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Escola vai aceitar à revelia as matrículas dos alunos em início de ciclo

Colégio Rainha D. Leonor na manifestação nacional em Lisboa

Marlene Sousa

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Mais de 700 pessoas em defesa do Colégio Rainha D. Leonor (CRDL) participaram no domingo na manifestação que juntou cerca de 40 mil pais, alunos e professores em frente à Assembleia da República, em Lisboa, convocada pelo movimento contra os cortes nos contratos de associação.
Cerca de 700 pessoas em defesa do Colégio Rainha D. Leonor participaram no domingo na manifestação em Lisboa

A diretora pedagógica do CRDL, Sandra Santos, referiu ao JORNAL DAS CALDAS que o número de apoiantes das Caldas superou a expectativa, “o que prova que a comunidade educativa do colégio “está unida na luta na defesa do projeto educativo desta escola”.

O CRDL, que perdeu o financiamento para as turmas em início de ciclo vai à revelia dos outros colégios do país na mesma situação aceitar as matrículas e iniciar o ano letivo com esses alunos.

Paula Salvador, presidente da associação de pais, fez um balanço positivo da manifestação, revelando que “mais do que a defesa do colégio é o fato de não termos sido ouvidos pela secretaria de Estado antes de ter anunciado o número de turmas financiadas”. “Estamos também a reivindicar a falta de diálogo e acho que foi uma medida à revelia”, sublinhou.

Acusou o Ministério da Educação de ter feito um estudo de rede através Google. “Traçaram os quilómetros em relação à disponibilidade da escola e envolveram o concelho de Óbidos”, afirmou Paula Salvador, preocupada nomeadamente com os décimos anos, porque “a Josefa de Óbidos também tem fator 4 ou 5, o que significa que está sobrelotada”.

Paula Salvador disse que na passada semana a associação de pais do CRDL reuniu-se com a associação de pais das escolas dos agrupamentos Rafael Bordalo Pinheiro, D. João II e Raul Proença, e que todos “partilharam as mesmas ansiedades quanto ao futuro e qualidade do ensino das Caldas da Rainha”.

As associações de pais de todas as escolas vão fazer um memorando das conclusões da reunião em relação aos alertas comuns e àquilo que os preocupa enquanto encarregados de educação.

A associação de pais do CRDL vai ainda realizar um fórum no mês de julho para esclarecer os encarregados de educação, pois “há muita contra-informação”.

Quanto à análise dos estudos e decisões apresentadas pela tutela, Sandra Santos, disse que “é evidente que a capacidade para absorver as turmas do CRDL não existe no concelho das Caldas da Rainha”. Alegou que na “análise da rede de estabelecimentos do ensino particular e cooperativo com contrato de associação”, de 24 de maio, as escolas do concelho das Caldas da Rainha “apresentam todas um nível de ocupação 4 ou superior”. “Ora, essa capacidade, hipoteticamente a existir, será obtida com o somatório das escolas do concelho das Caldas da Rainha e do concelho de Óbidos, o que significará, naturalmente, que o Ministério da Educação pretende transferir alunos residentes no concelho das Caldas da Rainha para as escolas do concelho de Óbidos – com custos associados ao transporte, mas sem garantia sobre quem os assumirá”.

A diretora pedagógica recordou que o “aviso de abertura de procedimento para celebração de contratos de extensão de contratos de associação”, de 20 de maio, ignora de forma grosseira o contrato de associação assinado em 20 de agosto de 2015, e não coloca a concurso qualquer turma de início de ciclo na área geográfica do CRDL, quando o referido contrato considerava necessária a abertura de doze turmas (cinco turmas de 5.º ano, quatro turmas de 7.º ano e três turmas de 10.º ano) de início de ciclo para cada ano letivo (36 turmas no total dos três anos letivos abrangidos pelo contrato)”.

O CRDL está a tomar as devidas previdências para evitar que esta pretensão da tutela siga em frente, “colocando em causa a possibilidade dos alunos residentes nas Caldas da Rainha poderem frequentar o ensino no seu município, perto das suas casas”.

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