O britânico, que desde a década de 80 tem desenvolvido o conceito de Cidade Criativa, foi o convidado do projeto Silos – Contentor Criativo, instalado na antiga fábrica de moagem Ceres, onde antes da visita à cidade deu uma palestra sobre o papel da criatividade “no sucesso das cidades” e na resolução dos problemas atuais.
No final e questionado pela imprensa sobre o que acha das Caldas da Rainha, Charles Landry disse que “não é a cidade mais bonita do mundo, mas isso dá-lhe potencial criativo para se tornar mais interessante”.
O especialista em criatividade urbana, que esteve em Óbidos no domingo onde participou no Folio, deu o exemplo daquela vila, que “é muito atrativa e perfeita e um local que as pessoas não querem mudar”. Mas nas Caldas defendeu que pode-se “criar e fazer mais”, sugerindo que “possa ser uma incubadora da região onde as ideias se realizam”.
Sustentou também que “é preciso que os jovens sintam que a cidade lhe dá oportunidade de seguir os seus sonhos”, ou seja, que seja um território “que se questione, aberto a novas ideias e projetos e onde as coisas aconteçam”. Também apontou o fator económico, uma vez que “Lisboa tem um custo de vida mais elevado que nas Caldas”.
Quanto ao projeto Silos – Contentor Criativo, que acolhe ateliers “low-cost” para projetos artísticos, apontou como “um exemplo de como a abertura à criatividade pode transformar as cidades”. Elogiou a dedicação de Nicola Henriques, mas alertou que “uma pessoa só não faz uma cidade, é preciso arranjar forma de trabalhar com mais pessoas”.
Na palestra, Charles Landry sublinhou a importância da “participação cívica” na gestão das cidades e na identificação das marcas identitárias a desenvolver.
Como podem cidades mais pequenas como Caldas da Rainha lidar com os desafios da economia global e como podem ganhar mais importância? Num mundo em que cada vez há mais mobilidade é preciso “trabalhar em rede”, defendendo cidades mais “atraentes e vibrantes”. Para o especialista a “criatividade tem como principal objetivo a resolução de problemas e a criação de oportunidades”.
No caso das Caldas da Rainha, o autor admitiu que um dos caminhos possa ser o relançamento do termalismo, no qual se encontra a recuperação dos pavilhões do Parque D. Carlos I e a sua transformação num hotel de cinco estrelas.
Mas nesse campo, alertou, “a cidade tem que se preparar para um aumento do turismo” e implementar soluções imaginativas para “não sofrer os aspetos negativos do turismo de massas”, contestado em várias cidades do mundo.
A presença de Charles Landry nas Caldas da Rainha está enquadrada num conjunto de ações dedicadas ao tema ‘Fazer Cidade’, desenvolvidas pela Associação Destino Caldas/Projeto Silos Contentor Criativo. A iniciativa decorreu no seguimento da parceria estabelecida entre os SILOS Contentor Criativo e a recém-formada associação Build The City, que desde o início do ano tem estado a trabalhar com Charles Landry.
O objetivo da associação é “alargar o trabalho que tem sido feito com Charles Landry, que identificou uma série de questões para abordar na cidade de Lisboa e que agora gostávamos de alargar a outras cidades do país”, disse Duarte de Lima Mayer, da associação.
Charles Landry criou o conceito de Cidade Criativa no final dos anos 80 e o trabalho que desenvolve centra-se no modo como as cidades criam e desenvolvem condições para que pessoas e organizações possam pensar, planear e agir com imaginação a resolução de problemas e criação de soluções e oportunidades.
Foi consultor de centenas de projectos de interesse público e privado, dinamizando conferências e workshops em 65 países. É também o mentor mais de 500 projetos desenvolvidos em cidades de todo o mundo e de mais de 200 publicações.







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