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Subsídio de 42 mil euros à entidade que gere a Expoeste indigna autarcas do PS

Francisco Gomes

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A atribuição de um subsídio de 42 mil euros à Associação para o Desenvolvimento Industrial do Oeste (ADIO), que gere a Expoeste, mereceu o voto contra dos vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal das Caldas da Rainha.

“Tem sido um vexame permanente continuar a apoiar-se instituições que a lei proíbe que se mantenham insolventes e que tranquilamente seguem o seu caminho de ruína, sem saberem como pagar o que devem, vivendo às custas de uma Câmara que não pode sequer pertencer aos seus corpos gerentes. Instituições que, para cúmulo, se revelam incapazes de estabelecer um qualquer plano de sustentabilidade financeira, minimamente credível”, lamentam Rui Correia e Jorge Sobral.

“A segunda compra da Expoeste que os vereadores do PS oportunamente expuseram constituiu um conluio ardiloso e que um PSD obediente e desprovido de qualquer sentido de emancipação política aprovou na assembleia municipal. O contorno da lei por parte de um executivo que criou esta situação extraordinária, por ilícita e excêntrica, que é a de retirar a câmara dos corpos gerentes (proibida por lei) e continuar a amamentar financeiramente uma associação falida, é algo que ofende o mais elementar sentido da ética política”, criticam.

Os autarcas alegam que apenas por sua instância chegou a ser apresentado “um esboço de plano de sustentabilidade financeira da ADIO, tão carregado de projeções tão irrealistas e que o tempo provou espetacularmente inconsequentes”. “Claro que tudo se disse acerca da má vontade dos autarcas socialistas. Ora, cá está, mais uma vez, a prova desse irrealismo que é a renovação deste e de muitos outros pedidos de subsídios encapotados que definem estas instituições como meros expedientes para manter uma folha de pagamentos e uma teia de favorecimentos partidários que nada têm a ver com o desenvolvimento da dinâmica industrial do concelho, também ela destruída por uma clamorosa ausência de estratégia económica para o concelho das Caldas da Rainha”, afirmam.

O voto contra dos vereadores deveu-se também ao que dizem ser “incumprimento das deliberações da assembleia municipal, que instou, por unanimidade, à reclassificação e conversão administrativa de associações como a ADIO, que, como confessou o anterior presidente da câmara, nada mais são do que empresas municipais, tendo em conta a sua completa e tóxica dependência do erário público”.

“Quem paga estes 42 mil euros, tal como pagou os 340 mil euros da compra de um edifício que já era nosso e muitas outras dezenas de subsídios, somos todos nós, que ninguém o duvide. E, recordemo-lo, a lei exige que ao menos sejam capazes de pagar 50% das suas despesas. E não são capazes, nunca foram e não se faz a mínima intenção de inverter este escandaloso estado de coisas”, apontam.

No entender dos vereadores, “uma estrutura com o objeto da ADIO é útil, porém, é necessário, em nome de uma elementar transparência financeira e administrativa, já que o edifício é propriedade da autarquia, com funcionários que são quadros da autarquia e orçamento sustentado pela autarquia, que esta estrutura integre o organigrama da câmara municipal, pondo assim fim a esta farsa”.

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