Na última conferência do ciclo “Regresso às termas”, que se realizou no passado sábado no Museu José Malhoa, o secretário de Estado de Desenvolvimento e Coesão revelou que “o governo decidiu aumentar mais 10% o pacote associado aos projetos estratégicos e desenvolvimento urbano”, o que significa que a autarquia tem de iniciar durante este ano, um dos projetos com 15% do executado para receber o financiamento.
A sessão moderada por Jorge Mangorrinha contou com apresentação sobre o que “a Câmara está a fazer para relançar e reabrir o Hospital Termal das Caldas da Rainha”, em que Tinta Ferreira defendeu a ideia de abrir o Hospital Termal com “pequenas intervenções para 2017”.
Nelson de Souza, secretário de Estado de Desenvolvimento e Coesão disse que a “questão do termalismo pode ser uma âncora a volta da qual se tem criado, um novo núcleo de competências e de valências, que permitirá criar à volta das Caldas uma nova afirmação”. Ainda revelou que “a solução encontrada pela autarquia, julgo ser a melhor, em termos de organização, pois integra todas as valências que lhe poderão dar um uso integrado”.
“Aquele hospital é um instrumento de política”, afirmou o secretário de estado, adiantando que “qualquer ministério tem interesse de usar aquele edifício para o desenvolvimento das suas políticas”.
O secretário de Estado de Desenvolvimento e Coesão também salientou que existe “um crescente mercado na procura ligado ao idoso”, cada vez mais com rendimentos e que “temos de ter um segmento de serviços adequada a este tipo de segmentos em todas as áreas”. Ainda destacou que é preciso ter uma oferta integrada através do marketing técnico.
“Temos recursos disponíveis dos fundos estruturais, que temos todo o interesse e disponibilidade para implantar esse tipo de estratégias”, salientou, acrescentando que o “hospital termal está incluído na estratégica conjunta de rede de requalificação de estâncias termais da região centro, designada como PROVERE (Programa de Valorização Económica das Estâncias Termais da Região Centro) que cobre 22 estâncias termais.
Nelson de Souza também deu uma novidade à comunidade caldense, que “o governo decidiu aumentar mais 10% o pacote associado aos projetos estratégicos e desenvolvimento urbano”. Isto significa que este pacote tem de se iniciar durante este ano, basta “pegar num dos projetos e começar a iniciar com 15% do executado, depois confere-lhe o direito a ter mais 10% do pacote todo”.
Reabertura dos tratamentos termais para 2017
Na sessão também interveio Tinta Ferreira, presidente da Câmara Municipal que sublinhou o desinvestido da Administração Central na manutenção do património termal, o que originou “uma degradação continuada que culminou nas sucessivas suspensões de funcionamento da atividade termal, enquanto não fossem realizadas obras de relevo”.
Para o presidente da Câmara, “temos o dever de continuar a lutar para inverter esse processo e por isso, pegar no nosso destino (hospital termal) e nas nossas mãos para inverter o sistema e reabrir o hospital”.
Tinta Ferreira também revelou que neste momento a autarquia encontra-se a “elaborar o programa para o concurso público para o projeto de obra de requalificação de profundidade do Hospital Termal e balneário novo”. Revelou ainda que o objetivo é abrir o hospital com “pequenas intervenções, que permitam o reinício dos tratamentos termais, com equipamentos novos mas simultaneamente vai ser feito um projeto de reabilitação adequada aos edifícios para inserir no concurso público, no valor de três milhões de euros e essa sim, vamos tentar concorrer aos fundos comunitários”.
De acordo com o autarca, encontra-se em curso a elaboração de um plano de gestão do parque para apresentar na Direção Geral do Património Cultural, a obra de substituição da rede de distribuição das águas termais e a elaboração de um programa de concurso nacional para uma eventual concessão de um hotel de luxo para os pavilhões do parque e da antiga casa da cultura.
“Estamos a tratar com as entidades que tutelam as áreas do turismo e cultura para considerar alguns aspetos que permitam depois a candidatura a programas de financiamento comunitário dos empresários”, indicou o responsável, adiantando que caso não seja possível, “nós em simultâneo, estamos a preparar um projeto de intervenção urgente para evitar que os pavilhões caiam”. Essa intervenção custará entre 400 a 500 mil euros.
Tinta Ferreira também considerou a possibilidade de uma “eventual parceria na gestão do Hospital Termal, com o Montepio Rainha Dona Leonor”, um protocolo de colaboração que consagre as competências no termal e ainda “criar condições para que possa haver um programa de financiamento, que ajude a alavancar investimentos ao nível dos pavilhões do parque para ter um hotel de cinco estrelas”.
Para o futuro imediato, o autarca realçou que a “intenção é reabrir os tratamentos termais no Hospital Termal para 2017”, com duches e banheiras na ala sul do 1º piso, bem como tratamentos respiratórios e inalações no balneário novo. Ainda sublinhou a possibilidade de aumentar os serviços em 2017 no balneário novo, com a introdução de outro tipo de banheiras e valências, bem como a concessão dos pavilhões do parque para a conservação e salvação do edifício.
“A nossa intenção é ter o hospital termal reabilitado e a funcionar todo ano com a possibilidade de ter 4 a 5 mil utentes até 2020”, considerou o autarca, adiantando que o “objetivo é aumentar para 10 mil utentes até 2025”. Além disso, defende a ideia de criar no hospital termal uma unidade especial, com contextos de formação e investigação e com uma componente museológica.
“Esta aposta da parte do município significa um investimento que diminuirá as possibilidades de investimento em outras coisas”, revelou, acrescentando que as “contas do município vão ter uma ligeira alteração, mas é um investimento necessário para a comunidade caldense”.
Segundo Carlos Coutinho, diretor dos museus de Cerâmica, José Malhoa e Joaquim Manso (Nazaré), as “termas são importantes para que a cidade possa bater com mais força e são o coração da nossa cidade”. Também revelou que o número de visitantes estrangeiros tem vindo a crescer, com 25 mil anuais, e são “esses os primeiros a perguntar ao museu o porquê das termas não estarem abertas”.
Vítor Marques, presidente da União de Freguesias Nª Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório também interveio na conferência para salientar a importância das termas e do hospital termal para a região. “Temos um hospital único, com uma localização geográfica fantástica”, afirmou o responsável, acrescentado que uma “quota termal diferenciada em Caldas e Óbidos” seria uma forma de “todos ficarmos a ganhar e de ambas beneficiarem de mais visitantes aqui na região”.
O presidente da União de Freguesias Nª Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório também sublinhou que ao “longo destes anos sentimos que fomos amputados, com o encerramento da atividade termal”. Ainda destacou que “agora é a altura de recriarmos esta possibilidade de voltar a ter estes dois braços e essas duas pernas, pois o Hospital Termal faz-nos falta.
Para encerrar Jorge Mangorrinha fez um breve resumo do ciclo de conferências, que contou com a presença de diversos convidados como Manuela Hasse, Clara Azevedo, António Eloy e João Pinto Barbosa.
“Inteligente deverá ser o processo de construção de uma região termal Caldas e Óbidos, com base no termalismo e com diversas ofertas terapêuticas e bem-estar”, destacou Jorge Mangorrinha, adiantando que essa ideia de “complexo turístico” defendida pelo convidado João Pinto Barbosa “precisa de um apoio do Estado, com o regresso das comparticipações, de modo a atenuar os gastos que o governo tem presentemente com a saúde”.
O arquiteto também sublinhou que “um projeto novo de termalismo deve ser pensado como uma ideia de cidade termal”. Além disso, frisou que “uma cidade termal é possível desde que venha a economia e a cultura associadas, sendo elementos importantes no quadro referencial da região”.
“A cidade não deve se fechar em si mesma, por isso torna-se fundamental inseri-la em rede internacionais designadamente potenciando o seu património”, esclareceu Jorge Mangorrinha, adiantando que “ espero que a gestão autárquica saiba investir e sobretudo envolver a iniciativa privada com níveis de exigência”. Ainda afirmou que “não deve-se colocar mais entraves à realização do processo termal como património nacional, uma aposta entre o equilíbrio do património arquitetónico e as funções, no caso do hospital termal e pavilhões do parque”.





0 Comentários