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Catarina Martins, coordenadora do BE, visitou Caldas e Óbidos

Líder do Bloco considerou que “está dado o primeiro passo para se fazer justiça” aos precários do CHO

Mariana Martinho

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A caravana das eleições autárquicas da coordenadora do BE, Catarina Martins, esteve na manhã da passada segunda-feira no Centro Hospitalar do Oeste (CHO), onde apontou as dificuldades de resposta da unidade hospitalar aos utentes, bem como a “necessidade urgentemente de investimento num novo hospital”. Após a visita ao CHO, a líder bloquista deslocou-se a Óbidos, onde ouviu as queixas dos eleitores sobre a degradação do património, as habitações vazias, turismo desregulado e as constantes roturas no saneamento.
Reunião com o Conselho de Administração do CHO

A coordenadora do BE, que anda a visitar todos os distritos e as regiões autónomas até às autárquicas de outubro, esteve nas Caldas da Rainha, acompanhada pelo cabeça de lista à Câmara, Lino Romão, pelo deputado do BE na Assembleia da República, Heitor de Sousa, e por outros candidatos bloquistas, tendo visitado o serviço de urgências do hospital.

A líder do partido bloquista começou por assinalar o parecer positivo dado pela Comissão de Avaliação Bipartida aos “trabalhadores que estão em regime de outsourcing, alguns dos quais há vinte anos, e que viram reconhecida a sua situação, podendo ser incluídos no programa extraordinário de vinculação de precários da administração pública”.

“Foi uma luta muito grande destes trabalhadores para a sua situação ser reconhecida”, frisou Catarina Martins, sublinhando que assim “está dado o primeiro passo para se fazer justiça a quem aqui trabalha há 20 anos”.

Recordou que o partido “deu voz e fez o compromisso de levar o mais longe possível esta questão, fazendo com que o outsourcing fosse considerado como precários da Administração do Estado”.

Segundo a líder do Bloco, “a precariedade faz com que o serviço funcione sempre pior e se resolvermos esta situação, será também um acréscimo de qualidade na capacidade de serviço do CHO”.

Para a dirigente, é “essencial que o nosso país comece a ser um pouco mais decente, respeitando os direitos de quem trabalha e de quem faz também o Serviço Nacional de Saúde todos os dias”.

Além da temática dos precários, recordou a “necessidade de urgentemente de investimento num hospital novo no Oeste”.

De acordo com a coordenadora, o “CHO tem muitos problemas, que são iguais a todo o Serviço Nacional de Saúde, e isso preocupa-nos muito”. Mas também adiantou que “vem ai um novo quadro comunitário e é preciso discutir os investimentos e julgo que um novo hospital é essencial”.

O investimento em novas infraestruturas “deve ser acompanhado” pelo reforço dos cuidados primários e continuados, incluindo serviço de atendimento permanente ao nível dos cuidados primários, de modo a aumentar a capacidade das populações aos cuidados médicos de proximidade”. Explicou também que a rede hospitalar “deve ser pensada com uma rede de cuidados primários e continuados”.

Relativamente às obras previstas no imediato para o serviço de urgências do CHO, a líder frisou que “não retira a necessidade de haver um novo hospital”, pois “a resposta que existe é insuficiente do ponto de vista das valências”. “Essas obras são precisas quanto antes, mas sem desistir de um novo hospital que esta região precisa tanto”, disse Catarina Martins, que também prestou declarações sobre o desagravamento fiscal para todos os escalões do IRS, e o anúncio de Mário Centeno de que no final do ano Portugal vai ter “a maior redução em 19 anos da dívida pública em percentagem do PIB”.

De acordo com Carla Jorge, porta-voz do Movimento Precários, “um ano depois da nossa luta, é uma boa notícia”, que aguarda pelo mês de janeiro, momento em que se desencadeará o processo de integração nos quadros e os respetivos concursos, esperando que “até março estejamos todos no quadro do hospital”.

“Óbidos é uma vila museu, que está a tornar-se um parque temático”

Após a visita ao Hospital das Caldas, Catarina Martins e o resto da comitiva deslocou-se até Óbidos. Acompanhada do candidato à Câmara Municipal, José Paulo Cardoso, ouviu as queixas dos comerciantes sobre a degradação do património, a ocupação da calçada pelo comércio, a desregulação do turismo e as constantes roturas de saneamento.

No final da visita à rua direita e às muralhas do castelo, a porta-voz do BE respondeu às questões dos jornalistas, onde frisou que “Óbidos é uma vila museu, que está a deixar de ser vila e de ser museu, para tornar-se um parque temático”.

Na sua opinião, o problema é que “a pressão turística e as más opções autárquicas estão a pôr em causa tanto a vila como o museu”.

Para Catarina Martins, “não tem de haver uma oposição entre o turismo e as comunidades, na verdade se não houver regulação do turismo mata-se as comunidades e o turismo, e Óbidos é um exemplo disso mesmo”.

Outro aspeto é a falta de um centro interpretativo, onde concentre todo o património histórico da vila e “não em eventos, transformando a vila numa espécie de parque temático”.

Sobre as queixas de roturas do saneamento e a degradação do património, a dirigente sublinhou que são “pontos que põem em causa o que é Óbidos”, frisando que “para que haja uma sobrevivência económica de Óbidos é preciso tratar as questões como o saneamento e agua”.

A coordenadora do BE também afirmou que é “chocante este conhecimento de que há casas que foram compradas pela autarquia e que quase ninguém vive em Óbidos”,

Relativamente à precariedade, Catarina Martins sublinhou que “Óbidos tem uma empresa municipal que faz os eventos e contrata as pessoas com falsos recibos verdes ou atos únicos, que é uma fraude. A autarquia está a dar o exemplo de que vale tudo do ponto de vista da selva laboral e é preciso atuar”.

“É preciso tratar do trabalho precário, compromisso que as autarquias têm de dar o exemplo nos direitos de quem trabalha e finalmente não deixar ninguém para trás”, concluiu.

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