As estradas são maravilhosas e as pessoas também! Ainda assim, não dispensam uma buzinadela a cada dois segundos, o que faz das autoestradas uma verdadeira orquestra. E, muitas vezes, quando não nos podem levar, querem oferecer-nos dinheiro ou comida, ajuda, sempre muitos sorrisos e alguma vergonha à mistura! Também os polícias nos ajudam sempre que podem, e muito por nós já fizeram. Desde nos darem boleia, a disponibilizarem o jardim da esquadra para montar a tenda, até mandarem parar os carros um por um até nos encontrarem nova boleia. Incansáveis!
Mas foi nas estradas que assistimos ao mais hilariante: testes de alcoolemia realizados sem equipamentos! O polícia manda parar, o condutor abre o vidro e, em pleno trânsito, tem apenas que soprar, soprar com muita força, para o nariz do senhor agente. Este cheira, e em função da sua perceção, manda (ou não) avançar! E como esta, há muitas outras situações das quais nunca nos lembraríamos e perante as quais ficamos estupefactos.
Pelas ruas das cidades, é difícil que estejamos sozinhos e por todo o lado se avistam casas de banho públicas! Estas são um espaço com várias latrinas, mas sem divisórias, tornando o momento íntimo num momento de confraternização, com a maior das naturalidades. Também nas ruas se encontram por todo o lado pequenas carrinhas de comida cheirosa mas nem sempre limpas! Em restaurantes idem, e é por isso que a acompanhar a refeição comem sempre dentes de alho crus, de forma a desinfetar o organismo.
E é no que respeita a comida que as coisas são verdadeiramente diferentes; dizem que comem tudo o que tem pernas, com exceção de pessoas e mobília. Vimos de tudo um pouco, com muita pena nossa, desde patinhos bebés, a aranhas e escorpiões, baratas ou centopeias. Até estrelas do mar estaladiças. E embora os pratos típicos variem do norte para o sul do país, é sabido que há também por cá o festival do cão. Quanto a bebidas, seja o que for, preferem-nas quentes por questõesão de saúde. Ajuda também o facto da água não ser potável, o que leva a que as famílias a fervam. Desta forma, com um chinês anda sempre uma garrafa de vidro.
Mais engraçado ainda no que toca a hábitos, são os associados a crianças: estas têm o direito de andar à vontade e, assim, trazem sempre um buraco no meio das calças ou calções por forma a ser só agachar e fazer sempre que tenham vontade, o que pode acontecer em qualquer lugar. Mas mesmo mais crescidinhos não se coíbem, ainda que à porta de um centro comercial.
E também é nas zonas comerciais e ruas iluminadas que podemos todas as noites assistir a grupos de pessoas a dançar, ao som de baladas típicas, sem que se consiga identificar quem é o mentor da aula. Com mais ou menos dificuldade, todos tentam praticar o seu desporto e são bem rígidos perante os seus objetivos.
Enfim, são infinitas as histórias, as tradições, as diferenças na forma de viver e estar. Mas foi grande a nossa surpresa! A doçura do povo chinês, a hospitalidade e a boa vontade são indescritíveis também. Em breve passaremos por Hong Kong e Macau: estamos cheios de curiosidade, e decerto traremos muito para contar.
Joana Oliveira e Tiago Fidalgo




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