Muitos dos escritores antes das conversas na Tenda de Autores aproveitam para percorrer as ruas da vila, cruzando-se por vezes com os seus leitores. É sobretudo um evento que permite a troca de conhecimentos
O início foi a 22 de setembro, na estação ferroviária do Rossio, em Lisboa, onde convidados e visitantes fizeram a primeira viagem no comboio literário, numa parceria com a CP.
A segunda edição do Fólio está a ser um sucesso e além do extenso programa será possível ainda assistir, no dia 30 de Setembro, pelas 21h00, na Tenda dos Autores, à conversa com Salman Rushdie, autor de “Os Filhos da Meia-Noite” e vencedor do Booker Prize. Pode ainda escutar o fadista Camané a cantar Tom Jobim, no dia 1 de outubro, pelas 22h30, na Tenda dos Concertos.
No último dia do Festival Literário, pelas 18h00, Marcelo Rebelo de Sousa conversa com Afonso Camões, na Tenda de Autores.
Esta edição do FOLIO começou fora das muralhas da vila, com uma viagem inaugural que aconteceu na passada quinta-feira, numa parceria com a CP. Cerca de uma centena de pessoas incluindo autores, curadores, autarcas, representantes da CP e até jornalistas saiu do Rossio por volta das 10h25, num comboio com destino a Óbidos.
Durante uma hora e meia de viagem e 87 quilómetros, os convidados puderam desfrutar da paisagem de uma linha que liga Lisboa à Figueira da Foz e que há muito perdeu o encanto de outros tempos. Os participantes tiveram oportunidade de deliciar-se com uma queijada de feijão e apreciar uma exposição de 12 pranchas de 6 ilustradores portugueses até chegarem à estação da vila, que há muito é apenas um local de paragem de comboios.
Para o presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques, esta viagem “não podia ter começado de outra maneira”, tendo três objetivos fundamentais.
“O primeiro está relacionado com um anseio há muito destas populações regionais, com a reestruturação da Linha do Oeste, sobretudo com a ligação a Lisboa”, explicou o autarca, adiantando que “a cultura é o melhor veículo para chamar a atenção dessas necessidades, que aqui é uma urgência”. Além disso, a organização queria que o FOLIO “começasse para além das fronteiras territoriais de Óbidos, já que é um festival com uma importância nacional e internacional” e, como tal, “nada melhor que começar na capital do país”.
Humberto Marques explicou ainda que “quisemos oferecer durante estes onze dias uma comodidade diferente aos visitantes”, através de uma viagem despreocupada, com o estacionamento e com o carro. Assim, as pessoas vão poder desfrutar até dia 2 de outubro de uma “viagem maravilhosa com a introdução de livros e exposições dentro do comboio”, permitindo aos visitantes a utilização de dois novos verbos – “foliar e literar”, a partir do Rossio.
Humberto Marques também destacou que esta iniciativa procura recordar “os 160 anos das infraestruturas da CP”.
Esta parceria vai permitir que até ao final do FOLIO, todos os dias, o comboio literário saia do Rossio com destino a Óbidos, entre as 10h25 e 17h55, com uma programação que inclui exposições, workshops, livros e poesia. O regresso à capital é às 15h17 e à 00h35.
Após o percurso no comboio literário, o JORNAL DAS CALDAS falou com dois viajantes. Apesar dos muitos solavancos pelo meio, Bruno Humberto comentou que “o comboio é um meio de transporte muito mais prático e confortável do que o autocarro ou carro para os visitantes virem ao festival”. Além disso, “não temos de ter aquela preocupação com o estacionamento e com o caminho”.
Para o jovem, “este é um festival muito variado no seu conteúdo, com especial destaque para as mesas com diversos autores, sem esquecer as exposições e peças de teatro”. Já Alexandra Sousa descreveu a iniciativa como “uma ideia maravilhosa, onde se liga Lisboa a Óbidos para um festival literário”.
Como já não é a primeira vez que participa, salienta que “é uma iniciativa fantástica, onde consegue reunir público português e estrangeiro”.
OesteCim: “A linha será requalificada até 2020, com embarque no Rossio”
Além de ser uma forma original de começar o festival, o comboio literário pretende ”ser algo diferente” e por outro lado, “pensámos que uma viagem que junta tantas personalidades em torno de um evento desta dimensão seria o momento ideal para chamar atenção para a linha que está obsoleta e que precisa mesmo de ser requalificada”.
“Sentimos os balanços e a lentidão do comboio ao longo da viagem, e não faz sentido se queremos dinamizar a região oeste, se queremos trazer mais gente, a ferrovia tem de ser uma alternativa ao carro”, referiu Pedro Folgado, presidente da Oeste CIM, sublinhando que “a linha ferroviária tem mesmo de ser requalificada, pelo menos até Alcobaça, mas idealmente até Coimbra e Figueira da Foz”. Assim essa requalificação passaria pela eletrificação de todo o troço.
“Sei que os colegas da zona do norte, nomeadamente Leiria, gostavam que fosse até à Figueira da Foz. Isso seria o ideal”, explicou, acrescentando que ficaríamos com “uma linha capaz de transportar turistas de Lisboa, proporcionando a viagem, com conforto, admirando a paisagem, até à Figueira da Foz.”
Nesse sentido, “temos a promessa do Governo, que está a pensar e a estudar como requalificá-la e, pelo menos, até às Caldas da Rainha a linha será requalificada até 2020”, para que “o embarque de passageiros passe a ser feito definitivamente na Estação do Rossio”.
Para o autarca, “esta viagem será um reforço positivo para que o Governo equacione de vez a requalificação da linha”.
A modernização da Linha do Oeste é uma das reivindicações dos autarcas da região há vários anos, pois fez parte de um dos projetos aprovados no âmbito do plano de compensações pela não construção do novo aeroporto de Lisboa na Ota. No entanto, o projeto acabou por nunca ser executado, estando agora prevista a requalificação no âmbito do novo plano de intervenções a realizar até 2020.
Marlene Sousa e Mariana Martinho





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