Lar no Nadadouro vai ser construído sem apoio do Estado

Francisco Gomes

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Foi lançada a primeira pedra da obra de ampliação para a valência de lar do Centro de Apoio Social do Nadadouro. Esta instituição particular de solidariedade social, que desde 2009 desenvolve as valências de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, lança-se agora naquele que é um objetivo desde sempre: a construção do lar, que terá capacidade para 30 utentes. A administração central não deu verbas para a construção. Trata-se de um investimento de um milhão de euros, comparticipado 35% até 400 mil euros pela Câmara. O restante é da responsabilidade da instituição que, no entanto, tem contado com o apoio da população local, que se tem desdobrado em iniciativas para angariar fundos. O terreno onde está implantado o Centro foi cedido pela freguesa Maria de Lurdes Gonçalo.
Colocação da primeira pedra, após bênção pelo pároco local

O Centro de Apoio Social do Nadadouro lançou no passado domingo a primeira pedra da obra de ampliação para a valência de lar.

O presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha não escondeu a sua “revolta”, pelo facto da obra que vai nascer no Nadadouro não ter apoio da administração central nem sequer para já estar assegurada a comparticipação para acolher os utentes – só depois do lar estar a funcionar – o que no seu entender, a continuar assim, “faz com que só os que têm posses e dinheiro para pagar é que podem usufruir das instalações”.

“Chocam-me as regras que existem. Primeiro tem que a obra estar feita e os utentes estarem lá a usar o espaço, e só depois é que se podem candidatar para obter as comparticipações”, lamentou Tinta Ferreira.

“Tem de haver comparticipação logo à cabeça, para os que têm mais dificuldades não fiquem para trás”, vincou.

Em relação à construção, trata-se de um investimento de um milhão e 34 mil euros. O edil fez notar que “esta é uma área, em primeiro lugar, da responsabilidade da administração central, mas quando vemos alguma dificuldade da administração central decidimos alargar o apoio de 25% para 35% do valor da obra. Podemos ir até aos 400 mil euros, não ultrapassando os 35%”.

Se houver hipótese de candidatar a obra a fundos comunitários, será incluída na lista a concurso, assegurou.

O restante caberá então à instituição, que tem de contar com empréstimos bancários e o apoio da população local, que se tem desdobrado em iniciativas para angariar fundos e donativos. O terreno foi cedido pela freguesa Maria de Lurdes Gonçalo.

Esta instituição particular de solidariedade social desde 2009 desenvolve as valências de Centro de Dia (capacidade para 30 pessoas, atualmente com 19), Serviço de Apoio Domiciliário (completo com 42 utentes), para além de Cantina Social e fornecimento de refeições ao Jardim de Infância e Escola Básica do Nadadouro. Lança-se agora naquele que é um objetivo desde sempre: a construção do lar, que terá capacidade para 30 utentes (três quartos simples, nove duplos e três triplos).

Tinta Ferreira recordou que o edifício do Centro de Apoio Social e as suas atuais valências são fruto de “um grande investimento” da instituição, sem que tivessem contado com apoios comunitários. “O presidente da junta na altura negociou com o meu antecessor prescindir de um conjunto de obras que eram habituais, a nível de asfaltamentos, para poder ter um reforço da verba para a construção, e assim terá investido o município mais de 200 mil euros”.

Fez ainda notar que “a esperança de vida aumentará durante muitos anos”, daí a necessidade de “estruturas com capacidade para acolher com dignidade e conforto as pessoas que precisam”.

Alice Gesteiro, presidente da junta de freguesia do Nadadouro e presidente do Centro de Apoio Social, lembrou que há catorze anos foi assinada a escritura de constitução da instituição.

Revelou que Maria de Lurdes Gonçalo, a benemérita que doou o terreno, está no Canadá, quis se fizesse “uma grande obra para toda a freguesia e para a população à volta”. “A única condição que tinha colocado foi que tivesse um quarto para ela ou para o irmão. Ela não virá para cá e o irmão já faleceu, mas ela acabou por nos doar o resto da propriedade”, indicou a autarca, que realçou ainda que só com apoio da Câmara e da população é que se conseguiu construir o que já existe no Centro de Apoio Social.

A presidente da junta espera continuar a contar com o apoio da população e inclusive dos emigrantes, para inaugurar a obra.

Lalanda Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, declarou que se trata de uma freguesia “unida e que luta pelos seus interesses e só assim é que foi possível fazer uma série de obras no Nadadouro”.

“É uma freguesia onde cada vez há mais pessoas a viverem e com vontade de virem para aqui. Vai ser um desafio para a população porque não há apoio estatal, pelo que a criatividade vai ser posta à prova” para tornar realidade uma obra que procura “dar uma boa qualidade de vida a quem para aqui vier quando já não tiver possibilidade de ficar nas suas casas”.

Segundo apontou, “é importante que seja na própria freguesia. Veem a paisagem a que estão habituados. É aqui que a família e amigos podem visitá-los com maior facilidade”.

Centro de Apoio Social emprega 20 funcionários

“Somos uma instituição que emprega já 20 funcionários em apoio das valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário e mais três, em tempo parcial, em apoio ao fornecimento das refeições ao Jardim e à Escola”, sublinhou Luís Pereira, vice-presidente do Centro de Apoio Social.

“A instituição tinha este anseio antigo de poder proporcionar um espaço para as pessoas que já não reúnem as condições de permanecer em suas casas, anseio esse partilhado por grande parte da população, para tal desenvolveu-se um projeto para a construção de tal espaço em ampliação das instalações que já possuía, candidatou-se esse projeto a fundos de apoio, mas infelizmente não fomos contemplados, no entanto, a vontade não esmoreceu e continuámos a lutar em prol do mesmo. Em 2014 decidimos avançar, mesmo sem apoios estatais, reformulámos o projeto de arquitetura, uma vez que a legislação tinha entretanto mudado e era possível reduzir o custo da construção, e submetemo-lo a aprovação, a qual não teve problemas mas foi morosa por causa do rol de entidades envolvidas num processo deste tipo”, descreveu.

A Câmara Municipal auxiliou no processo de concurso público e após análise das propostas submetidas, foi escolhida a empresa JCGI – Engenharia e Construções, Lda., que esteve representada pelo autor do projeto de arquitectura, Pereira da Silva.

O prazo de construção é de dezoito meses, esperando-se que no primeiro semestre de 2019 será inaugurada.

Este é o décimo espaço residencial para idosos promovido por uma instituição particular de solidariedade social do concelho. Existem outros três na cidade (Montepio, Misericórdia e Centro Social Paroquial), em Salir de Matos, Santa Catarina, A-dos-Francos, Alvorninha, Foz do Arelho e Serra do Bouro. Em cada uma das antigas dezasseis freguesias há uma entidade social a promover atividades para crianças e idosos.

A diretora do centro distrital de Leiria do Instituto de Segurança Social, Maria do Céu Mendes, felicitou os dirigentes da instituição pelo trabalho que têm feito ao longo dos catorze anos e também a Câmara por ter “uma rede de cobertura de respostas sociais bastante razoável no concelho”.

“Há quinze dias estive na inauguração do lar de Alvorninha, em que a Câmara participa numa parte significativa da obra, o que mostra a sensibilidade social da autarquia”, elogiou a responsável, adiantando “nos últimos dez anos nas Caldas foram construídos muitos equipamentos também com financiamento público”.

Sobre as questões de comparticipação – acordos de cooperação com os utentes – “em tempo oportuno analisaremos”, comentou. O presidente da Câmara pediu à diretora para transmitir superiormente a sua insatisfação.

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