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Passagem do IPL a universidade e relação da ESAD.CR com as Caldas em debate

Francisco Gomes

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O ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, descartou a possibilidade de passar o Instituto Politécnico de Leiria (IPL), onde está inserida a Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR), ao estatuto de universidade.
Manuel Nunes, João Frade, Joana Agostinho, Joana Filipe, José Carlos Faria e Rui Gonçalves

A pretensão é antiga. O estatuto de universidade é reclamado pelo IPL para lecionar doutoramentos. Mas é esta uma medida necessária ou o IPL pode tornar-se um politécnico de referência ao nível da Europa sem esta alteração? E no caso da ESAD.CR, está a escola completamente integrada na comunidade caldense ou o que pode ser feito para melhorar esta relação?

Foram duas questões colocadas na semana passada no programa Pontos de Vista (parceria Mais Oeste Rádio/Jornal das Caldas).

Joana Filipe, do Bloco de Esquerda, disse que se o IPL ganhasse este estatuto “traria benefícios acrescidos, porque existe mais financiamento para investigação e equipamentos” e apesar da ESAD.CR ser “internacionalmente reconhecida, recebe alunos de vários pontos do mundo e beneficiava se fosse universidade politécnica”.

Sobre a integração da ESAD.CR na cidade, considerou que “poderia estar mais se houvesse mais diálogo entre a autarquia e a ESAD.CR, se a Câmara apoiasse mais e não hostilizasse podia ser que a ESAD.CR se sentisse mais parte das Caldas”.

Para Rui Gonçalves, do CDS, a passagem a universidade era um meio de financiamento, que agora escapa. “Há uma forma que é alterar a lei, para que, cumprindo determinados parâmetros, passasse a fazer doutoramentos”, referiu.

Em relação à ESAD.CR, sustentou que “já houve uma altura em que não estava bem integrada, mas tem vindo a fazer esse caminho, através das suas iniciativas”.

Manuel Nunes, do PS, argumentou que a passagem a universidade era “uma questão de estatuto que permite outro tipo de financiamento”. Admitiu que se terá de ultrapassar “certos lobbies de Lisboa, Coimbra e Porto”.

Quanto à ligação à cidade, recordou que a Assembleia Municipal aprovou “há uns quinze anos” a construção de um “corredor criativo” para fazer “ligação física entre a ESAD.CR e o centro da cidade”, mas que nunca foi desenvolvida.

Joana Agostinho, do MVC, defendeu que a passagem a universidade traria ganhos internacionais, fazendo notar que “a faixa entre Lisboa e Coimbra precisa deste tipo de fixação, porque as universidades são impulsionadoras de riqueza e distinguem-se pela diferença”.

“Pelos eventos nota-se que há uma ligação com a comunidade, mas por vezes falta um pouco de compreensão pela comunidade por ser uma área muito inovadora e criativa. Pode haver falha e tem de haver abertura de ambos”, comentou.

João Frade, do PSD, concordou que a transformação em universidade “seria positiva, dava mais prestígio, para além da parte financeira”. Acha, no entanto, que Leiria “é uma capital de distrito com pouco peso para se impor”.

Sobre a ESAD.CR, afirmou que “já começa a ser reconhecida no exterior pela qualidade dos cursos” e rejeitou a ideia de que a Câmara não apoia.

“Até se pede a opinião à escola para a obra de requalificação do espaço urbano e está a ser falada com a escola a colocação de azulejos feitos por professores e alunos da ESAD.CR” na fachada do novo posto de turismo. “Está a haver um diálogo maior para haver integração, mas também se criou um mito de afastamento. Podia haver uma separação física que podia dar essa impressão, mas não existe”, declarou.

José Carlos Faria, da CDU, referiu as vantagens dos doutoramentos para a rentabilidade económica e para “recolher apoios que permitiriam ter capacidade de investigação alargada” e no caso da ESAD.CR “laboratórios com tecnologia de ponta”. Por outro lado, destacou, “o IPL tem acima de 54% de professores doutorados, houve instituições de natureza privada que passaram ao estatuto universitário com menos requisitos do que o IPL oferece”. “O distrito de Leiria não tem universidade e não se percebe os critérios do ministro ao dizer que “universidade nem pensar”.

“A relação da ESAD.CR com a comunidade tem vindo a melhorar. Não é só retração da comunidade, também houve uma atitude de sitiado e de alguma sobranceria da ESAD.CR em relação à comunidade”, manifestou.

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