Rotary Club do Bombarral

“Ceia Medieval-2017″

Manuel Patuleia

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Na sequência de anterior artigo, recorda-se a ocorrência, no dia 10 de Junho, da "Ceia Medieval, a realizar pelo Rotary Club do Bombarral nos Claustros do Palácio Gorjão daquela vila.
Regresso ao passado

Da parte da tarde, sem necessidade de inscrição ou presença na “Ceia” e no período das 15:00 às 19:00, os interessados poderão desfrutar de animação medieval no relvado posterior àqueles claustros, experimentando mesmo o manejo de artefactos bélicos dessa época.

A “Ceia” iniciar-se-á às 20:00, os convivas deverão usar trajes da época e as inscrições prévias podem ser feitas através dos TM: 935953542; 919886452; e 917603333.

Debruçámo-nos antes sobre os monges de Cister, abordemos agora a “Ordem do Templo”, mas, como a sua envolvência tem uma vasta amplitude, parece útil dividir em duas partes o texto que a ela concerne:

A Ordem do Templo foi fundada em 1118, em Jerusalém, por Hugo de Payens e outros sete cavaleiros e instituída com finalidades militares, para preservar a “Terra Santa” e proteger, “in loco” e pelo caminho, os peregrinos que a ela se dirigiam; a ordem instalou-se no que ainda existia do fabuloso Templo de Salomão e, a tal facto, se deve a sua designação.

Criados após a Primeira Cruzada, os Templários constituíam uma ordem essencialmente militar, talhada para aquele tipo de expedições, mas acabaram por ter direito a idênticas prerrogativas, beneficiando das mesmas bênçãos, indultos e riquezas que os concedidos aos “cruzados da terra santa”, pelo facto de protegerem os caminhos de Santiago de Compostela, seus peregrinos, e combaterem os “sarracenos”, que ocupavam o Sul da Península Ibérica e praticavam a mesma religião muçulmana dos árabes, que tinham dominado a “terra santa” e continuavam a reivindicar a sua posse.

A “Regra” dos Templários, que seriam mais poderosos do que ricos, foi redigida pelo Cisterciense s. Bernardo de Claraval, grande doutrinador de que já falámos na peça antes dedicada à “Ordem de Cister”, e foi reconhecida, em 1129, pelo Concílio de Troyes.

Chegados ao Condado Portucalense, pensa-se que no início da década de “20” do século XII, chamados por D. Teresa, os Templários instalaram-se inicialmente em Braga, com fins de concentração de património, e, posteriormente, receberam, por êxitos na luta contra a “moirama”, os castelos de Fonte Arcada e Soure, entre 1126 e 1128.

Algum tempo mais tarde, Gualdim Pais, amigo de D. Afonso Henriques e Egas Moniz, evidenciou-se como militar que, depois de cinco anos em Jerusalém, na Ordem do Templo, regressou a Portugal, onde o primeiro monarca o armou cavaleiro e rapidamente ascendeu a 4.º grão-mestre dos templários lusos, cargo que exerceu durante largos anos.

De harmonia com o avanço das conquistas aos mouros, e sob o comando daquele grão-mestre, a Ordem foi-se radicando por todo o país: construiu o castelo de Almourol e instalou-se, por exemplo, na Idanha, Monsanto, Tomar e Santarém (capital do gótico), sendo as tropas, localizadas nessas “praças”, as responsáveis pelas defesa e segurança das grandes áreas de “entre Douro e Tejo”, conquistadas no seu entorno e das respetivas populações.

Agora, e com a devida vénia a Nuno Ferreira, que tornou público o documento a que vou reportar-me, salientarei:

Em setembro de 1292, foi lavrada uma “Carta de escambo” (troca de bens ou permuta), entre a Ordem do Temploe um tal Lourenço Dias, através da qual este deu aos Templários uma herdade situada entre o “Mombarral” e o Carvalhal, termo de Óbidos, e recebeu cinco estins de terra em “Toxe”, termo de Santarém.

Não pode inferir-se a real situação de tal local na área do atual Concelho do Bombarral, até porque, pouco antes, os Cistercienses de Alcobaça tinham arrendado a Granja do Bombarral a Soeiro Peres Azevedo (Alcaide de Alenquer).

Esse incunábulo é, pelo menos, prova provada de que os cavaleiros Templários frequentaram tais terras e nelas tiveram interesses e domínio.

É ainda possível que os Templários, instalados em Santarém, tenham aforado aquelas terras, situadas na zona do Bombarral, tal como outras eventualmente adquiridas, pois não é crível que, desde aquela cidade, gerissem objetivamente o seu cultivo.

Porém, nos finais do século XIII, estava por um fio o desaparecimento da “Ordem do Templo”:

Em boa verdade, Filipe IV, “O Belo”, rei de França, estava superendividado, devido à guerra que mantinha com a Inglaterra e aos vultosos empréstimos que contraíra junto dos Templários; contudo, para se apropriar das suas riquezas, o rei de França nada podia fazer sem o beneplácito do papa, pois eles pertenciam a uma ordem religiosa, e Clemente V, dado que recaíam sobre o monarca gaulês as suspeitas da morte dos dois antecedentes papas, submeteu-se à concupiscência do soberano e emitiu a bula de extinção da “Ordem do Templo”: Os Templários tinham o destino traçado!

Manuel Patuleia

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