A detenção ocorreu no Casal da Charneca, onde meia centena de suinicultores colocou gravilha no IC2, impedindo o trânsito, como momentos antes tinha acontecido na Vendas das Raparigas, na Benedita.
No sentido de repor a ordem e a tranquilidade pública, foram mobilizados diversos meios para o local, tendo sido inclusivamente acionada uma máquina retroescavadora para efetuar a limpeza e a desobstrução da via;
Segundo a GNR, “quando a máquina se preparava para iniciar a limpeza da via, as pessoas presentes no local começaram a aglomerar-se, insultando os militares da GNR e o operador da máquina. Foi registado o lançamento de pedras em direção aos militares e ao operador, pondo em grave risco a sua integridade física. O arremesso de pedras causou inclusivamente danos na própria máquina”.
De acordo com a GNR, “foi ainda registada uma reação intempestiva e agressiva por um grupo de pessoas que investiu em direção ao cordão de segurança estabelecido pelo militares da GNR, que pretendia salvaguardar a integridade do operador da retroescavadora, tendo sido agredidos dois militares da Unidade de Intervenção que integravam o dispositivo de segurança, que sofreram murros e pontapés em várias partes do corpo”. A GNR alega que foi utilizada a força adequada.
Em resultado das agressões foram detidas dois suinicultores, identificados como os autores das agressões. Dinis Carmo, de 25 anos, e Luís Rodrigues, de 51 anos, têm uma versão diferente, e acusam a GNR de abusar da força, negando terem protagonizado qualquer agressão. Pelo contrário, Luís Rodrigues diz que ele é que foi barbaramente agredido no chão por militares da GNR, o que o levou a ficar a sangrar e com marcas nos lábios. Recebeu assistência no hospital de Leiria.
No tribunal de Alcobaça, no final das diligências efectuadas por um oficial de justiça do Ministério Público, onde tal como seis militares da GNR os dois detidos foram ouvidos, Dinis Carmo e Luís Rodrigues foram constituídos arguidos. São acusados de injúria agravada e resistência e coação (sobre os agentes de autoridade).
Os protestos dos suinicultores têm a ver com a alegada utilização de carne suína espanhola nos produtos da indústria do setor em Portugal. A APIC (Associação Portuguesa dos Industriais de Carne) assegura que há uma clara preferência em trabalhar com carne nacional, só que indica que a produção não é autossuficiente para o consumo interno, cobrindo apenas 55% das necessidades, o que leva a recorrer a carne importada, uma informação que é contestada pelos suinicultores.




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