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Escola de Sargentos do Exército

Evolução da bandeira nacional dada a conhecer a crianças e militares

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

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127 crianças das escolas do Avenal e de A-dos-Francos, e os militares que frequentam o 1º Curso de Formação de Sargentos em Regime de Voluntariado e de Contrato de 2017 da Escola de Sargentos do Exército (ESE), assistiram no passado dia 4 à cerimónia de apresentação do estandarte nacional e evolução histórica da bandeira nacional.
Apresentação das bandeiras

“A preservação do património cultural de uma nação não pode estar dissociada do conhecimento da sua história. Entendemos que esta cerimónia simples, mas plena de significado, é uma forma de guardar e promover esses conhecimentos, esperando que esta atividade contribua para os objetivos curriculares das escolas”, manifestou o comandante da ESE, coronel Lino Gonçalves.

Segundo fez notar, “com bandeiras e símbolos nacionais visitámos Portugal, os nossos heróis e os seus feitos. Aprendemos que este pequeno país tem mais de oitocentos anos de história”, esperando que as crianças, no futuro, sejam “os porta-bandeiras da nossa história”.

Dirigindo-se aos soldados-instruendos do curso de formação de sargentos, o comandante lembrou que no dia a seguir iam prestar juramento de bandeira e que a cerimónia de apresentação do estandarte nacional fazia “parte da caminhada em direção a esse nobre desígnio”, que é “defender a pátria mesmo com o sacrifício da própria vida”, recordando “os nossos valorosos antepassados que construíram esta nação”.

Acompanhados dos professores e auxiliares, os alunos do 1º ciclo do Avenal e A-dos-Francos travaram conhecimento da evolução da bandeira nacional, desde a primeira, no reinado de D. Afonso Henriques (1143-1185) até à atual. Ao todo são onze bandeiras, umas bem diferentes de outras.

A primeira bandeira era um escudo branco com uma cruz azul, à semelhança do que usou D. Afonso Henriques durante as primeiras lutas pela independência de Portugal, a exemplo de seu pai, o conde D. Henrique, cujas armas eram simbolizadas pela cruz em campo de prata.

Nos reinados de D. Sancho I (1185-1211), D. Afonso II (1211-1223) e D. Sancho III (1223-1248), as armas reais eram representadas por cinco escudetes de azulem campo de prata, dispostos em cruz, os dos flancos deitados e apontados ao centro. Cada escudete era semeado com um grande número de besantes de prata. A razão para o número de escudetes tem várias teorias. Uma delas alude às cinco feridas recebidas por D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique. Outra, às cinco chagas de Cristo.

Com D. Afonso III (1248-1279), as armas do reino receberam uma bordadura de vermelho, semeada com castelos de ouro. Já no reinado de D. João I (1385-1432) as armas reais eram de prata. É desta época que se conhecem as primeiras referências designado os escudetes por quinas. Tinham também uma bordadura de vermelho semeado de castelos de ouro e sobre ela as pontas da cruz verde floretada da Ordem de Avis.

D. João II (1481-1495) mandou que fossem retirados das armas reais os remares de flor-de-lis e que se colocassem verticalmente as quinas laterais no escudo. Os castelos de ouro eram também menos.

No reinado de D. Manuel I (1495-1521) as armas reais foram fixadas em fundo branco. Tinha ao centro o escudo português com uma bordadura de vermelho carregada de sete ou oito castelos de ouro e sobre ele foi colocada uma coroa real aberta. O escudo era retangular com a parte inferior terminada em cunha, mas no reinado de D. João III (1521-1557) acentuou-se o fundo redondo, o chamado escudo português. O mesmo aconteceu às quinas que acompanharam aquelas formas.

No final do reinado de D. Sebastião (1557-1578), a coroa que figurava sobre o escudo foi substituída por uma coroa real fechada, com três a cinco arcos à vista. O aparecimento da coroa fechada relacionava-se com o reforço de autoridade do poder real.

Na aclamação de D. João IV (1640-1656), a bandeira branca com o escudo nacional, encimado pela coroa real fechada constituiu o símbolo da restauração. No reinado de D. João V (1706-1750), o escudo foi modificado com uma fantasia ao gosto da época, terminando o bordo inferior em bico de arco contracurvado e a coroa passou a conter um barrete vermelho ou púrpura.

No reinado de D. João VI (1816-1826) foi colocada por detrás do escudo uma esfera armilar de ouro em campo azul, simbolizando o reino do Brasil e, sobre ela, figurava uma coroa real fechada. Após a morte do rei a esfera armilar foi retirada das armas, remetendo-se o símbolo real à expressão anterior, em que algumas das versões usaram um escudo elíptico, com o eixo maior na vertical.

O decreto da regência em nome de D. Maria II (1834-1853) determinou que a bandeira nacional passasse a ser bipartida verticalmente em branco e azul, ficando o azul junto da haste e as armas reais colocadas no centro, assentando metade sobre cada uma das cores.

Chegámos então à bandeira atual. Após a instauração do regime republicano, desde 1910, foi aprovada a substituta da bandeira da monarquia constitucional. É bipartida verticalmente em duas cores fundamentais – verde escuro e escarlate. A divisória é feita de modo a que fiquem dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde e os três quintos restantes pelo vermelho.

A cor verde representa a esperança em melhores dias de prosperidade e bem estar e também os campos verdejantes. A cor escarlate representa o valor e o sangue derramado nas conquistas, nas descobertas, na defesa e no engrandecimento da pátria.

Ao centro, e sobreposto à união das cores, tem o escudo das armas nacionais, orlado de branco e assentado sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro. A esfera armilar simboliza as viagens dos navegados portugueses pelo mundo, nos séculos XV e XVI. As armas de Portugal assentam sobre a esfera armilar, sendo compostas por um escudo maior com outro mais pequeno brocante, simbolizando o escudo, a arma utilizada pelos nossos antepassados nos combates.

O escudo maior é vermelho e à sua volta estão representados sete castelos – as cidades fortificadas que D. Afonso III tomou aos mouros. O escudo pequeno é branco e encerra cinco escudetes azuis pequenos, fazendo alusão às cinco chagas de Jesus Cristo. Cada um desses escudos contém cinco besantes de prata que contando duas vezes os da quina do meio recordam os trinta dinheiros pelos quais Judas vendeu Jesus Cristo e simbolizam o poder régio de cunhar moeda.

Crianças gostaram

As crianças cantaram o hino nacional e no final da cerimónia militar na Parada D. Afonso Henriques, que contou com a presença do vereador da educação, Alberto Pereira, contaram ao JORNAL DAS CALDAS que foi uma manhã diferente fora da sala de aulas.

Das escolas de A-dos-Francos deslocaram-se até à ESE 47 alunos, do 1º ao 4ºano. Rita Lopes, de 10 anos, comentou que “gostei muito, achei interessante, nas aulas damos história de Portugal mas não conhecia todas as bandeiras”. Também gostou de estar pela primeira vez no quartel militar. Joana Bernardino, de 8 anos, disse que “só conhecia uma bandeira e não sabia que havia tantas”. “A que gostei mais foi a azul e branca [a penúltima, antes da atual]”, referiu.

Do Avenal foram 80 crianças, do 3º e 4º ano. Jaime Rafael, de 9 anos, sublinhou que “há umas bandeiras mais giras que outras. Não conhecia todas. A que gostei mais foi a do tempo de D. João VI”. Ao quartel só tinha ido uma vez, aos dois anos, por isso não tinha grandes recordações. “Gostei de ver os soldados”, revelou.

Miguel Sábio, de 8 anos, relatou que já tinham abordado as bandeiras na escola, mas não de forma tão pormenorizada. Quando à visita à ESE, “já tinha vindo uma vez e gostei, é um espaço diferente”.

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