Esquilos-vermelhos encontrados em São Martinho do Porto

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Um esquilo-vermelho foi encontrado morto na estrada nacional 242 em São Martinho do Porto, em agosto. Numa zona de pinhais perto da praia do Salgado, entre São Martinho do Porto e Nazaré, também houve quem testemunhasse animais desta espécie a atravessar a estrada. Desaparecido de Portugal durante centenas de anos, o esquilo-vermelho está de regresso, existindo registos da sua presença no concelho de Alcobaça, de acordo com a bióloga da Universidade de Aveiro (UA), Rita Gomes Rocha.
Esquilo-vermelho encontrado morto na estrada nacional 242

Segundo os registos bibliográficos, possuídos pela bióloga da UA, que está a estudar a expansão desta espécie no país, o esquilo vermelho esteve extinto em Portugal desde a época dos descobrimentos, devido à intensa exploração das florestas portuguesas. “Na década de 80 devido aos programas de reflorestação, sobretudo no norte da Península Ibérica, os esquilos voltaram a colonizar o nosso território, e estão neste momento em expansão em Portugal”, explicou Rita Rocha.

De acordo com a bióloga, apenas estudos futuros irão permitir definir os tamanhos populacionais desta espécie. “No entanto, como é uma espécie que está em expansão acreditamos que não sejam raros”.

A bióloga descreveu o esquilo vermelho comoum animal carismático que atrai a atenção do público em geral. “É diurno e por isso fácil de observar, tem características morfológicas muito particulares, como a sua coloração, a cauda felpuda e os tufos de pelos nas orelhas, e é também bastante curioso”, relatou, acrescentando que “estas são algumas das características que o tornam um animal amigável”.

Para Rita Rocha, o esquilo-vermelho ecologicamente “tem um papel muito importante na regeneração das florestas, uma vez que se alimenta de sementes. Mas como tem o hábito de esconder essas sementes, acabando por perder algumas delas, contribui assim para a manutenção e regeneração do seu habitat”.

Apesar de no resto da Europa esta ser uma espécie bastante estudada, em Portugal não se verifica o mesmo, uma vez que “existe uma falta considerável de trabalhos sobre esta espécie”, revelou a bióloga.

Segundo, Rita Rocha, o que estamos a assistir em Portugal é “um processo contrário ao que se verifica em alguns países da Europa, onde o esquilo vermelho está altamente ameaçado devido à introdução da espécie exótica do esquilo cinzento, proveniente dos EUA”.

Um dos objetivos do estudo da bióloga que está em desenvolvimento na Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da UA é “perceber porque é que esta espécie está em expansão no território nacional”.

Os trabalhos que existem até ao momento sobre o esquilo-vermelho em Portugal documentam que não se encontra em vias de extinção e neste momento está classificado na categoria de “Pouco Preocupante”, de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

Marlene Sousa

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós

Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.

foto barroso

Jovem casal abriu negócio de barbeiro, cabeleireiro e esteticista

Foi no final de setembro do ano passado que César Justino, de 23 anos e Maria Araújo, de 22 anos, abriram o cabeleireiro 16 Cut na Rua da Praça de Touros, em Caldas da Rainha. O estúdio, que era previamente loja de uma florista, serve agora o jovem casal e inclui serviço de barbeiro, cabeleireiro e esteticista.

16 cut1