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Água congelou nos canos e a venda de lenha disparou por causa da vaga de frio

Marlene Sousa/Mariana Martinho

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As descidas das temperaturas que se sentiram na passada semana, nomeadamente na quinta e sexta-feira, deixaram o país com os termómetros próximo ou abaixo dos zero graus.
A venda de lenha para as lareiras por causa do frio disparou na passada semana

Com temperaturas a oscilarem entre os oito graus negativos e os dez positivos, nesta região os aquecedores e as lareiras foram o aconchego contra o frio.

No concelho das Caldas, a venda de combustível disparou, nos últimos dias e os fornecedores de lenha tiveram muito mais trabalho.

O frio esteve na origem de roturas que afetaram o abastecimento de água nas Caldas da Rainha. O congelamento de água nas condutas de abastecimento afetou centenas de pessoas na região Oeste.

Houve também quem não se esquecesse dos mais desfavorecidos, como Mafalda Pedreira, que através das redes sociais anunciou a colocação nas árvores da Avenida 1º de maio casacos de inverno quentes para aquecer os mais pobres.

Perante o cenário da onda de frio, que parece que já terminou mas que poderá voltar ainda neste inverno, o JORNAL DAS CALDAS foi tentar saber como é que as pessoas superaram a descida acentuada da temperatura.

Joaquim Teixeira, um vendedor de lenha na freguesia do Coto, disse que desde o dia 14 de janeiro que os meios de comunicação social começaram a anunciar a vaga de frio que a venda de lenha disparou, sobretudo de sobro (sobreiro), oliveira pinho e carvalho. “Desde quarta-feira que temos tido muito mais trabalho, face à grande procura”, revelou, indicando que tem vendido toneladas de lenha para lareiras, ao preço médio de 15 cêntimos o quilo.

Foi o caso da caldense Anabela Santos, que reside em Casais de São Jacinto e já é a segunda vez no espaço de uma semana que foi comprar a lenha. “Com este frio a lenha arde toda, estive cá no sábado e comprei 100 quilos. Hoje voltei porque já não tinha lenha para pôr na lareira, que tem estado ligada todos os dias”, afirmou, alegando se não fosse a fogueira “não aguentava o frio porque a casa é grande e fria”. Tem aquecedores a óleo, mas prefere vestir mais roupa e a lareira para aquecer.

Outra alternativa às tradicionais lareiras são as caldeiras de aquecimento, o que fez disparar as vendas de combustível. Hugo Ponte, proprietário de uma empresa em Leiria que vende gasóleo para aquecimento, afirmou que, na região Oeste, a venda deste combustível disparou a partir de 17 de janeiro e tem o custo médio que ronda 1,05 euros por litro.

Em algumas zonas no Campo, as temperaturas negativas que se fizeram sentir na região originaram o congelamento da água, o que provocou roturas em alguns canos.

Helena Silva, que reside no Campo, disse ao JORNAL DAS CALDAS que a viatura do padeiro que passou junto da sua casa às seis da manhã registou oito graus negativos. No seu caso, não houve nenhuma rotura nos canos, mas a água não corria nas torneiras porque estava congelada. “Na quinta-feira de manhã abri a água e não saiu uma gota, pensei que fosse um corte dos Serviços Municipalizados por causa de alguma avaria quando reparei que a água nos canos estava congelada”, explicou, acrescentando que também a “água do poço estava solidificada devido ao gelo e só ao meio dia é que a água começou a correr na torneira”. Há vinte anos que mora no Campo e foi a primeira vez que tal lhe aconteceu.

Mercedes Enxuto, também moradora do Campo explicou ao JORNAL DAS CALDAS que a descida das temperaturas nos últimos dias provocou danos nas canalizações. ”A água das torneiras de manhã estava congelada, tendo alguns canos inclusive rebentado”, sublinhou a moradora, que admitiu que ”só nos últimos dias, gastei mais de três toneladas em lenha em relação ao ano passado”.

Amélia Mota, residente em Vale de Maceira, Alfeizerão, explicou que a “água da rede congelou, e só a partir do meio-dia é que voltou a correr. A sorte é que tenho água do poço, senão tinha de esperar”.

Rui Campos, que reside na Foz do Arelho, acordou na passada sexta-feira de manhã e viu a sua piscina congelada na superfície. Também a água do bebedouro do seu cão gelou.

Casacos pendurados nas árvores da Avenida 1º de maio

Com a descida das temperaturas sentida nos últimos dias, a Avenida 1º de maio transformou-se na passada quarta-feira à noite num bengaleiro de casacos em “tamanho gigante”, para aquecer quem mais precisava.

Esta iniciativa “Heat the Street – Streetwear your jacket’ foi criada em 2015 pela jovem Sílvia Lopes, e chegou finalmente às Caldas da Rainha pela mão de Mafalda Pedreira, que decidiu pendurar três agasalhos que já não usava nas árvores da avenida, pondo à disposição de quem mais necessitava de conforto nestes dias de frio.

Aproveitou as redes sociais e apelou à população caldense para que doasse agasalhos que já não usasse às pessoas mais desfavorecidas, que precisavam para se aquecer.

“Abri as portas do meu guarda-roupa e olhei para três casacos quentinhos que tinha sem utilizar. Ao ouvir na televisão que várias câmaras prepararam “postos de acolhimento” para milhares de sem abrigo poderem escapar a este frio, visto que a nossa Câmara Municipal não fez nada, no entanto, nós, como cidadãos, não podemos nem devemos criticar quando nada fazemos, por isso apelo a todos aqueles que solidariamente se queiram juntar que coloquem casacos pendurados em vários pontos da nossa cidade. Eu deixei os meus três casacos pendurados na avenida, que de certeza irão ser úteis a quem os acolher”, foi a mensagem escrita nas redes sociais, que rapidamente gerou uma “onda de solidariedade” pela cidade. “A iniciativa vai continuar”, admitiu ao JORNAL DAS CALDAS.

O tempo em Caldas da Rainha irá aquecer a partir de hoje (quarta-feira), com 14 graus de máxima e 10 graus de mínima, mas de quinta-feira a sábado há chuva.

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