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Assembleia Municipal das Caldas da Rainha

Rol de queixas sobre os autocarros da Rápida Verde

Francisco Gomes

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A Rápida Verde, autocarro que liga Caldas da Rainha a Lisboa (Campo Grande) e vice-versa, é motivo de grande contestação dos utentes, que têm no Facebook uma página de utilizadores onde são relatadas imensas queixas. O grupo, que pode dar origem a uma comissão de passageiros, tem à cabeça Conceição Henriques, que foi à última reunião da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, no passado dia 12, expor as reclamações e pedir o apoio e intervenção dos deputados e da Câmara.
Conceição Henriques abordou a situação da Rápida Verde

As más condições dos autocarros, incluindo “barulho ensurdecedor do motor e bancos estragados em que não dá para endireitar as costas e assentos sem conforto”, a ausência de ar condicionado, a irregularidade do serviço (motivada por não comparência ou atrasos de meia-hora, avarias a meio do caminho, falta de combustível) e inexistência de internet sem fios, originaram a intervenção de Conceição Henriques na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha. “Falta de limpeza e cheiro nauseabundo nos autocarros”, até um autocarro ter ficado parado na autoestrada sem combustível, quando saía de Lisboa constam de uma resenha de desabafos, em que se fica a conhecer, por exemplo, que de maio até agora, houve vários horários em que o autocarro não compareceu, outras avariou, várias vezes apareceu sem lugar para os passageiros. Noutro caso há indicação de terem aparecido baratas a descer do ar condicionado, o que a Rodoviária do Oeste (RO) rejeita.

Todas estas situações foram relatadas na Assembleia Municipal, na expectativa de uma intervenção junto da RO.

Manuel Nunes, do PS, considera que a solução passa por a Câmara “rapidamente entrar em contato com a RO e ver o que se passa”.

Para Vítor Fernandes, da CDU, o serviço rodoviário “é cada vez pior, porque como está sozinha no terreno faz o que quer e o que lhe apetece”. “A Câmara tem de reunir com a administração da RO e pedir responsabilidades”, sustentou.

João Diniz, do CDS-PP, entende ser “fundamental que a Câmara tome em mãos este assunto estratégico”.

Pedro Marques, do PSD, disse esperar que a Câmara “faça um esforço junto da RO” e pediu também a Manuel Nunes que “não se esqueça de falar com o ministro dos transportes e com a geringonça”.

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, frisou que “é importante que a ligação seja com conforto e rapidez, e compete à entidade concessionária fazer a avaliação do serviço e retirara concessão se não foi cumprido adequadamente”. Assegurou que irá intervir junto da empresa para melhorar o serviço.

Faltam obras na Quinta do Pinheiro Manso

Marcos Costa foi à assembleia municipal falar da urbanização da Quinta do Pinheiro Manso, nomeadamente da “falta de limpeza e de serviços de jardinagem”.

Apontou ter enviado em maio à Câmara um mail a solicitar “limpeza de ruas e passeios, manutenção de espaços verdes, arranjo do sistema de rega dos espaços verdes, conclusão das obras do parque infantil, notificação dos proprietários de lotes ainda sem construções para fazerem limpezas, colocação de tampas em falta em caixas de saneamento, de eletricidade e telecomunicações, rebaixamento de passeios nos acessos a alguns prédios e garagens e junto a passadeiras”.

Em junho recebeu resposta da Câmara de que foi mandado executar, mas até agora apenas alguns problemas foram resolvidos.

“Quando vão ser agendados?”, questionou. “E a construção do passeio que vai do Bairro das Morenas até à urbanização?”, prosseguiu.

Outro problema é o parque infantil.

Manuel Nunes não tem dúvidas: “A Câmara e a junta [União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro] devem providenciar para seja resolvido”.

João Diniz manifestou “solidariedade” com os moradores na zona e Tinta Ferreira admitiu que houve problemas com a limpeza, devido a “baixas e saídas” de recursos humanos. “Estamos em concurso para contratar mais”, revelou. Em relação ao rebaixamento de passeios, afirmou que está ser desenvolvido um plano de acessibilidades.

Pombal contracetivo pode não ser construído

A munícipe Helena Carvalho sublinhou a existência de muitos pombos na cidade. “Fiquei com a roupa suja estendida na varanda e a carpete toda estragada”, lamentou, indicando que também gaivotas fazem ninho em cima dos telhados. “Para além do perigo para a saúde pública, tem de ser controlada”, reclamou.

Manuel Nunes recordou que a assembleia aprovou um pombal contracetivo. “Pergunte ao presidente [da Câmara] quando é que o implementa”, desafiou.

Tinta Ferreira explicou que não se compromete a construir “sem saber o custo”. E depois tem de ponderar os custos de manutenção. Chamou a atenção para as pessoas não darem de comer aos pombos.

Ruído na Praça 5 de outubro

O barulho nos bares na Praça 5 de outubro voltou a ser tema de conversa na assembleia municipal, com o morador Miguel Costa a recordar que no dia 11 de abril foi apresentada uma intervenção em que 56 pessoas que vivem ou são proprietários de casas na praça subscreveram um abaixo-assinado reclamando o direito de descanso, segurança e limpeza do local.

Na altura foi manifestado pelo presidente da Câmara que a autarquia estava a estudar o horário de funcionamento das esplanadas, iria usar os gratificados da PSP para reforçar a segurança e contratar serviços externos para garantir a limpeza da praça e ruas adjacentes após o fecho dos bares.

Segundo Miguel Costa, a Praça 5 de outubro “continua a ter esplanadas a funcionar até às três da manhã e bares até às seis, o ruído continua a perturbar o descanso das pessoas, há gritos na via pública, cenas de pessoas alcoolizadas, cheiro fétido de vómito e urina, e não existe vigilância”. Em suma, “nada mudou para melhor passados cinco meses”.

“Estamos cansados de tratar estes assuntos. Para o PS devia-se cumprir a lei do ruído, das 23h às 7h. A proposta do PS na altura foi que houvesse reunião entre os diversos intervenientes na Praça e a Câmara para ver como se resolve”, comentou Manuel Nunes.

Vítor Fernandes realçou que “há interesses distintos, entre as pessoas que vivem e trabalham ali”. João Diniz defendeu “a necessidade de conciliar interesses antagónicos – o direito ao descanso e fruição dos espaços públicos da cidade”.

Pedro Marques adiantou que “os bares chegaram a um acordo, que foi não funcionarem ao domingo”. “Em relação à limpeza tem sido feita com mais frequência”, indicou. “O problema é a falta de policiamento, que não passa nos dias mais fortes na praça, que neste momento é à quinta-feira. A Câmara tem de falar com a PSP para policiamento mais efetivo, porque o problema não é nos bares, é as pessoas estarem fora na conversa, é um problema de ordem pública”, referiu.

Defendeu, no entanto, que “o barulho está mais reduzido e pouca gente se queixa”. Sobre o abaixo-assinado declarou que “a maior parte [dos que assinaram] não mora lá”.

Tinta Ferreira disse que iria recomendar à PSP uma maior atenção à Praça 5 de outubro, mas quanto ao ruído nos bares já foi tomada a medida de adoção de sonómetros nos estabelecimentos para medir o ruído.

A reunião foi aproveitada para os deputados se despedirem, dado tratar-se da última reunião antes das eleições autárquicas, fazendo também balanço dos seus desempenhos e da restante assembleia.

Francisco Gomes

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