As questões foram as seguintes:
1. Como vê o estado atual do concelho?
2. Caso vença as eleições quais são as suas principais prioridades?
3. Acredita no desenvolvimento do concelho? De que forma é que esse desenvolvimento pode ser uma realidade?
4. Como analisa os seus adversários eleitorais?
David Santos – PS
1. Os cadavalenses não podem esperar mais um dia, pelo atraso face aos nossos vizinhos, no número de pessoas com ensino secundário e licenciadas, no abandono escolar precoce, no poder de compra (apenas 75% da média nacional), nos problemas da saúde, no envelhecimento da população, pela falta de estratégia da Câmara e pela forma pouco transparente como esta trata os seus munícipes (no índice de transparência da TIAC (Transparência e Integridade, Associação Cívica) em 4 anos descemos mais de 60 lugares, para 300 em 308 concelhos).
2. Temos de tratar bem quem tratou bem de nós, e não só com festas, mas com serviços de proximidade com impacto real na vida das pessoas. Teremos um programa para quem tem mais de 65 anos. A educação será prioridade, o pré-escolar, o combate ao abandono escolar precoce, e o fomento da ciência, tecnologia e da prática desportiva das crianças e jovens. E é prioridade a saúde. Fixar os médicos é essencial. Estas são as prioridades urgentes.
3. Naturalmente que sim. Sabemos das dificuldades, mas também sabemos o bom e a excelência que temos, os conhecimentos, as nossas gentes, o nosso labor e empenho, a nossa Terra, a nossa Serra. Podemos atrair, com inteligência, pessoas que repovoem as aldeias, que procurem um espaço tranquilo para viver, e aqui criem os negócios virados para o mundo.
Temos de dinamizar energias para criar indústrias transformadoras de fruta, criar uma rede que potencie o concelho como marca, que junte o vinho, o pão, as frutas, o mel e os produtos regionais, a floresta, a serra, o turismo e o ambiente, valorizando as gentes que os produzem e o que temos.
4. Considero a pessoalização na política demasiado redutora e nefasta, ao contrário do que se faz crer no Cadaval. Tratamos do bem comum, não do bem individual, e uma pessoa sozinha não move montanhas, em especial se não souber motivar e dinamizar os outros para fazer diferente. E o Cadaval necessita muito que façamos diferente. Por isso, fazemos questão de apresentar equipas e não pessoas. Todos somos importantes para construir um futuro mais risonho, seja quem quer vencer, seja quem tradicionalmente se apresenta para criticar. Estou seguro que todos os adversários se mobilizarão para o que o Cadaval necessita. Em democracia ninguém é dono do voto dos eleitores. A partir de dia 2 todos teremos de demonstrar que merecemos a confiança que em nós for depositada.
Joana Pereira – CDS-PP
1. Atualmente, olho para o estado do meu concelho e devo admitir que as observações que faço não são, na sua maioria, positivas. É certo que temos uma forte economia agrícola que nos traz inúmeras mais valias, mas a verdade é que isso não chega para que se possa afirmar que o nosso concelho oferece qualidade de vida de excelência à sua população.
Os jovens do nosso concelho olham para o Cadaval, nos dias de hoje, como um concelho que não evolui, que está estagnado e que não oferece quaisquer oportunidades e perspetivas de futuro. No meu dia a dia falo com muitos jovens, que me confidenciam o seu gosto pela nossa terra. A nossa geração tem orgulho no Cadaval, quer construir família no Cadaval, encontrar emprego e fixar-se por cá, mas não tem qualquer hipótese de ver isto realizado com sucesso. Muitos de nós saem do concelho para estudar e acabam por não regressar.
Para além da falta de empregabilidade, acho importante referir que o Cadaval apresenta uma rede de transportes públicos que é insuficiente. Os transportes existentes não satisfazem as necessidades da população e, analisando a situação, a verdade é que estamos situados bastante perto de Torres Vedras ou Lisboa, mas em caso de necessidade de deslocação a estas cidades utilizando a rede de transportes existente, vai parecer-nos que habitamos numa localidade situada muito mais longe. Esta realidade não é aceitável, sobretudo para aqueles que não têm outra forma de deslocação.
2. As prioridades para o concelho do Cadaval prendem-se com a melhoria da qualidade de vida da população e atração de novos habitantes, criando condições para que os nossos jovens cá possam permanecer.
A melhoria do aproveitamento escolar é um aspeto fundamental do nosso programa e algo que encaro com grande seriedade; a educação é a base para toda a vida futura e há que garantir as melhores oportunidades às nossas crianças e jovens.
Pretendo aumentar a empregabilidade e incentivar o investimento no concelho, bem como dinamizar a cultura e o desporto. Devo realçar que pretendo fazer com que os jovens se sintam ouvidos no Cadaval, e com condições para cá ficarem, para que de cá não precisem de sair.
3. Acredito verdadeiramente no desenvolvimento do nosso concelho. Não é um percurso que leve a resultados imediatos, mas penso que passa por voltar a levar o comércio e serviços ao centro da vila, bem como pela valorização da juventude.
4. São adversários fortes e competentes. Todos apresentam medidas que contribuirão positivamente para o desenvolvimento do Cadaval. Penso que qualquer que seja o vencedor, exercerá um trabalho capaz e de responsabilidade.
Ricardo Miguel – CDU
1. O Cadaval é um concelho rural, com um património rural valioso mas que considero adormecido. Precisa de um “abanão” para trilhar os caminhos do desenvolvimento. Ao longo dos anos, PS e PSD tem dividido entre si o poder municipal em sucessivos mandatos, ora no poder ora na oposição. Lutamos pela presidência da Câmara Municipal, porque sabemos que poderemos fazer melhor mas aceitaremos ser oposição, cumprindo o mandato assumindo uma posição crítica e construtiva.
2. A curto prazo, daremos prioridade à revisão da fatura da água, redução da taxa do IMI, plano de lavagem dos contentores, pintura das linhas nas estradas recentemente bem como arranjo de valetas e passeios. A nível central, exigir mais médicos e enfermeiros para o novo centro de saúde de modo a melhorar os serviços prestados à população.
A médio prazo, reunir com todos as autarcas eleitos e definir um plano estratégico para quatro anos, envolvendo os trabalhadores do Município. Esse plano será depois apresentado à população para receber os seus contributos e será implementado para melhorar a qualidade de vida da população com soluções partilhadas por todos.
3. O Cadaval tem potencialidades e recursos para se afirmar e desenvolver, devendo apostar nos seus recursos naturais. Ao longo dos anos, não têm sido definida uma estratégia coerente, avançando com uma política de medidas avulso, que não resolve os problemas.
É também necessário envolver a população na reivindicação perante o poder central. Os sucessivos governos têm tratado mal o Concelho e só com o envolvimento da população conseguiremos mais para o concelho.
A CDU considera que o Cadaval deve apostar nos setores económicos da agricultura e turismo, apostando na criação de emprego com incentivos à indústria transformadora e divulgação do concelho através de várias medidas como afirmar o Cadaval como a Capital da Pera Rocha; criar o Museu do Vinho e do Mundo Rural; apoiar a criação de produtos (artesanato, doçaria, etc) com a marca Cadaval; criar novas placas de Boas Vindas nas entradas do concelho para dar visibilidade ao Cadaval; criar uma campanha publicitária sob o lema “É Bom Viver no Cadaval!” e criar uma campanha de divulgação da Serra de Montejunto.
4. Essa é uma questão que em rigor não consigo responder em relação aos candidatos do PS e CDS. O candidato do PS não tem ligação ao Cadaval, veio de Torres Vedras e não lhe conheço intervenção nem em associações nem órgãos autárquicos no concelho. A candidata do CDS não tem intervenção pública, nunca lhe ouvi nenhum pensamento sobre o concelho ou sobre política pelo que não tenho opinião. O candidato do PSD tem responsabilidades na situação atual, em resultado de ser presidente durante os últimos quatro anos mas também vice-presidente durante seis anos dos anteriores mandatos.
José Bernardo Nunes – PSD
1. O concelho do Cadaval tem vindo ao longo do tempo a acompanhar a evolução da região onde se insere, o Oeste, e do país, tendo aproveitado todas as oportunidades que os sucessivos quadros comunitários de apoio têm permitido, dentro da sua realidade orçamental. Coisas que há pouco mais de vinte anos eram uma grande preocupação, como o fornecimento de água regular e de qualidade às populações, o tratamento dos esgotos ou a recolha do lixo, são hoje matérias resolvidas na sua generalidade. No que respeita a infraestruturas públicas, que dependem da iniciativa da autarquia, estamos servidos de praticamente tudo, desde piscina municipal, biblioteca, pavilhão desportivo, pavilhão para eventos, campo da feira, vias de comunicação em condições, estabelecimentos de ensino todos renovados, estamos agora a concluir o que faltava intervencionar no Painho e que estará concluído ainda este ano.
O Canil Municipal que tanta falta faz, já tem projeto, em parceria com o Bombarral, e está também agora a encaminhar-se para ser uma realidade, tal como o novo Centro de Saúde cuja obra está em curso e que ficará concluída durante o próximo ano.
Depois há ainda uma série de intervenções programadas, mas que dependem da existência de financiamento comunitário, pelo que estamos aguardar a abertura de candidaturas para o efeito. Esta é a perspetiva que tenho do que depende da iniciativa da autarquia, quanto à atividade económica, que não depende diretamente da autarquia, temos empresas e cooperativas sólidas que permitem manter um nível de desemprego baixo, o que tem um impacto social positivo. Em termos sociais existem sempre aspetos a melhorar, para os quais estamos a preparar respostas, como é o caso do insucesso escolar para o qual já apresentámos uma candidatura intermunicipal.
2. As prioridades continuam a ser as mesmas que estabeleci para este mandato que agora termina. Aproveitar todas as oportunidades de financiamento para executar as obras que consideramos essenciais, sem aumentar a divida da câmara (que está exatamente igual aquela que encontrei em 2013 e que é uma das mais confortáveis da região) e sem aumentar os impostos municipais e, até voltar a baixá-los como já fiz. A aposta na educação continuará a estar entre as principais prioridades.
3. Claro que acredito no desenvolvimento do meu concelho, aliás, estou convicto que contribuo diariamente para que esse desenvolvimento seja efetivo e uma realidade. Esse desenvolvimento faz-se com as pessoas, com as que cá estão e cá trabalham e investem, e com aquelas que conseguirmos atrair a confiança para cá investir. É nisso que estou empenhado.
4. Estou em crer que todos, tal como eu, querem o melhor para o Cadaval dentro de cada uma das visões que têm para o concelho, a análise será feita pelos eleitores no próximo dia 1 de outubro.



0 Comentários