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Tradição da corrida de burros voltou a animar Ferrel

Francisco Gomes

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A tradição de mais de meio século voltou no passado sábado a cumprir-se em Ferrel, Peniche, onde se realizou a corrida de burros inserida nos festejos de Nossa Senhora da Guia. O evento, com várias peripécias, quedas e momentos hilariantes, atraiu centenas de visitantes à localidade, numa homenagem ao papel que os animais desempenharam na atividade económica da vila.
Muita animação

A iniciativa surgiu com a intenção de valorizar um dos maiores recursos da localidade, conhecida como a terra dos burros, dado o elevado número de animais que ali existiam e auxiliavam na agricultura e no transporte de pessoas e bens. Hoje é considerada uma espécie em vias de extinção, uma vez que os agricultores foram-se desfazendo deles quando compraram tratores.

Uns em passo de corrida, outros quase de passeio, os 35 concorrentes lá foram dando várias voltas em redor da capela de Ferrel, espaço transformado em burródromo. Aos participantes foram dadas regras expressas para não esforçarem demasiado os animais. Quem infringisse era desclassificado.

O público fartou-se de rir. “Sou cá da terra e gostei de ver. Vem muita gente de fora. Dantes era fácil mexer nos burros, porque toda a gente tinha. Agora é tudo alugado”, relatou uma mulher que assistia ao evento.

“É uma diversão. Uns quase não andam, outros correm demais”, manifestou outra assistente.

Os participantes também se divertiram. “É muito giro, com toda a gente a rir, mas é mais difícil do que conduzir um carro”, relatou António Jorge, o vencedor, que ganhou uma viagem à Madeira. “Vou oferecer ao meu pai, que trata do burro”, revelou.

“Venho sempre ver os meus amigos correr e nunca tinha corrido. O meu burro não corria, só queria andar. Uma amiga puxou, outra deu cenouras, e só correu às vezes. Fiquei em penúltimo”, contou Ágata Elias.

“Participo em homenagem à minha mãe, que gostava muito desta tradição e continuo com muito gosto. Fui criada na terra dos burros. O truque para não cair é quando o animal vai a galopar unir as pernas à albarda do burro e equilibrar-se com a arreata. Assim nunca cai”, indicou Graça Rosário, que ficou em quarto lugar.

Já outro concorrente disse que o truque “é transmitir uma boa energia ao burro. Ele sente essa energia e galopa como nunca”.

Quem não pôde correr foi “Tarzan”, como é conhecido um habitual vencedor, que tem uma montra de troféus. “Fui à terra tratar de umas coisas, quando cheguei já estavam todos os burros alugados”, lamentou.

Para além da viagem à Madeira, os prémios eram uma televisão para o segundo classificado e vouchers de supermercado até ao quinto lugar.

Francisco Gomes

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