Tomar banho na piscina da rainha no Hospital Termal pode render milhões de euros

Marlene Sousa

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“As termas das Caldas da Rainha devem ser mais direcionadas para a vertente terapêutica, para tratamento de patologias, e as termas de Óbidos mais vocacionadas para o bem-estar”.
Conferência “Qual será o papel do cluster Caldas da Rainha-Óbidos para o futuro do País termal?”

“As termas das Caldas da Rainha devem ser mais direcionadas para a vertente terapêutica, para tratamento de patologias, e as termas de Óbidos mais vocacionadas para o bem-estar”. É a opinião do secretário-geral da Associação Termas de Portugal, João Pinto Barbosa, que foi o orador da conferência sobre “Qual será o papel do cluster Caldas da Rainha-Óbidos para o futuro do País termal?”, que decorreu no passado dia 18, no Casal da Eira Branca, em Infantes, nas Caldas da Rainha.

De acordo com João Pinto Barbosa, haver programas termais idênticos seria trágico para Caldas e Óbidos. “Faz todo o sentido até do ponto de vista de marketing trabalhar conjuntamente como destino de saúde mas com motivações diferentes”, disse, acrescentando que “o destino deve ser trabalhado em conjunto percebendo as especificações de cada um e tendo um foco orientado para segmentos diferentes, respeitando a identidade de cada uma das realidades”.

Porque não criar nas Caldas da Rainha uma estância termal virada para a recuperação após uma cirurgia? “É mais barato do que uma cama de hospital e muito mais agradável fazer a convalescença após cirurgia, em ambiente termal”, adiantou o orador.

Enquanto destino termal, Caldas da Rainha “não pode perder a sua identidade”, isso seria um erro gravíssimo”, sustentou, salientando que “não se pode renegar a realidade da história e cultura do primeiro hospital termal do mundo nesta terra”. “Há que apostar na história do século XIV e criar condições para ser o mais competitivo e mais profissional possível”, indicou o secretário-geral.

Já pensou em incluir um banho em águas termais na piscina da Rainha D. Leonor, no Hospital Termal mais antigo do mundo nas Caldas da Rainha, na sua lista de desejos? João Pinto Barbosa defende a recuperação da piscina do Hospital Termal e vendê-la como um destino autêntico e singular que pode render milhões de euros. “Quando eu mostro esta piscina num congresso internacional, as pessoas ficam doidas e perguntam se podem lá tomar banho”, revelou, considerando que se “pode criar um ritual exclusivo e raro à volta desta realidade”. Considera que poderá ter muitos visitantes do país e a nível internacional com um preço que poderá chegar aos mil euros por banho.

O orador defende ainda para as Caldas da Rainha um programa termal “diferenciador, diversificado e sofisticado”, com valorização da oferta de programas integrados de programa de saúde e bem-estar em combinação com experiências turísticas com forte identidade local/regional, experiências culturais e de contato com a natureza.

Considera que se deve capturar o mercado internacional cuja motivação primária de visita “não é turismo de saúde e bem-estar, termas”. “Porque não criar um pacote de termas com o Inatel da Foz do Arelho, onde as pessoas possam fazer tratamento e ficarem alojadas junto à praia”, sugeriu João Pinto Barbosa.

Mesmo sem a comparticipação do Estado em tratamentos termais, o orador disse que em 2014 houve um crescimento na procura dos 34 balneários termais oficiais existentes em Portugal.

Defendeu que a Associação Termas de Portugal tem que convencer claramente “as pessoas, os médicos e o Governo que os tratamentos termais são um fenómeno essencial na prevenção”. “As termas não fazem desaparecer mas atenuam as crises de asma, doenças respiratórias, renites alérgicas, episódios de reumatismo entre outras patologias”, apontou, defendendo a comparticipação de tratamentos termais porque compensa os gastos que o Governo tem com a saúde.

João Pinto Barbosa revelou que criaram recentemente para todas as termas do país uma oferta de prevenção de doença e promoção de saúde de seis dias para cativar a população urbana ativa e mais jovem. O projeto “Semana de Promoção de Saúde em Termas” tem como motivação de procura “anti-stress, pernas ligeiras, costas leves e controlo de peso”.

Esta foi a quarta sessão que decorreu no Casal da Eira Branca, no âmbito do ciclo de conversas “Regresso às Termas”, pela importância que o tema tem para a valorização turística da região.

A última conferência, moderada por Jorge Mangorrinha, irá ter lugar no dia 2 de julho, pelas 16h00, no Museu José Malhoa, com a presença do presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, que irá encerrar o ciclo de sessões com uma apresentação sobre o que a Câmara está a fazer para relançar e reabrir o Hospital Termal das Caldas da Rainha.

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