Os valores sociais aliados às emoções das crianças

Maria Dulce Horta

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Transmitir às crianças a importância de agradecer, de pedir “por favor” ou de dizer “bom dia” ou “boa tarde” vai muito mais além de um simples gesto de educação. Estamos a investir em emoções, em valores sociais, e acima de tudo, em reciprocidade.
Maria Dulce Horta

Para criar uma sociedade baseada no respeito mútuo, onde o civismo e a consideração pessoal façam a diferença, é preciso investir nesses pequenos hábitos sociais aos quais às vezes os pais não dão a devida importância. Porque a convivência baseia-se, no fim de contas, na harmonia, nessas interações de qualidade baseadas na tolerância onde todas as crianças devem ser iniciadas logo desde cedo.

Sou da geração da gratidão, do por favor, do desculpe, do dá-me licença e do bom dia. Emoções estas que não hesitei em transmitir aos meus filhos, porque educar com respeito é educar com amor. Sei que o que cultivei, já foi colhido há muitos anos…

Muitas famílias acham que é um erro iniciar os filhos nestas normas de cortesia quando os pequenos começam a falar mais ou menos e a construírem frases. Não sei se é do conhecimento geral, saber-se que o “cérebro social” de um bebé é extremamente recetivo a qualquer estímulo, ao tom de voz, e às expressões faciais de seu pai e da sua mãe. Sendo assim acredite se estiver disposto e se quiser, que pode educar uma criança nos seus valores desde muito cedo. As suas aptidões são inesperadas e nós pais sabendo isto, devemos aproveitar essa grande sensibilidade das crianças em matéria emocional (segundo uma vez o pediatra dos meus filhos me disse e nunca mais me esqueci); a palavra “Agradecer”, é uma arma de poder no cérebro das crianças. Será verdade?

Quando passei por uma fase muito exaustiva e complicada, em que passadas os dias a pesquisar sobre problemas neurológicos, por causa do problema do meu filho mais novo, nessas pesquisas, e foram anos e anos ( e continuo, agora já por curiosidade ), lembra-me de ter lido mais ou menos isto: os neurocientistas diziam que “ o sistema neurológico de uma criança está programado geneticamente para se “conetar” com os “adultos”, que era uma coisa mágica e muito intensa, mesmo as atividades mais rotineiras, como alimentá-los, dar o banho ou vesti-los, transformam-se em informações cerebrais que configuram de um jeito ou de outro uma resposta emocional que essa criança terá no futuro. O desenho dos nossos cérebros, por assim dizer, nos faz sentir implacavelmente atraídos por outros cérebros, pelas interações de todos aqueles que estão ao nosso redor” (não sei se consegui transmitir o que realmente queria dizer) mas vou acreditar que sim, e o que é que daqui posso concluir, é a minha opinião, claro que uma criança que é tratada com respeito e que desde cedo se acostumou a ouvir a palavra “obrigado” rapidamente entenderá que está diante de um estímulo positivo poderoso e que, aos poucos, irá desvendando-a sem se aperceber.

Com isto que acabei de dizer, não vamos agora acreditar que uma criança de 3 anos a quem o seu pai ou a sua mãe ensinaram a dizer obrigado, por favor ou bom dia, compreenda muito bem o valor da reciprocidade e do respeito que essas palavras impregnam, claro que não! Mas, o ir ouvindo sistematicamente estas pequenas frases, perspicazes e atentas como são as crianças, vão criando aos poucos nas suas cabecinhas, uma base apropriada e maravilhosa para que depois as raízes cresçam fortes e profundas.

E conhecendo bem a teoria de Piaget (João de Deus também passa um bocado por aí!), sabe que ele chama a idade mágica à que é compreendida entre os 2 e 7 anos, que classifica de “estado de inteligência intuitiva”. É aqui onde os pequenos, apesar de estarem sujeitos ao mundo dos adultos, irão despertando progressivamente o sentido do respeito, interiorizando esse universo que vai mais além das próprias necessidades para descobrir a empatia, o sentido de justiça e, obviamente, a reciprocidade.

Quando uma criança descobre finalmente o que acontece quando aplica estas palavras nos seus contextos exatos, quando pede coisas com um “por favor” e as conclui com um “obrigado”, nada mais será igual. Até o momento, ela fazia-o como uma norma social pre-estabelecida pelos adultos, uma coisa que só lhe trazia incentivos positivos pelo seu bom comportamento. E pensamos que não mas elas (crianças ) têm consciência disso. Na minha opinião considero excecional esta conduta, porque a acompanhará para sempre…tratar com respeito os outros é respeitar-se a si mesmo, é agir de acordo com certos valores e sentido de convivência baseado num pilar social e emocional de peso.

Já agora partilho também este meu conhecimento, é por volta dos 7, 8 anos (depende de criança para criança) que os nossos filhos descobrirão plenamente todos estes valores que perfazem a sua inteligência social. É nesse instante que vão começar a dar mais importância à amizade, a saber o que implica essa responsabilidade afetiva, a entender e desfrutar da colaboração dos outros, atendendo às necessidades alheias e interesses diferentes dos próprios.

É, sem dúvida, uma idade maravilhosa, onde todo adulto precisa de ter em mente um aspeto fundamental: precisar de ser o melhor exemplo para os filhos. Agora, a pergunta mágica é a seguinte: De que forma vamos envolvendo os nossos filhos desde cedo nestas normas de convivência, de respeito e de cortesia?

Fácil, muito fácil mesmo, não tem nada que saber é com os pais/educadores que ao aplicarmos no nosso dia a dia todas estas regras, como por exemplo;

Quando chega ou entra em algum lugar? Cumprimente, diga sempre….bom dia ou boa tarde.

Vai embora? Diga adeus…

Recebeu um favor? Alguém lhe deu alguma coisa? Agradeça.

Alguém falou consigo? Responda sempre.

E se alguém está a falar consigo? Ouça olhando para a pessoa.

Sente alguma coisa? Compartilhe (pai ou mãe).

Se gostava de ter algo e não tem? Tem o outro…não inveje.

Tem alguma coisa que não é sua? Devolva-a, sempre…

Se precisa de alguma coisa…peça por favor.

Enganou-se? Pede desculpas…que elas vão ouvindo, habituando-se e interiorizando, para depois numa certa fase da sua vida e cedo, assim como nós, já o fazem automaticamente.

São as tais regras simples e descomplicadas que por vezes passam e que são tão importantes para a boa formação de uma criança…penso que não estou a ensinar nada a ninguém, porque no dia a dia de qualquer família, é a prática comum….

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