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Fotografia de rua de Vasco Trancoso no livro “World Street Photography 3”

Francisco Gomes

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A World Street Photography editou um livro que integra uma fotografia da autoria de Vasco Trancoso, que reside nas Caldas da Rainha, cidade onde foi médico gastroenterologista, diretor clínico e presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar.
Foto de Vasco Trancoso

A World Street Photography editou um livro que integra uma fotografia da autoria de Vasco Trancoso, que reside nas Caldas da Rainha, cidade onde foi médico gastroenterologista, diretor clínico e presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar.

O livro, com 200 páginas, tem 141 “fotografias de rua” (de 117 autores representando 34 países) selecionadas de entre 30.424 (de 2800 fotógrafos) publicadas durante 2015. Seis curadores trabalharam arduamente nesta escolha.

A foto publicada no capítulo sobre o “Momento Decisivo” é uma das quatro tiradas por portugueses. Vasco Trancoso, de 72 anos, tirou-a em setembro do ano passado com a sua Canon EOS 5D Mark III na rua do Norte, no Bairro Alto, em Lisboa. “Enquanto passava pela rua do Norte e fazia a foto estas senhoras [na imagem] estavam tão entretidas a comentar uma revista que liam que não deram por mim. Uma delas abriu a boca e “fez” a fotografia. Fica o enigma! Terá sido tédio? Espanto? Aborrecimento? Sono?”, comentou.

Segundo o fotógrafo, “durante os últimos anos a street photography [fotografia de rua] tornou-se amplamente aceite como uma forma de arte e expressão. Cada vez mais pessoas aprendem a apreciar e a entender esta modalidade. Shakespeare comparou o mundo a um palco, em que as pessoas são atores desempenhando o seu próprio papel. Na actualidade muitos fotógrafos de rua têm adotado a ideia de que a própria rua é como um teatro onde o palco está montado, e esperam que os eventuais atores entrem em cena”.

“Uma das situações mais interessantes e belas da fotografia de rua é o significado que pode estar por detrás das imagens, que deixam tudo em aberto para as diferentes interpretações de cada observador. Daí serem cada vez mais valorizadas as fotografias de rua que privilegiam a possibilidade de encontrarmos alguma narrativa nas entrelinhas das expressões e ou situações dos vários personagens, não se limitando a uma perspetiva de reportagem ou apenas descritiva”, descreveu.

Ao longo do ano há várias competições e em cada uma delas existe o “viewers choice” – vencendo a que tem mais votos dos outros fotógrafos da World Street Photography. De entre todas, os seis curadores selecionaram apenas três (entre as quais a de Vasco Trancoso) para incluir no livro.

“Sinto-me honrado e muito satisfeito por ter uma foto publicada. Penso que a fotografia portuguesa beneficia de uma maior visibilidade, já que nos anos anteriores não tinha estado representado qualquer autor português. Para mim é importante ver o meu trabalho reconhecido internacionalmente. Será mais um incentivo para tentar fazer uma exposição e publicar um livro com o meu trabalho de fotografia de rua feita ao longo dos últimos dois anos. Como 90% das fotos foram feitas nas Caldas da Rainha o seu conjunto acaba por representar, para além de uma crónica sobre mim mesmo, uma certa crónica desta cidade”, disse Vasco Trancoso ao JORNAL DAS CALDAS.

A arte fotográfica de Vasco Trancoso já recebeu vários prémios e até largos elogios de um sítio de fotografia na internet dos Estados Unidos. Ao sítio Photzy explicou que fascina-o a “imprevisibilidade”. “Não tenho um plano pré-determinado. Gosto de andar aleatoriamente, esperando encontrar um dos ‘milagres’ do dia. O mundo é cheio de oportunidades para fazer grandes fotos”, relatou.

“A fotografia para mim é um espaço de liberdade, em que por vezes me esqueço de mim. Não sei se o que faço é fotografia de rua. Os mais puristas argumentam que deve ser feita subrepticiamente sem necessidade de consentimento do fotografado, mas vivemos num tempo em que as leis e as pessoas ‘atacam’ quem tira fotos nas ruas. Prefiro dizer que as minhas fotos são feitas nas ruas e com pessoas. Não lhes peço para sorrir e evito sorrisos estereotipados. Procuro expressões genuínas que aparecem durante a conversa”, manifestou Vasco Trancoso.

Está prevista a exposição de algumas das fotografias constantes no livro da World Street Photography entre 14 de julho e 1 de Setembro, em Hamburgo. A venda dos livros reverte a favor da organização Ashalayam, que dá abrigo, educação e alimentação a crianças que vivem nas ruas de Calcutá.

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