O autarca sustentou que “por cada evento realizado na Expoeste, a Câmara Municipal é confrontada com um pedido de subsídio para suportar esse evento. Todos os que lá são realizados, sem exceção, são subsidiados pelo Município, para suportar a totalidade dos custos. Os pedidos solicitados têm valores distintos por dia de ocupação, com enormes discrepâncias, o que significa que não existe um critério definido. Como se não bastasse, as despesas apresentadas nunca são suportadas pelas respetivas faturas comprovativas, apenas em formato de listagem sem qualquer justificativo”.
Rui Gonçalves apontou que no caso do evento de artes marciais, “a Câmara Municipal subsidiou também a entidade organizadora do evento [segundo deliberação tomada a 20 de junho do ano passado foi decidido atribuir à Federação Portuguesa de Lohan Tao uma comparticipação financeira no valor de trinta mil euros para o evento de 2017], ou seja, o Município financia o mesmo evento por duas vias e duas vezes”.
Para o vereador, “a subsidiação sistemática e viciosa da ADIO serve para tapar o “buraco financeiro” de uma associação municipal que é suportada em mais de 80% pelo Município, sem que exista qualquer tipo de preocupação em gerar receitas que a mantenham, uma vez que é sabido que alguém vai pagar a conta”.
“Esta é uma cultura de subsidiação que está escandalosamente instalada neste Município, sem controlo, nem intenção de implementação de medidas. Urge terminar com este escândalo de esbanjamento de recursos, sem qualquer horizonte reprodutivo, nem retorno, apenas para manter o insustentável, porque a
palavra sustentabilidade é desconhecida. Este estado de coisas, não é admissível em qualquer pequena empresa, muito menos numa autarquia”, manifestou
Esta posição tem vindo a ser defendida pelo CDS-PP sem que, de acordo com o autarca, “ se vislumbre qualquer alteração ao modo de gestão, que ao invés, é cada vez menos criterioso e mais desleixado”. O CDS-PP “discorda em absoluto desta forma de gerir os recursos financeiros do Município. Exige-se rigor, contenção e uma clara redução de despesas, para que sejam feitos investimentos em áreas, essas sim, importantes para o desenvolvimento socioeconómico do concelho”.
O vereador recordou que “há mais de dois anos, tomando consciência deste escândalo, foi a própria Assembleia Municipal que, por unanimidade, propôs à Câmara o desmantelamento deste formato de gestão de equipamentos municipais, consubstanciado pela existência de três associações, cada uma a gerir um equipamento, todas altamente deficitárias e suportadas pelo Município, e a fusão em apenas uma Associação, de onde resultaria um potencial de melhor aproveitamento de recursos e evidente redução de despesas”.
“Com as esculpas mais inacreditáveis, esta medida não foi ainda tomada, por uma necessidade da maioria de tudo gere e decide neste Município, em manter um sistema de “quintas”, distribuídas pelos vários vectores de poder coexistentes no seu seio. O problema é que são os munícipes que pagam esta vergonhosa fatura”, apontou.
O autarca justificou assim o voto contra a atribuição deste subsídio, “tal como temos vindo a fazer relativamente a outros de cariz semelhante que têm vindo a ser apresentados”.
Cerca de 6200 atletas participaram, entre 7 e 9 de abril, na “Wac World All Styles Championships 2017 & Feira Internacional de Cultura e Desporto” (Campeonato Mundial de Artes Marciais), que decorreu na Expoeste numa organização da Federação Portuguesa de Lohan Tao, sob a égide de várias federações internacionais e seguindo as regras do Sport Kempo, com a parceria da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. A hotelaria da região esteve preenchida com os atletas.



0 Comentários