Na cerimónia de inauguração esteve presente o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, convite que foi endereçado pela organização “no sentido de o aproximarmos mais à nossa realidade, sabendo contudo que ele já nos é próximo”, sendo “o parceiro ideal para lutar ao nosso lado, nesta matéria, por uma estrutura de acesso aos fundos comunitários, que permita entre muitos projetos estruturantes, constituir as rotas do vinho da Europa e trabalhar o enoturismo com todos os parceiros europeus”, disse José Manuel Vieira, presidente do Município de Bombarral.
Tendo em conta que estes são os certames mais emblemáticos do Bombarral, os mesmos “contribuem para a promoção sócio-económica e turística do concelho” e são o garante do “crescimento económico e da competitividade e empreendedorismo que no nosso concelho são uma feliz realidade que se reflete num eficaz equilíbrio dos índices de desemprego”, salientou José Manuel Vieira.
Para o edil bombarralense, estes certames já têm “dimensão nacional e projeção internacional”, acabando por ser o local ideal para a mostra das “principais ofertas, gastronómicas e culturais do concelho, a par dos produtos inovadores e das atividades económicas de maior repercussão na região e no país”.
Concurso de vinhos é uma das ações marcantes dos certames
Como sempre acontece, o Festival do Vinho Português promove o concurso de vinhos. Este ano quem mais prémios recebeu foram duas entidades do concelho do Bombarral, mais concretamente, a Companhia Agrícola do Sanguinhal (3º prémio Sottal branco 2016 vinho leve; 2º prémio Cerejeiras selecionado 2016 vinho branco e 2º prémio Quinta de São Francisco 2015 vinho tinto) e Quinta da Várzea da Pedra (1º prémio Quinta da Várzea da Pedra Reserva 2015 vinho branco; 2º prémio Quinta da Várzea da Pedra Fernão Pires 2015 vinho branco e 3º prémio Quinta da Várzea da Pedra 2015 vinho branco). Com dois prémios surgiram as empresas Nuno da Franca Ribeiro e Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões e com um prémio a Casa Agrícola Horácio Nicolau, Adega Cooperativa da Vermelha, Adega Cooperativa da Labrugeira, João Pedro Machado Duarte, Adega Cooperativa de Dois Portos, Fazendas da Estremadura e Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa.
Para Tomás Emídio da Quinta da Várzea da Pedra, “o melhor reconhecimento que podemos ter é ver e perceber o feed back das pessoas. Sentimos que estamos a ser acarinhados pelo trabalho que fazemos, o que nos dá uma enorme alegria e vontade de continuar”. Com uma produção de 21600 garrafas os responsáveis da Quinta da Várzea da Pedra querem entrar no mercado a pouco e pouco. “Queremos que a qualidade se sobreponha à quantidade. Não é nossa intenção produzir milhões de litros de vinho descurando a qualidade. Pretendemos entrar no mercado nacional e começar a exportar mas sempre com calma”, disse-nos Tomás Emídio.
Por outro lado Horácio Nicolau da Casa Agrícola Horácio Nicolau é de opinião que o prémio conquistado “é muito importante. É o sinal que somos considerados pelo trabalho que efetuamos”. Nesta altura a produção é dirigida para o mercado interno embora já estejam a exportar mas em pouca quantidade.
Jornadas técnicas marcaram presença
O programa do Festival do Vinho Português e da Feira Nacional da Pera Rocha integrou as jornadas técnicas em torno da pera rocha e do vinho. No dia 9 de agosto realizou-se no Auditório da Caixa de Crédito Agrícola do Bombarral, a Jornada da Pera Rocha, evento coordenado por Maria João Batista, técnica da Cooperativa Agrícola do Bombarral, que teve como oradores Rui de Sousa, do INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, e Tiago Comporta, da CPF – Instituto Superior de Agronomia. Ambos abordaram a problemática da estenfiliose, tendo ficado o alerta para a necessidade de se apostar seriamente na investigação desta doença que está a gerar grande apreensão junto dos produtores de pera rocha.
No dia seguinte, foi a vez da Jornada do Vinho, que entre outros motivos de interesse, contou com uma prova organolética de Vinho Branco Leve Sôttal da colheita de 2016, engarrafado com rolha de cortiça natural e com cápsula de alumínio (Screw Cap). Esta ação, ministrada por Miguel Móteo, enólogo da Companhia Agrícola do Sanguinhal, teve o intuito de apresentar as vantagens do uso da cápsula de alumínio neste tipo de vinhos.
Balanço final é positivo
O presidente do Município de Bombarral, José Manuel Vieira foi de opinião que o balanço final dos certames foi bastante positivo, só sendo possível “graças a uma comissão organizadora eficaz, a um grupo de patrocinadores fiéis ao interesse deste acontecimento e a um público único e participativo que vem de encontro aos principais protagonistas: os expositores, empresários dedicados ao setor e seus derivados e os artistas convidados que, pela sua qualidade constituem um atrativo complementar”.
Segundo o edil foi extraordinária “a adesão de jovens empreendedores que pese embora tenham concluído em muitos casos o ensino superior em áreas aparentemente desenquadradas da agricultura, regressam à sua terra, abraçando apostas de continuidade ligadas ao vinho e à pera rocha do oeste, aproveitando, criando e inovando os produtos, muitas vezes de tradição familiar”.
Em termos futuros, “pensamos vir a inovar alguns aspetos do certame, mas o enquadramento que foi criado há cerca de sessenta anos, terá de manter-se, sob pena de acabarmos com a originalidade do local e ambiente únicos que proporcionamos aos visitantes”, concluiu José Manuel Vieira.
João Paulo Basto







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