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Toiros e toiradas

Homenagem a D. Vicente da Câmara

Luciano Silva

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Na passada sexta-feira, pelas 22 horas, realizou-se na Praça das Caldas uma corrida de toiros para homenagear D. Vicente da Câmara, recentemente falecido. Em noite de forte concorrência com António Zambujo, a atuar na Feira dos Frutos, a praça apresentou-se bem emoldurada de público, mas a finalidade do ato em si exigia uma lotação superior. Os que compareceram foram bons, não deixaram de estar com aficion e o devido sentimento, não esqueçamos que D. Vicente da Câmara com a sua voz inconfundível imortalizou o Fado das Caldas, dando desta forma projeção a esta cidade. Os forcados foram os primeiros a desfilar na arena e a escutar aplausos, seguiram-se as quadrilhas de bandarilheiros, depois campinos, pessoal da arena e por fim os três cavaleiros a escutar os aplausos maiores. Guardou-se respeitosamente um minuto de silêncio, para depois se iniciarem as cortesias ao som precisamente do Fado das Caldas, tocado pela banda de música caldense Comércio e Industria.
Apresentação do cartel (foto Paulo Espírito Santo)

Cavaleiros

António Telles, Filipe Gonçalves e Francisco Palha foram os cavaleiros em praça, sendo certo que cada um com o seu estilo próprio, todos contribuíram para um espetáculo de alta qualidade. António Telles, muito bem no 1º toiro da noite, com o seu habitual toureio clássico, com sortes à tira na ferragem comprida, para depois nos curtos chamar de longe e a ir reto para de outras vezes em curto fazer cites picadas, concluindo as sortes muito aplaudido.

Quando António Telles defrontou o 4º da ordem, um toiro bravo com muita pata, fazendo autênticas maratonas na perseguição ao cavalo, passou por alguns momentos de aflição. Porém, o cavaleiro, com grande valentia acabou por sair por cima a dominar o oponente. Filipe Gonçalves, aquando da 1ª lide, esteve simplesmente fantástico, sendo toda a atuação verdadeiramente triunfal. Imponentes e espantosos todos os ferros curtos, com destaque especial para o 3º, com cavalo e toiro a correr de frente um para o outro e ainda o 4º curto, a partir de longe, culminando com um quiebro espetacular no meio da praça.

O 5º toiro da noite deu inicialmente a sensação de ser deficiente visual ou então um manso perdido, pois não ligava nenhuma ao cavalo, sendo o cavaleiro obrigado a cravar os ferros compridos de qualquer maneira. Mas foi com o toiro a crescer ao castigo e com Filipe Gonçalves super esforçado, que este cavaleiro acabou por nos curtos ter uma faena arrebatadora, com os cavalos a dar grande show.

Francisco Palha, com o seu estilo calmo e toureio repousado, esteve igualmente muito bem, tanto no 3º como no último toiro, com ferros curtos soberbos em cambeadas arrepiantes já em cima da cara do toiro.

Toiros bravos e bravos forcados

Com alguma sorte ou por serem escolhidos a dedo, voltou a pisar esta arena outro bonito e bravíssimo curro de toiros, com pesos entre os 480 (apenas um), ultrapassando todos os restantes na casa dos 500 até aos 540 quilos. Mas se a apresentação importa, a bravura é fundamental e aí a Ganadaria Viega Teixeira, chamada a dar volta à arena, está de parabéns.

Para os bravos forcados é que a vida esteve complicada, pois os toiros derrotavam com muita dureza mal se sentiam agarrados. Ainda assim, não recolheu nenhum toiro sem ser pegado, acontecendo até tanto pela parte do grupo de forcados amadores de Montemor como da parte dos amadores das Caldas da Rainha enormes pegas carregadas de muita emoção.

Onde estavam as entidades oficiais desta cidade?

Não comparecer na homenagem póstuma a D. Vicente da Câmara, figura que tanta promoção deu ao nome de Caldas da Rainha, só pode revelar imperdoável distração, falta de cumprimento, de sentimento e pior ainda, falta de reconhecimento.

Dizer ainda que em relação a tal homenagem, no intervalo da corrida foi descerrada nos corredores da praça uma lápide, para que D. Vicente da Camara possa permanecer para sempre ligado às Caldas da Rainha. Acrescentar também que no espaço da recolha de cada toiro, foram sempre ouvidos por três fadistas “Os Marialvas” os fados mais emblemáticos de D. Vicente da Câmara.

Aceitamos que devido à crise e ao seu preço, a oferta de flores aos toureiros quando estes no final das lides dão a volta à arena tenha passado de moda. Agora arremessar duas almofadas como foi o caso, muletas e até sapatos noutras ocasiões, isso não.

Luciano Silva

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