Segundo o comandante do destacamento das Caldas da Rainha, capitão Hugo Carneiro, terá sido a maior operação do género realizada na região. Com o envolvimento de mais de 400 operacionais de várias unidades da GNR dos comandos territoriais de Leiria, Lisboa, Coimbra, Santarém e da Unidade de Intervenção, e da PSP, foram feitas buscas em três “bairros críticos” de Lisboa, em Alcobaça, Marinha Grande e em Leiria, no total de 36 buscas domiciliárias e 25 não domiciliárias, que resultam de uma investigação com cerca de dois anos.
Com o apoio de equipas cinotécnicas, foi desmantelada uma estufa e apreendidas 3086 doses de heroína, 1935 doses de haxixe e 22 plantas de cannabis com treze quilos.
O grupo não escondia a ostentação em que vivia, o que era visível nos automóveis de alta cilindrada que eram conduzidos. Foram intercetados 17 carros, uma moto quatro, quatro caçadeiras, um revólver, 80 cartuchos, 11 televisores, 40 telemóveis, dois computadores portáteis, quatro balanças de precisão, diversos eletrodomésticos, peças de bijutaria (pulseiras, brincos e anéis), documentos e 33800 euros.
Os detidos têm idades entre 18 e 57 anos. Vinte foram presentes a primeiro interrogatório judicial no Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria, por se considerar fortemente indiciada a prática, por cada um deles, de um crime de tráfico de estupefacientes, incorrendo ainda um deles na perpetração de um crime de detenção de arma proibida.
Foi apurado que, no período compreendido entre o mês de agosto de 2015 e o dia 20 de junho de 2017, os arguidos procederam à compra e posterior venda diária de estupefacientes, designadamente haxixe, cocaína e heroína, a terceiros, mediante a entrega de contrapartidas monetárias, fazendo-o no interior das suas residências, em diversas localidades, tais como Aljubarrota, Alcobaça, Martingança, Maceira, Moita, Pataias, Paio de Cima, Camarate e acampamento da Lameira, onde os consumidores se deslocavam para o efeito, e ainda nas imediações daquelas.
As transações, que por vezes ascenderam a dezenas por dia, eram precedidas de contatos telefónicos, nos quais os arguidos utilizavam linguagem codificada.
Verificando-se a existência de perigo de continuação de atividade criminosa e perigo de perturbação grave da ordem e tranquilidade públicas, cinco arguidos foram constituídos arguidos, sujeitos a termo de identidade e residência. Uma das mulheres, de 56 anos, voltou para a prisão de Tires, para cumprir uma pena de seis anos à qual andava fugida. Tinha pendente um mandado de detenção desde 2008 pela prática de tráfico de estupefacientes e estava contumaz.
Foram aplicadas as seguintes medidas de coação: Prisão preventiva para oito dos detidos e apresentações semanais no posto policial da sua área de residência e proibição de contatar com os restantes arguidos para doze dos detidos.
O processo continua em investigação e permitiu já constituir mais oito indivíduos como arguidos.






0 Comentários