Tudo começou nos finais do ano de 1984, quando um conjunto de amigos da ADR (Associação de Desenvolvimento Regional) decidiu participar na implementação de uma “rádio pirata”. Segundo José Manuel Paz, “nunca me tinha passado pela cabeça envolver-me com o mundo da radiodifusão”, acabando por aceitar o desafio, que mais tarde deixou de ser “um mero entretenimento”. Apesar de ter sido uma “tarefa difícil”, devido a um conjunto multidisciplinar de tarefas necessárias para empreender o projeto, “o resultado foi muito positivo”.
Apesar da concorrência e da complexidade do mercado atual, José Manuel Paz afirmou que “a posição de destaque com o reconhecimento do mercado que temos não nos faz abrandar, pelo contrário, faz-nos trabalhar cada vez mais, com a ambição de continuarmos a crescer”. No entanto, sublinhou que “não é de hoje que a rádio vem sendo desafiada pelas novas tecnologias e tratada como media obsoleto”.
“A rádio era o meio responsável pela informação no país, oferecendo aos ouvintes as notícias, lugar que gradualmente foi ocupada pelas redes de televisão, obrigando as rádios a se adaptarem”, frisou.
“Penso que os atuais meios tecnológicos são um momento de renascimento para as estações de rádio, mas há que saber e ter oportunidade de os aproveitar”, admitiu, acrescentando que “a rádio ocupa atualmente, nas pesquisas de comunicação, um lugar de destaque”.
Para o responsável, o consumo dos diferentes medias detetou que o conteúdo radiofónico foi um dos que mais sofreu variações no tempo médio de consumo. Até 2004, a rádio obtinha picos de audiência e grande penetração em todas as classes, só mais tarde, em 2006, notaram-se as quedas significativas de audiência e quatro anos depois, a rádio volta a apresentar tendências significativas de crescimento.
Atualmente, José Manuel Paz admite que as rádios locais ou de proximidade ”surgem como importantes propulsores”, e apresentam-se como “meios ideais de difusão cultural em articulação com diferentes grupos culturais (imigrantes, emigrantes, minorias).
“A participação do ouvinte permite a inclusão e integração de diferentes grupos num mesmo espaço – a rádio”, explicou. Neste sentido, a “rádio local é vista como próxima da comunidade e junto do ouvinte”.
“A rádio constitui um espaço privilegiado, em que a comunidade reconhece a estação como sua e a transforma num fórum de discussão”, salientou o responsável.



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