O festival possui duas vertentes que se complementam do ponto de vista musical. Por um lado apresentamos (e este ano elevamos a fasquia) no CCC um programa de grandes nomes do lazz internacional. Por outro temos os jovens valores nacionais e projetos regionais em concertos informais, proporcionando uma visão alargada dos vários géneros que o jazz possui. Também não esquecemos as arruadas (neste ano foi feito pelas praias da região como promoção do festival) com um projeto Dixieland da Orquestra Monte Olivett.
Realçamos o fato de querermos incorporar projetos oriundos da grande tradição musical que são as filarmónicas e orquestras do concelho e da região.
Mas a novidade deste ano vai para o projeto que o compositor Daniel Bernardes e a professora Ana Cláudio vão apresentar a partir da criação de uma partitura musical para o ”Auto de S. Martinho” de Gil Vicente, (auto escrito por encomenda da Rainha D. Leonor para a inauguração da igreja Nª. Sra. do Pópulo) que integrará jovens alunos de uma escola da região e alunos da disciplina de teatro da Universidade Sénior Rainha D. Leonor. Temos expetativas elevadas com este programa.
O público correspondeu nas edições anteriores? Há uma crescente atração pelo jazz?
No ano passado tivemos um aumento interessante de públicos no CCC para alguns dos projetos mais conhecidos. Daí a nossa renovada expetativa para este ano, dado que o programa integra grandes músicos com um histórico internacional fantástico e como sempre também músicos portugueses reconhecidos internacionalmente. Também acreditamos que à medida que os anos passam os caldenses assumem este festival como seu e por consequência a sua adesão será maior.
Esta é a principal aposta organizativa do CCC?
O que acontece é que o CCC faz com este festival uma aposta mais elevada porque o dimensiona como um evento nacional, incorporando uma operação promocional mais abrangente com a ideia da criação de um foco relevante para a cidade e região. Também é verdade que este é o evento mais caro que temos, mas recordo que temos apostas também no domínio dos projetos com famílias (Familiarte) que desenvolvemos regularmente com a parceria do professor Bruno Prates, também apostamos nas residências artísticas que têm apresentado projetos de estreia mundial e proporcionado um acervo para a cidade de grande relevância com experiencias e envolvimento da comunidade em alguns projetos, não podemos também esquecer o Watercolour Meeting que tem trazido à cidade artistas oriundos de vários países que aqui criam e contribuem no acervo artístico para a cidade de grande importância, o Caldas Anima, um programa de artes de rua como nenhuma outra cidade da região possui e que tem animado a cidade no período de verão, conferindo-lhe uma imagem de marca que a valoriza e a destaca, a Clown School que em parceria com o Pim teatro, recebeu alunos da Europa e da América do Sul e que contou com formadores reconhecidos mundialmente como o caso do norte americano Jef Johnson, do argentino Victor Tomate Avalos e do australiano Rob Cartwright.
Além, claro está, da apresentação de uma programação regular que tem proporcionado à cidade e região um referencial importante.
Está satisfeito com a projeção nacional do evento?
A minha satisfação ainda não está concretizada, dado que o potencial existente neste projeto ainda não conseguiu reunir parceiros empenhados na sua importância para o destacar junto dos órgãos de informação nacional. Mas também tenho a consciência de que estes projetos que se fazem a pulso sem patrocínios do estado central e que têm que possuir um grau de rentabilidade financeira que garanta a sua realização e a sua sobrevivência apesar do apoio que o município local lhe dá, demora anos a afirmar-se e a criar um referencial com a força suficiente para que o registo seja apontado.
Que trabalho dá a preparação deste evento? Que investimento envolve?
O envolvimento que este projeto requer, condiciona toda a equipa que o CCC possui, obrigando-nos a um contributo extraordinário e que tem um ciclo de produção que dura o ano inteiro, com ênfase especial e com uma actividade frenética nos dois meses que antecedem e no mês em que se realiza.
A equipa é muito pequena mas muito profissional e contamos com a direção da Culturcaldas para a execução de todas as necessidades que redobram neste período.
O investimento neste programa ronda os 50.000€, sendo repartido entre a promoção e os espectáculos. Mas também temos que salientar alguns apoios promocionais que temos, somados dariam mais 30% de custos. Para a dimensão que este festival já possui podemos dizer com segurança que só com a gestão que fazemos é possível concretizá-lo.
Estamos cônscios que ainda nos faltam alguns degraus para fazermos história e de sermos reconhecidos em termos nacionais com um evento que marcará a cidade se tiver continuidade e der corpo ao universo que habitualmente envolvemos, fruição, formação, integração urbana e sua valorização, educação e animação. Esperamos que as entidades nos considerem parceiros estratégicos para o enriquecimento cultural e turístico da cidade e seu concelho.
Resta-me agradecer a todos os patrocinadores, apoiantes, parceiros, músicos e colaboradores, porque sem eles não podíamos considerar este evento um sucesso potencial.
Francisco Gomes




0 Comentários