreiras), desporto (compra de bicicletas adaptadas), apoio na formação profissional e criação de próprio negócio. Em 2016 ajudaram 33 pessoas e em 2017, apoiaram 70 pessoas. Em dez anos conseguiram ajudar 321 pessoas, muitas delas “mudaram a sua vida com o apoio”.
Tiago Duarte apresentou ainda o seu livro “1001 Maneiras de Angariar Fundos” para instituições.
Gonçalo Machado estuda em Inglaterra “Gestão de Artes Culinárias”
O caldense Gonçalo Machado, de 18 anos, que terminou no ano letivo 2016/2017 o curso de nível 4 de Técnicas de Cozinha e Pastelaria (TCP) na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO), ingressou em setembro na University College Birmingham, em Inglaterra, e está a frequentar o curso de “Culinary Arts Management” (Gestão de Artes Culinárias) o que lhe permite aceder a uma experiência extremamente enriquecedora no campo profissional e pessoal.
O jovem veio às jornadas dar o seu testemunho sobre a OK Estudante que o apoiou na sua ida para o Reino Unido e falar sobre a sua experiência em Inglaterra provocando bastante curiosidade entre os alunos que colocaram várias questões.
Perante uma plateia de cerca de 60 alunos, o caldense explicou que decidiu agarrar este grande desafio de tirar uma licenciatura no estrangeiro, porque viu no curso “uma grande oportunidade de prosseguir os meus estudos na área de cozinha pela qual tenho uma grande paixão, concretizando assim um grande sonho que tenho desde pequeno”.
Está em Birmingham desde setembro do ano passado e considera a universidade “espetacular “na área da cozinha, instalações e no conteúdo abordado em cada matéria”.
Falou das dificuldades que tem sentido na adaptação nomeadamente o choque cultural, a língua e aprender a viver sozinho. No entanto considera que tem aprendido com a “diversidade cultural” que encontrou na cidade e até mesmo na sua turma, que normalmente tem aulas com estudantes de dez nacionalidades diferentes, e outras em que são mais de vinte e cinco”.?Quanto às aulas sente-se bem preparado tecnicamente, pois tem tido a oportunidade de aplicar as bases culinárias, os seus conhecimentos e métodos de trabalho que aprendeu nas Caldas na EHTO.
Deixou a mensagem que o mais importante de tudo é “saber exatamente o que nos apaixona na vida”. “É na área da cozinha, como chef que me vejo a trabalhar daqui a 5, 10, 15 anos. Quero marcar a diferença através da criatividade, inovação, profissionalismo. Não quero ser mais um número”, disse, Gonçalo Machado, que pretende um dia ter o meu próprio restaurante, projeto cada vez “mais delineado em muitos pormenores”.
Em 2017 foram criadas 160 empresas por dia na área de turismo
“O turismo português está num ciclo de crescimento e não é apenas moda”, disse, Miguel Mendes do Turismo de Portugal. Segundo dados divulgados por este responsável, em 2017 foram criadas 160 empresas por dia na área de turismo. “O turismo liderou a criação de novas empresas. Durante os 12 meses do ano 2017, nasceram 40 326 novas empresas e a maioria operam na área do turismo”, revelou. Miguel Mendes referiu que o setor alojamento e restauração em 2017, ultrapassou o setor do retalho, que ocupava o segundo lugar em 2016, registando uma subida de 11, 3% de número de novas empresas. “Só o alojamento destinado a turismo representou mais de 75% de crescimento de novas empresas”, apontou, o colaborador do Turismo de Portugal, acrescentando que estes novos negócios “terão que surgir numa perspetiva competitiva face à oferta já existente”. Considera ainda que esta nova oferta que “se criou” vai dar resposta à atividade dos alunos da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.
Segundo, Miguel Mendes, apresenta-se cada vez mais como um destino que marca, devido à sua diversidade e oferta turística qualificada e diferenciada.
Diz que “o Turismo de Portugal tem trabalhado para consolidar a sua posição em vários segmentos” e hoje “estamos mais próximos de conseguir responder ao mercado de forma ágil e dinâmica”.
O orador convidado considera que os nossos recursos constituem elementos distintivos: “o património, a gastronomia, os grandes eventos internacionais, a animação, as infraestruturas, contribuem para que Portugal seja um destino turístico de excelência”.
Miguel Mendes referiu que o Governo português elegeu o turismo como uma das atividades estratégicas do país, na medida em que o mesmo se tem “revelado determinante para a promoção da coesão territorial e para a criação de emprego e riqueza”.
Por esse motivo, uma das prioridades do Governo é “o planeamento da atividade turística a longo prazo, sendo necessário para o efeito aprovar estratégias concertadas entre agentes públicos e privados”.
O convidado falou ainda dos programas de apoio ao empreendedorismo e inovação com vista a criar condições necessárias à incubação de startups e ao desenvolvimento de novas ideias associadas ao setor de turismo.





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