O último dia da Feira dos Frutos foi o que teve mais afluência. Ao final da noite, para ouvir Ana Moura não só o recinto do palco como outras zonas do Parque rechearam-se de uma multidão de fãs da fadista, que trouxe consigo cinco músicos, cantou e dançou, animando o público que não poupou elogios à sua voz.
Terminou com o fado Búzios, a pedido dos fãs, que a acompanharam durante a música. “Fico muito feliz por saber que hoje foi a noite com mais pessoas no concerto, realmente estava uma moldura de gente em frente ao palco incrível”, disse Ana Moura à imprensa no final do concerto. “Quando cantei aqueles temas mais contidos as pessoas estavam num silêncio absoluto e depois reagiram muito bem aos temas mais alegres, foi fabuloso”, adiantou a fadista.
A nova geração de fadistas atrai os jovens que já começam a gostar de fado. Ana Moura referiu que no final dos concertos tem a oportunidade de falar com as pessoas e percebe que “há imensos miúdos que pedem aos pais para os trazerem ao concerto”. “É transversal e muitas vezes chegam pedidos para eu visitar escolas. Houve um episódio onde um professor de música de um estabelecimento de ensino me convidou porque ficou espantado quando perguntou às crianças que música criam cantar no final do ano e eles escolheram o meu tema Desfado”, contou Ana Moura, adiantando que fez uma surpresa às crianças e apareceu no espetáculo do fim de ano a “cantar com elas”.
O Dia de Folga é um dos seus maiores êxitos, mas nos seus dias de folga “apesar de também gostar de ouvir música e estar sempre a cantar em casa, também há necessidade de silêncio”.
O Desfado foi um disco que saiu completamente fora daquilo que que “tem feito”, e foi, segundo a cantora “muito bem recebido pelo público e em duas semanas atingiu o galardão de platina e agora já é dupla platina, numa altura que não se vendem discos, o que é incrível”.
Foi a primeira vez que a fadista atuou nas Caldas da Rainha. Não conhecia o Parque D. Carlos I, mas diz que com os concertos tem a oportunidade de visitar o país.
Fernanda Paulo com emoção nas Caldas
A chuva caiu na tarde de quarta-feira mas chegada a hora do espetáculo de Miguel Araújo, o recinto encheu.
Foi cerca de uma hora e meia de desfile de grandes momentos, que comprovaram o porquê de ser um artista de êxito.
O público animou com a canção que o fez saltar para a ribalta, ‘Os maridos das outras’.
A caldense Fernanda Paulo e António Zambujo também encantaram o público. Foi outra grande enchente na sexta-feira.
Mas antes do músico subir ao palco, a cantora e atriz caldense Fernanda Paulo animou o público. As palmas soaram bem alto quando lembrou que era das Caldas e recordou os amigos e professores, nomeadamente as docentes de português que lhe incutiram a paixão pela poesia.
A sua carreira tem vindo a evoluir em dois polos artísticos, o do teatro e o da música, que se cruzam constantemente na maioria dos trabalhos em que participa.
Foi para a cantora caldense uma honra cantar da sua terra natal e no final revelou ao público que vai estar no palco novamente nas Caldas da Rainha no dia 19 de novembro, com um espetáculo no grande auditório no CCC.
Em declarações aos jornalistas recordou que “a última vez que atuou nas Caldas da Rainha tinha doze anos, porque fazia parte do projeto Prata da Casa, onde tinha uma voz “aguda de menina”.
“Fui morar para Lisboa, tenho cantado na capital e noutros países e hoje voltei e logo na primeira fila vi amigos, e antigos professores”, disse a cantora, com emoção de ver pessoas e amigos que nunca “esqueceu e tem no coração”. Até conseguiu ver a sua professora da escola primária.
No CCC no dia 19 de novembro vai apresentar o seu novo CD, que se baseia mais em fado e sobretudo na sua “ânsia de cantar em português”, aliado ao seu gosto pela poesia.
Apesar de gostar de cantar fado, não gosta de se denominar de fadista, porque também gosta de fazer “outras coisas e isso faz de mim uma pessoa com influências do fado mas que também põe o pezinho noutras áreas”.
No seu espetáculo nas Caldas quer mostrar a imagem de uma cantora que “faz muita coisa”, nomeadamente por causa da sua formação “muito eclética”. Recordou que frequentou o conservatório de música que nada tem “a ver com o fado” e tem trabalhado em teatro.
António Zambujo cantou sozinho em palco, tocando à guitarra acompanhado por cinco músicos. Tocou boas músicas e conversou com o público, repetindo várias vezes “como é bom cantar em massa”. Logo nos primeiros temas agradou a assistência e no final mostrou-se satisfeitocom o espetáculo.
Antes da sua atuação teve tempo para visitar o parque e ficou encantado, até colocando uma foto no facebook. À imprensa depois da sua atuação disse que “o ambiente estava fantástico, as pessoas estavam muito entusiasmadas”.
Pedro Abrunhosa na…Marinha Grande
Apesar do maior enchente ter sido no domingo, sábado não ficou muito atrás com milhares de pessoas que vieram assistir ao espetáculo de Pedro Abrunhosa. O recinto dos concertos no Parque D. Carlos I encheu por completo para receber o cantor.
No início cometeu uma gafe e disse três vezes Marinha Grande, até receber um bilhete a dizer que estava nas Caldas da Rainha. Apesar desse incidente, muito comentado nas redes sociais e fora delas nos dias a seguir, Pedro Abrunhosa cativou o público através da sua música e postura descontraída.
Privilegiando o contacto direto interativo com o público, o cantor deliciou os fãs com alguns temas do seu vasto repertório. Convidou por duas vezes os jornalistas e fotógrafos ao palco para registar a moldura humana que estava no recinto.
“Os espetáculos são sempre tão bons quanto o público”, sublinhou, destacando a grande interação que houve com a assistência, daí ter pedido “aos jornalistas para irem ao palco ver a cumplicidade e o diálogo que se estabelece com as pessoas que estão a assistir à atuação”
Quanto ao cartaz de música na Feira dos Frutos 2016 ser totalmente nacional, Pedro Abrunhosa respondeu que se a fruta “é nacional, porquê não ter músicos também nacionais”.
Sendo um lutador pelas causas e produtos nacionais, assumiu-se como consumidor da pera rocha. “Faço desporto e uma alimentação saudável”, contou. Em relação à Feira dos Frutos 2016, afirmou que se conseguiu um “equilíbrio muito interessante entre aquilo que é marca do Oeste com o que de melhor que se faz em termos de música”.
Apesar de não ser contra músicos de outros países, considera que “nós temos suficiente qualidade que possa suportar uma iniciativa destas em termos musicais”.
Quanto a novos projetos, Pedro Abrunhosa revelou que mal acaba um disco “começo a trabalhar noutro”. Está na fase da escrita e espera começar brevemente a gravar para ter um novo disco daqui a uns meses.
Apesar da crise e do terrorismo, Pedro Abrunhosa declarou que o que mantém as pessoas de pé é “a capacidade de interpretarmos o mundo de uma forma positiva”. “Conseguir hoje no palco este abraço invisível em que as pessoas se entregaram e mergulharam na tristeza e na profundidade com canções como o A.M.O.R. ou o Aleluia, em que existiu um silêncio de uma multidão destas, isso quer dizer que as pessoas precisam da luz de esperança e a música é a melhor forma do exorcismo social da dor”, explicou o músico. “Há hoje aqui muita gente que tem muitos problemas e que hoje foi feliz”, concluiu.
Marlene Sousa











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