O protocolo do acordo tripartido foi assinado no passado domingo à tarde, entre o provedor da instituição, Pedro Santana Lopes, o presidente de Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, e o pároco de Óbidos, Paulo Gerardo.
A Misericórdia de Lisboa oficializou um apoio de 260 mil euros para a primeira fase do restauro do santuário. Santana Lopes admitiu comparticipar toda a obra, orçada em 1,5 milhões de euros.
Numa primeira fase, orçada em 256 mil euros, serão feitos arranjos na cobertura, em vigas e janelas, que têm provocado infiltrações, danificando o edifício e as obras de arte e madeiras no seu interior. Pinturas exteriores acontecerão numa outra fase, terminando a obra com a recuperação de telas e de outros elementos patrimoniais da igreja, entre os quais se encontram valiosos elementos, como uma imagem de pedra de Cristo Crucificado que esteve, até à inauguração do Santuário, numa pequena ermida, onde era objeto de grande devoção, nomeadamente pelo rei D. João V.
O total orçado para a recuperação do edifício é de 1,5 milhões de euros, ao abrigo da lei do Mecenato, pela SCML.
“A primeira fase está garantida e vamos procurar delimitar em que consistem as fases seguintes”, disse Santana Lopes, manifestando vontade da SCML se associar já à “próxima fase”.
“A recuperação tem de ir até final, com o empenho de todos, Misericórdia de Lisboa, autarquia e paróquia”, adiantou o provedor.
A comparticipação dos custos será feita ao abrigo do Fundo Rainha D. Leonor, criado em 2014, para apoiar obras das misericórdias em todo o país.
O fundo, disse Santana Lopes, apoiou este ano “16 obras”, num investimento financeiro que ronda os “4,1 milhões de euros”, e que o provedor estima que ultrapasse, em 2015, “os cinco milhões de euros”.
No caso do Santuário do Senhor Jesus da Pedra, um exemplar único do barroco português, Santana Lopes afirmou que a escolha “foi feita pelo facto de ser um templo com uma carga histórica muito significativa”. “É uma obrigação indeclinável fazer bem ao património”, garante o provedor, concluindo que “Óbidos tem ganho reconhecimento em muitas áreas e este apoio da SCML associa-se a esse trabalho já realizado”.
Santana Lopes destacou ainda “a importância do apoio aos templos religiosos” por parte da SMCL. O facto de o santuário do século XVIII não estar classificado como monumento nacional, impediu o recurso a candidaturas a fundos europeus para a sua recuperação, mas a Orquestra Metropolitana de Lisboa e a câmara de Óbidos celebraram, em março, um protocolo para a realização de uma Temporada de Música na igreja, chamando a atenção para a necessidade de conservação daquele património.
Para o pároco Paulo Gerardo, o estado de degradação do templo “é motivo de preocupação há muitos anos”. O sacerdote explicou que tem sido “feito algum esforço para minimizar os estragos”, mas não é o suficiente. Daí a “importância deste momento para o nosso concelho”, afirmou.
O presidente da Câmara destacou igualmente a recuperação de um monumento tão importante para a região e para o País. Revelou que a obra que irá começar ainda este ano. A duração prevista da primeira fase anda na ordem dos “onze meses”, porque, segundo Humberto Marques, tem “técnicas de limpeza da pedra que é uma coisa muito morosa, para evitar a degradação da mesma”.
O autarca recordou a Temporada de Música, feita com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, que serviu para chamar a atenção para o estado de degradação do edifício.
Marlene Sousa




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