Os 180 funcionários pertencem à empresa de São Mamede de Infesta contratada pelo Centro Hospitalar do Oeste (CHO). Os trabalhadores alegaram no dia 8 deste mês que não tinham recebido o salário de agosto porque o centro hospitalar não pagava à empresa, uma versão desmentida pela administração do CHO, que revelou “não existir dívida vencida relativa aos serviços prestados pela empresa”.
No meio dos desencontros de informações, num autêntico jogo do empurra, os trabalhadores fizeram duas manifestações, uma no Museu do Hospital e das Caldas e outra à porta da Comunidade Intermunicipal do Oeste, onde decorriam cerimónias com a presença da presidente da administração do CHO. Nesta última, os trabalhadores chegaram à fala com a presidente da Administração Regional de Saúde, que segundo os funcionários, terá ficado sensibilizada com a questão.
O certo é que, segundo os trabalhadores, o CHO transferiu 585 mil euros para a Tónus Global, o que permitiu o pagamento do mês de agosto. O que agora os preocupa é a possibilidade de a situação de incumprimento se repetir de novo em Setembro. “A empresa usou os funcionários para receber o dinheiro do CHO, mas não sabemos se vamos ter ordenado este mês”, afirmou Carla Jorge, porta-voz dos funcionários, entre os quais estão assistentes operacionais, técnicos, médicos e enfermeiros. “No serviço de urgência nas Caldas há quinze assistentes contratados e doze do quadro, na medicina são oito contratados e oito do quadro. Se pararmos de trabalhar vão ver a diferença que vai fazer, quando ainda por cima há falta de funcionários”, alertou Carla Jorge.
Os trabalhadores também se queixam de não poderem passar das 40 para as 35 horas semanais que já tiveram, por não serem considerados funcionários públicos, e de terem assegurado serviços mínimos em alturas de greve e turnos extraordinários sem terem sido remunerados.
Preocupações que manifestaram ao deputado comunista, que revelou ter apresentado um requerimento na Assembleia da República, dirigido ao ministério da saúde, em que questiona a situação dos trabalhadores.
PCP preocupado com trabalhadores
A comissão concelhia das Caldas da Rainha do PCP diz acompanhar “com grande preocupação e alguma indignação” a situação dos trabalhadores subcontratados do CHO”, que considera “inadmissível” e espera que “não tenha reflexos negativos na qualidade dos serviços prestados à população”.
“Depois de, durante vários anos, termos uma administração do CHO, presidida pelo dr. Carlos Sá, que tudo fez para reduzir serviços e valências (além de fechar o Hospital Termal) no Hospital das Caldas da Rainha, promovendo o afastamento das populações do serviço hospitalar, degradando os seus cuidados de saúde e criando uma situação de clara insatisfação nos profissionais de saúde do nosso Hospital, foi com uma esperança redobrada que acolhemos o novo conselho de administração, presidido pela dra. Ana Paula Harfouche. Esperávamos que situações como as que já se viveram anteriormente não se voltassem a repetir”, manifestou o PCP.
Francisco Gomes




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