A organização das Jornadas teve como ponto de partida as próximas eleições autárquicas que terão lugar em 2017. O objetivo era que as pessoas se inscrevessem e dessem um contributo para o futurodo concelho. Apesar de Teresa Serrenho saber que há pessoas a organizarem-se como independentes, não houve inscrições, o que para esta responsável demonstra que “ainda há medo em mostrar a cara ou para muitos ainda é muito cedo”. “Temos a perspetiva de que a organização de uma campanha tem que ser feita com tempo. Nas últimas eleições autárquicas só conseguimos concorrer a seis freguesias, por falta de tempo”, disse a presidente do MVC, sublinhando que “pretendemos crescer e trazer mais jovens ao movimento”. Quanto a nomes para a lista de candidatos, disse que “tudo está em aberto”. “Sabemos que há muitas pessoas que pensam como nós e estamos abertos a novas ideias e a novos líderes porque ser independente é isso mesmo”, adiantou Teresa Serrenho.
Apesar de não ter havido inscritos para as comunicações, as cerca de 50 pessoas presentes debateram algumas questões, nomeadamente a força do MVC no “aprofundamento da democracia participativa”.
Apesar dos movimentos independentes estarem a crescer, Aurélio Ferreira, presidente da AMAI – Associação Nacional dos Movimentos Autárquicos Independentes, que esteve nas jornadas, também justificou a pouca afluência na iniciativa “por haver mais medo do que antes do 25 de abril”. “As pessoas estão receosas de dar a cara, mas têm medo porque um tem a prima que trabalha na Câmara, ou porque o outro tem lá um projeto que tem que ser aprovado e isto não é democrata”, sublinhou o responsável. “Não dão a cara mas manifestam-se nas urnas”, adiantou Aurélio Ferreira.
Em 2013 foram eleitos 13 presidentes de Câmara independentes, e existem neste momento 342 presidentes de Junta de movimentos independentes. “Apesar de discriminados, com o fato de termos pagar impostos continuamos a crescer apesar das restrições nomeadamente com o pagamento de impostos enquanto os outros partidos estão isentos”, sublinhou, o presidente da AMAI.
Aurélio Ferreira pondera fazer nas Caldas da Rainha um encontro nacional de eleitos pelos movimentos independentes. Isto depois do desafio de Fernando Sousa, presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, eleito pelo MVC – Viver o Concelho, que gostava de ter na Foz uma reunião com todos os presidentes de Junta que foram eleitos por partidos independentes.
Fernando Sousa confessou que sempre foi militante do PSD mas aceitou candidatar-se pelo MVC porque foi convidado e porque era a oportunidade de “participar ativamente na política autárquica e defender a freguesia, nomeadamente a Lagoa de Óbidos”.
O autarca afirmou que trabalha 24 horas por dia em prol da freguesia, que “está mais limpa e ordenada” e só voltará a candidatar-se para o ano “se a condenação da Junta a pagar uma indemnização de quase 900 mil euros por ter cedido a exploração de uma pedreira quando o terreno em causa era considerado um baldio, não estiver resolvida”.
Os dois membros na Assembleia Municipal do MVC, Edgar Ximenes e Emanuel Pontes, intervieram, dando o testemunho do seu trabalho como deputados municipais.
Emanuel Pontes falou da complexidade da informação dada na assembleia municipal, nomeadamente os documentos da autarquia que chegam tarde, dando pouco tempo para os deputados da oposição analisarem. Falou também do papel importante que tiveram na regeneração urbana das Caldas e desafiou os caldenses a juntarem-se ao MVC “porque precisam da colaboração de pessoas com experiência em diversas áreas para os ajudarem”.
Edgar Ximenes considera que em contexto autárquico, “só há futuro se for consensual e os consensos alcançam-se com humildade e não com arrogância de quem governa e de quem faz oposição ao poder”. Alegou que ao longo da sua longa história, Caldas da Rainha nunca estiveram tão nas “mãos” dos caldenses como estão agora. “A paradigmática situação do Hospital Termal e seu vasto património são o melhor dos exemplos”, adiantou, defendendo para a renovação termal das Caldas uma aposta “no novo tipo de termalismo de saúde, bem-estar e lazer”.
Teresa Serrenho (filha) e o jovem Bruno Monterroso classificaram diferentes tipos de independentes: zangado, medroso, estou-me a borrifar, ingénuo, adormecido entre outros, chegando à conclusão que “todas as pessoas acrescentam valor à sociedade e que duas pessoas pensam melhor que uma, e assim sucessivamente”. Querem criar empatia com os jovens passando-lhes a mensagem da importância de darem o seu “contributo na sociedade”.





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