O Conselho da Cidade – Associação para a cidadania organizou na passada quinta-feira à noite um encontro sobre a Economia Social e Solidária, onde foram debatidas questões e soluções para uma possível intervenção coordenada nas diversas organizações solidárias no concelho.
Em Portugal são mais de 260 mil os trabalhadores, em mais de 55 mil entidades, que se dedicam a atividades ligadas ao setor social. O trabalho voluntário contribui com 3.8% e a Economia Social com 4% para o PIB nacional. Também nas Caldas da Rainha a Economia Social garante vários serviços e postos de trabalho com impacto na economia local.
Com o objetivo de refletir sobre os instrumentos para reforço das organizações sem fins lucrativos e o “papel inquestionável e complementar com as ações do poder local”, o encontro contou com a presença de representantes dos partidos políticos.
O candidato do PS à Câmara das Caldas nas próximas eleições autárquicas, Luís Patacho, sublinhou o “peso que a economia social tem hoje em dia na economia geral”, promovendo a coesão social através da correção de desequilíbrios socioeconómico da sociedade “em benefício dos mais desfavorecidos” e por outro lado, gere o volume económico mas também social. Além disso, complementa a ação do estado no que respeita às políticas públicas da economia social, referiu.
Desta forma, o candidato do PS propôs que as autarquias possam desde logo fomentar as parcerias estratégicas com entidades da economia social, incentivar a criação de espaços para o convívio social em cooperação com as associações, promoção de incubadores para projetos sociais, um gabinete municipal de apoio as entidades sociais a nível local e a formação dos dirigentes associativos.
Já o candidato do CDS-PP à Câmara das Caldas, Rui Gonçalves, salientou que as IPSS do concelho têm um orçamento que ronda metade do orçamento do município. “Está tudo dito sobre o impacto que têm na economia do concelho”, apontou. Destacou também a questão da sustentabilidade dos equipamentos, sendo “um problema que existe em todo o país”.
Na sua opinião, o problema deve ser resolvido “sem qualquer interferência na gestão das IPSS”, contudo, existe o “papel fundamental de coordenação e avaliação para posteriormente elaborar uma carta social, onde todos os elementos são trabalhados”.
José Carlos Faria, candidato da CDU, referiu que existe “um grande défice de resposta pública” nesta questão. Como tal sugeriu que a solução passaria por “compreender a fundo qual é a natureza dos problemas e procurar a forma eficaz de os resolver”.
Igualmente falou sobre o papel das organizações da economia social, a heterogeneidade do setor, que “implica olhares diferentes para organizações diferentes, apesar de terem os mesmos objetivos”, e ainda realçou o papel do voluntariado na resolução de questões face ao défice que existe nas respostas públicas. Por último, explicou as dificuldades que há no setor decorrentes da relação que existe entre o Estado Central e o poder local.
Outro dos intervenientes foi Lino Romão, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara das Caldas, que falou das coletividades que vivem “com muitas fragilidades absolutas e com pouco apoio, ausência do Estado e das políticas públicas”. “Esta rede social é a principal rede de coesão nacional, que está moribunda”, frisou o candidato do BE, adiantando que “era nesse sentido que as nossas preocupações deviam centrar-se mais em saber o que é o município pode fazer por todas essas coletividades”.
“Não se deve transformar as associações no espécie de barrigas de aluguer para gerir os seus equipamentos culturais ou desportivos”, esclareceu Lino Romão, acrescentando que “também não deve abusar da figura do voluntariado”.
Já a vereadora de ação social, Maria da Conceição Pereira, referiu que “as Caldas da Rainha é um território que felizmente pensa nas pessoas”, com um elevado número de associações culturais e desportivas. Também explicou que só em IPSS, o concelho movimenta cerca de 13 milhões de euros, mais de 800 trabalhadores, 40 voluntários e apoia mais de 3000 utentes.
A autarca indicou que a “rede social começou com 50 entidades e neste momento já são 67, passando por várias áreas”. Para concluir, esclareceu que “as autarquias devem ajudar a incentivar e a criar a sua união entre instituições sociais”.
No segundo painel de oradores composto por Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social, José Patacas, vice-presidente do CIRIEC Portugal (centro de estudos de economia pública e social) e Sílvia Ferreira, docente de sociologia na Faculdade de Economia, em Coimbra, moderado por Júlio Ricardo, responsável pela Cooperativa Terra Chã- Desenvolvimento Local, Artesanato e Serviços, falou-se sobre o papel e a evolução das organizações sem fins nos territórios, bem como dos desafios e respostas que têm dado ao longo dos tempos.
Mariana Martinho



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